Protesto em rima, prosa e verso

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http://www.anovademocracia.com.br/178/18a.jpgRapper e articulador cultural, o carioca Pablo Borges ou Mano Rip como é conhecido, usa o rap para externar sua indignação contra o sistema e a farsa eleitoral. Cantando o cotidiano do povo pobre, que é a sua própria realidade, Mano Rip procura esclarecer a situação de opressão que vive, na busca de mudanças. 

A maioria das minhas músicas é de protesto. Quero passar a verdade para a sociedade, a forma como tudo é conduzido, abrir a mente do povo. O rap tem várias vertentes e cada pessoa tem os seus motivos para falar do que fala, e eu, como sou um jovem de pele preta e de classe média considerada baixa, falo da minha realidadeexplica.

Minhas músicas retratam principalmente a vida do pobre, as necessidades, dificuldades que enfrenta para ter acesso a tudo aquilo que na verdade é direito do cidadão. A população pobre é excluída de várias coisas, então aproveito a liberdade de expressão que o rap me oferece e falo do cotidiano violento, genocida, covarde que o sistema impõe sobre a massa — diz.

Na música, ‘Tá tudo errado’, de sua autoria, Mano Rip mostra sua revolta.

Desliga a TV e liga você, tá tudo errado será que não vê? A mídia censura o povo na rua que está lutando por causa justa. Bomba, porrada, pimenta na cara. Tropa de choque, PM armada, pichações no muro da candelária, agências de banco apedrejadas… O povo comenta, mas não sai de casa, ficar só falando não resolve nada… Pro ladrão é sim senhor! Tudo bem doutor! Chefia, padrinho, patrão, irmão. E pro trabalhador? Porrada, porrada, porrada.

Mano Rip afirma que consegue enxergar claramente o que há por trás da farsa eleitoral.

O Brasil nunca teve democracia, estamos há anos vivendo sob um verdadeiro imperialismo. Democracia aqui no Brasil é um mito, e esse processo eleitoral é um sistema de partido único da classe dominante, exploradora — fala.

— Não acredito no sistema eleitoral e para mim o PT foi só uma ferramenta usada para poder maquiar esse jogo todo, e agora está dando nisso. Ficou bem claro para todo mundo ver que quem manda são eles, fazem o querem, e o povo nós vamos vivendo isso pra sempre — continua.

— A maior prova disso é essa farsa que eles chamaram de golpe. Não vi nada de golpe, acho que já estava tudo tramado. Eles decidem aquilo que vai ser e só o povo, a massa mesmo não tem direito de escolha. Acho que todos eles estão ali para poder sugar, não tem ninguém querendo fazer nada em prol do povo — acrescenta.

Esclarecendo a realidade

Entra fulano e sai beltrano, a cada ano só piorando, imposto aumentando, governo roubando, quem tem que lhe dar, tá te tirando. O Sertão tá secando, o álcool matando, saúde pública só piorando, o nosso ensino está precário, nosso pré-sal privatizado. Nossa Amazônia perdendo o verde, rios em torno perdendo seus peixes, o ser humano perdendo o equilíbrio, a pátria amada perdendo seus índios… polícia e político mata e rouba, sonega imposto, cheira e não roda — canta Mano Rip em outra parte da música ‘Tá tudo errado’.

— A eleição é uma farsa, nada muda na estrutura econômica, política, social do país. Ganha a eleição quem tem mais dinheiro, somos enrolados o tempo todo, não dá para confiar em ninguém, nada é feito pelo brasileiro, acho que nem o Brasil pertence aos brasileiros, porque não vejo o país funcionando para nós — complementa.

Interessado por música desde pequeno, Mano Rip gostava dos funks de protesto.

— Comecei escrevendo funk e pagode, como todo morador de comunidade, e com 18-19 anos de idade vi no rap uma importante ferramenta para expor o que eu pensava a respeito do que vivia e via na minha frente, a minha realidade. Assim decidi seguir esse caminho — conta.

— Pensei: ‘vou cantar rap porque não aceito muita coisa que acontece, e com o microfone na mão vou poder abrir minhas ideias e provocar as pessoas, provocar uma mudança. Talvez esse corre-corre do dia a dia faz as pessoas não pensar sobre o que vivem — expõe.

— O pobre está sempre correndo atrás de dinheiro e nunca sabe onde quer chegar, e nunca chega em lugar nenhum mesmo. Então é importante parar para pensar, e de repente mudar essa rotina de vida, e deixar de ser um gado no meio desse pasto aí — diz.

Além da carreira solo, Mano Rip participa do grupo de rap Legítima Defesa.

— Nossas letras são totalmente fundadas nesse cotidiano caótico, protestando contra a forma capitalista que a nossa sociedade é imposta a aceitar. Lançamos até agora um disco, chamado ‘Mais uma pedrada na cara do sistema’. Ele tem nove faixas e da primeira a última é só pedrada mesmo, só música de protesto, atacando diretamente o sistema — relata.

— Além desse disco com o grupo, participei do projeto ‘Departamento Zona Oeste’, volume 1, lançado ano passado. É uma coletânea que tem participação de 14 Mcs. Agora estamos indo para o ‘Departamento Zona Oeste’, volume 2, que tem previsão para ser lançado no final desse ano ou começo do ano que vem — avisa.

Articulador de cultura, Mano Rip promove a Roda Cultural do Pistão, em Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

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— É realizada em uma praça, acessível a qualquer cidadão e totalmente sem fins lucrativos. Quem sustenta a roda somos nós mesmos, organizadores e frequentadores da praça. O movimento acontece desde 2012 e além do rap, temos o Cine Pistão, que são vídeos projetados, documentários sobre diversos assuntos — relata.

— Temos palestras, bandas de várias vertentes, poesia etc. Fazemos recital de poesia e temos o varal poético, que é um varal onde qualquer pessoa pode usar para expor sua poesia. E se alguém gostar de alguma poesia do varal, pode arrancar e levar para casa — continua.

— Fazemos também uma biblioteca comunitária: o pessoal que frequenta a roda leva livros usados e quem quiser pode levar para casa, devolvendo após ler. A roda acontece duas vezes por mês, aos domingos, a partir das 16:20hs, Rua Santo Terêncio, Praça Marechal Edgar do Amaral — finaliza.

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