RO: nada vai deter a luta pela terra!

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Nos meses de agosto e setembro, cercos policiais, criminalização da luta pela terra, agressões, prisões e assassinatos de lideranças camponesas foram amplamente denunciadas e rechaçadas pelos camponeses em luta pela terra em Rondônia.

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Camponeses tomam as ruas de Seringueiras em combativo protesto no dia 22 de setembro

A gerência estadual de Confúcio Moura (PMDB), aliada ao comando geral da Polícia Militar (PM) de Rondônia, encabeçada pelo coronel Ênedy Dias de Araújo, tem se caracterizado pela intensificação na repressão à luta pela terra e ao movimento camponês, além  da conivência com os crimes praticados por latifundiários e seus bandos de pistoleiros. Todas as mortes de camponeses que ocorreram em 2015 e 2016 não foram devidamente apuradas nem seus responsáveis julgados.

À medida em que a escalada de repressão contra o movimento camponês se intensifica, a resistência das massas se impõe. O movimento camponês combativo eleva os seus graus de mobilização, politização e organização para fazer frente ao terror praticado pelo conluio do velho Estado com o latifúndio, anunciando que nada deterá a luta pela destruição do latifúndio e a tomada de todas as suas terras.

Lideranças camponesas assassinadas

Na manhã de 13 de setembro, Edilene Mateus Porto, de 32 anos, e Izaque Dias Ferreira, de 34, foram executados quando se deslocavam de moto de sua moradia para trabalhar no lote de terra que possuíam na Área Revolucionária 10 de maio, no município de Alto Paraíso.

O casal foi brutalmente assassinado por disparos de espingarda calibre 12 e deixou uma filha de seis anos de idade.

O assassinato das duas lideranças segue um determinado modus operandi com marcas de barbaridade, já que a cabeça de Izaque foi destroçada por um disparo à queima-roupa. Ao menos  seis dirigentes camponeses foram assassinados do mesmo modo no estado nos últimos anos.

Edilene e Izaque, como a maioria dos camponeses pobres de Buritis e do estado de Rondônia, conquistaram o seu pedaço de terra lutando. O casal participou desde o início da luta no então Acampamento 10 de maio, integrando comissões de moradores, frequentando ativamente atos, reuniões e audiências públicas em Ariquemes, Buritis, Monte Negro, Porto Velho e até Brasília, além de  ter participado dos congressos da LCP.

Tendo em vista a sua destacada atuação no Acampamento, Izaque foi eleito coordenador pelo 6º Congresso da LCP, ocorrido em 27 e 28 de setembro de 2014, no município de Jaru.

Conforme nota da LCP, divulgada na página Resistência Camponesa, o casal lutou pelos direitos dos camponeses, como transporte escolar para os jovens da Área 10 de maio, bem como participou da resistência das famílias contra as frequentes tentativas de reintegração de posse.

Roteiro da morte

Segundo a mesma nota, a morte de Edilene e Izaque foi anunciada, pois, assim como outras lideranças camponesas, receberam ameaças de morte por parte de latifundiários, pistoleiros e policiais e, em 29/12/2014, sofreram uma tentativa de assassinato, dias depois de participarem de uma audiência da Ouvidoria Agrária Nacional, em Porto Velho, onde denunciaram crimes praticados por PMs do município de Buritis.

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O assassinato do casal repete o “roteiro da morte”, já denunciado por AND, em que camponeses vão aos representantes do velho Estado, denunciam as ameaças, cobram a regularização de suas posses e depois são assassinados vítimas de tocaias.

As ameaças contra as vidas de Edilene e Izaque, segundo a LCP, já haviam sido denunciadas e eram de conhecimento dos órgãos do velho Estado como a Ouvidoria Agrária Nacional, que nada fez novamente.

Área Revolucionária 10 de maio

A Área Revolucionária 10 de maio situa-se na fazenda Formosa, terras públicas que chegaram a ser desapropriadas pelo Incra para fins de “reforma agrária”, em 1995, mas foram griladas pelo latifundiário Caubi Moreira Quito.

Os camponeses tomaram a fazenda pela primeira vez em 2004, sofrendo consecutivos despejos por parte do judiciário e dos latifundiários, mas sempre resistindo e retomando o latifúndio.

Em 2014, as famílias cortaram as terras por conta própria, distribuindo os lotes e iniciando a construção de casas e lavouras. O Acampamento passou a ser denominado de Área Revolucionária 10 de maio, onde os camponeses vivem, produzem e lutam em seus lotes.

Em 2016, já foram assassinados quatro membros da Área 10 de maio. No dia 24/04, os irmãos Nivaldo Batista Cordeiro e Jesser Batista Cordeiro foram mortos quando saiam de moto da área, seus corpos foram lançados sobre o Rio Candeias.

Conforme nota da Comissão Pastoral da Terra (CPT), existiria uma lista com nomes de integrantes da LCP a serem executados, sendo que muitos que integram essa lista já foram mortos.

O sangue será uma semente

Na nota, a LCP destaca que a ofensiva do velho Estado – representado nas figuras de Confúcio Moura (PMDB) e do coronel Ênedy Dias de Araújo – e do latifúndio contra os camponeses não paralisarão a luta pela terra e a Revolução Agrária. Pelo contrário, as fortalecerão, fortificando o ódio dos camponeses contra os seus algozes.

Polícia é rechaçada por camponeses

No dia 22/09, os camponeses da Área Paulo Freire IV, em Seringueiras, e a LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental, celebraram com uma série de atividades os nove anos da posse das terras tomadas do latifúndio.

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Edilene e Izaque: casal unido na luta

De manhã ocorreu uma passeata no centro do município, onde os camponeses estenderam faixas, distribuíram panfletos, entoaram palavras de ordem e realizaram falas conclamando o povo a participar e a apoiar a Revolução Agrária, sendo a passeata saudada pela população local.

Pela tarde, os camponeses realizavam um ato político na área, quando receberam a notícia de que a PM fazia uma blitz nas proximidades, procedimento este, do qual não faltam denúncias de abusos de autoridade e apreensões ilegais, como parte da política de criminalização e perseguição costumeiras contra os camponeses da região. Foram informados ainda de que a moto de um camponês que participava da comemoração havia sido apreendida. As notícias motivaram a revolta dos presentes, que se dirigiram até o local e não permitiram a apreensão do veículo.

Intimidados e sob os gritos de “Fora daqui, PM assassina!”, os policiais solicitaram o reforço de outra viatura, mas os camponeses não se amedrontaram e avançaram sobre estes, em repúdio à descarada provocação, forçando-os a refugiarem-se nas suas guarnições e recuar. Os PMs foram forçados a conduzir suas viaturas de marcha ré por cerca de 800 metros, sob uma  chuva de pedaços de madeira e pedras lançadas pelos camponeses, atestando a autoridade das massas, que não abaixam a cabeça frente a toda essa política fascista e criminalizadora do velho Estado.

Camponês executado

O camponês Sebastião Pereira dos Santos, de 39 anos, do Acampamento Jhone Santos, foi executado por pistoleiros no município de Vale do Paraíso. O ataque ocorreu na noite de 27/09, quando dois homens chegaram à casa da vítima e um deles, armado com um revólver, efetuou sete disparos contra Sebastião, acertando seis. A companheira do camponês ainda entrou em luta corporal com o atirador, tentando evitar o assassinato, mas foi agredida e ameaçada de morte.

Sebastião foi levado para o Hospital Regional de Ji-Paraná, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã de 28/09.

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