Grande vitória do boicote eleitoral

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No último dia 30 de outubro, 57 cidades em 20 estados realizaram o segundo turno da farsa eleitoral que, assim como o primeiro, terminou com a vitória esmagadora das abstenções, votos brancos e nulos. Esse foi mais um claro sinal de que a população cada vez mais rejeita as eleições reacionárias que, em 2016, decidiu quem serão as marionetes que vão gerenciar os municípios brasileiros para a grande burguesia e o latifúndio. Assim como no início do mês, em vários dessas regiões, organizações populares persistiram e levaram adiante a grande campanha de boicote à farsa eleitoral no segundo turno.

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Rio de Janeiro

O Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia do Rio de Janeiro realizou, em 30 de outubro, uma vibrante brigada de vendas em frente à estação de metrô do Largo do Machado, na Zona Sul, nas proximidades do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, um dos maiores colégios eleitorais da cidade.

A edição nº 178, cuja manchete estampa Avança vitorioso em todo o país: O grande boicote às eleições, teve ampla receptividade das pessoas que passavam pelo local. Brigadistas se revezavam nas falas, expondo a linha editorial do AND, enquanto os demais atendiam aos vários interessados em adquirir e conhecer o jornal.

Vendedores ambulantes e outros trabalhadores, entusiasmados com a agitação, também se incorporaram à brigada e pegaram jornais para fazer apresentações aos que passavam. Vários outros estudantes e jovens, quando apresentados à linha editorial, declararam pleno apoio à necessidade da Revolução de Nova Democracia, da destruição do latifúndio, da grande burguesia e do varrimento do imperialismo para a libertação do povo e independência da Nação. Ao todo, em menos de 4 horas, mais de 100 exemplares do jornal foram vendidos!

Dois dias antes, 28 de outubro, uma brigada de distribuição de exemplares antigos foi realizada na Central do Brasil, a principal estação de trem do Rio. Essas atividades realizadas pelo Comitê de Apoio ao AND foram parte da campanha de boicote à farsa eleitoral realizada por movimentos populares da capital fluminense durante os últimos meses.

Nas manifestações contra a PEC-241 e a “reforma” do ensino médio realizadas nos dias 17, 18 e 24 de outubro, ativistas do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) levantaram uma faixa com a frase Eleição Não! Revolução Sim! A Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC) distribuiu adesivos com a palavra de ordem Não vote! Lute!

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Fortaleza (CE)

No dia 30 de outubro, o grupo Crítica Radical realizou um ato defendendo o não-comparecimento da população às urnas. Dezenas de ativistas se concentraram na Praça da Gentilândia, no bairro Benfica, de onde saíram num “trenzinho” com uma grande faixa escrita Não voto! e tocando instrumentos musicais. Uma semana antes, dia 23, o mesmo grupo realizou a ‘Pedalada do Não Voto!’, que foi da Praça da Gentilândia à Praia de Iracema. Além dessas, outras atividades foram realizadas pelo Crítica Radical.

Recife (PE)

Ainda em 30 de outubro, Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia e ativistas do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) realizaram uma brigada de venda e agitação contra a farsa eleitoral em frente ao Colégio Municipal Olinto Victor, no bairro da Várzea. Na agitação, 10 jornais foram vendidos e o MEPR exibiu uma faixa com a frase Eleição Não! Revolução Sim!

Manaus (AM)

Em 30 de outubro, brigadistas do AND realizaram agitação com o jornal nos terminais e dentro dos ônibus, expondo a linha editorial e conclamando o povo a boicotar as eleições reacionárias.

O boicote venceu

Nas três principais capitais em que houve disputa no segundo, a soma de abstenções, votos brancos e nulos superou o total de votos recebidos pelos candidatos eleitos. Assim como ocorreu em São Paulo no primeiro turno (João Dória/PSDB teve 3.085.187 votos e o boicote atingiu 3.096.304), no segundo turno o boicote venceu os eleitos no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Como um todo, o índice de abstenção no país inteiro foi de 21,5% e o de votos nulos 12%, 5% a mais do que na última farsa eleitoral municipal.

No Rio de Janeir o, somente o total de abstenções (1.314.950) superou a votação do segundo colocado, Marcelo Freixo/PSOL, e o total de abstenções mais votos brancos e nulos superou a votação do candidato eleito, Marcelo Crivella/PRB. Ao todo, 2.034.352 de pessoas se abstiveram ou votaram branco e nulo, enquanto Freixo teve 1.163.662 e Crivella 1.700.030. A capital fluminense, que foi o maior colégio eleitoral do segundo turno e recordista no boicote, teve a maior abstenção desde 2004 (26,85%) e superou a média nacional.

Em Porto Alegre, a soma de brancos, nulos e abstenções foi de 433.751 votos, ganhando do candidato eleito Nelson Marchezan Júnior/PSDB (402.165 votos). Na capital mineira, o boicote foi de 642.050 votos contra 628.050 do eleito Alexandre Kalil/PHS.

Naufraga o corrupto e reacionário sistema político

Nada melhor para representar o afundamento do apodrecido sistema político brasileiro do que a imagem do barco, alugado pelo TRE para o transporte de urnas, adernado nas águas do estado do Amapá.

O repúdio da população à farsa eleitoral, agora batendo novo recorde, é a demonstração patente de que o povo rejeitou não apenas os candidatos, como alguns analistas apressados salientaram, mas o sistema como um todo.

Mais uma vez, o Rio de Janeiro puxou o cordão do protesto popular quando mais de 2 milhões de eleitores de um total de 4,8 milhões se abstiveram ou votaram branco e nulo.

O Rio bateu o seu próprio recorde registrado na eleição do primeiro turno. Qual a legitimidade de um prefeito que representa pouco mais de um terço do eleitorado?

Dando um caráter nacional a esse sentimento de revolta contra o sistema, cidades como Porto Alegre e Belo Horizonte também apresentaram resultados em que o eleito teve menor quantidade de votos do que a soma das abstenções, brancos e nulos.

Vale salientar que na maioria das capitais e das grandes cidades do interior houve o aumento do protesto popular, apesar do falso clima de acirramento na disputa como foi o caso de Recife, Fortaleza, São Luís e outras.

Foi uma evidência de que o oportunismo e o revisionismo não são mais do que um apêndice do sistema. A sua bancarrota ficou escancarada pela derrota do PT em todas as cidades que disputou o segundo turno,  completando o desastre da perda de 61% das cidades conquistadas em 2012. Também o PSOL, pretendente a ser o substituto do PT, amargou derrotas em cidades em que apostava nas vitórias, como Rio de Janeiro e Belém.

Procurando encantar a pequena-burguesia com um discurso mais moralista e preconceituoso do que radical em termos políticos e flertando com a burguesia, principalmente financeira, Marcelo Freixo, quanto mais ganhava pontos na pesquisa, mais se aproximava ideologicamente dos que ele fingia combater. A sua carta de intenções, imitando ‘lulinha paz e amor’ em 2002, deixa claro que tipo de acenos ele esboçava para os “donos” da cidade. Tudo isso dourado com afirmações de montar uma equipe de técnicos e assumindo uma metafísica postura com respeito à neutralidade política.

Aqueles que pensam que esse posicionamento do povo em protesto contra a farsa eleitoral é apenas uma questão de repúdio aos candidatos estão redondamente enganados. Tudo isso que estamos assistindo é expressão de uma situação revolucionária em desenvolvimento. Só os tolos acreditam que esse distanciamento é momentâneo ou fruto de uma posição niilista das massas.

Tal como acontece nos tsunamis, o  recuo das águas significa que vem em seguida uma onda gigante. Enquanto o  povo vira as costas para a farsa eleitoral, ele prepara a sua Revolução.

Por isso é que os oportunistas encastelados nos sindicatos pelegos e nos partidos eleitoreiros estão fadados ao fracasso em suas manifestações puxadas por frentes eleitoreiras oportunistas.

“O tempo passou na janela e só Carolina não viu…”  

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