Partido Único sob nova direção

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O resultado do primeiro turno da farsa eleitoral com a vitória de João Dória Júnior em São Paulo e a consequente derrota do PT naquela capital, ademais da perda de mais da metade de suas prefeituras e eleitorado, foi apenas a gota d’água para desagregação geral desta agremiação que marcou sua hegemonia no Partido Único por mais de treze anos.

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Foto: Agência Brasil / Divulgação

Mesmo antes do afastamento de Dilma, o PT já vinha caindo pelas tabelas desde quando a juventude combatente tomou as ruas e expulsou das manifestações os partidos oficiais (da situação e oposição), isolando as manifestações governistas, artificialmente sustentadas pela corporativização das organizações de massas pela política de tipo fascista de Luiz Inácio e Dilma Rousseff.

O processo de impeachment iniciado com a interinidade de Temer, e depois a sua confirmação no gerenciamento do velho Estado, fruto de uma articulação da fração burocrática da grande burguesia para barrar a “Operação Lava-jato”, teve como protagonistas dentro do Partido Único o PMDB, com o destacado papel do trio Temer/Eduardo Cunha/Renan Calheiros, coadjuvado pelo PSDB, cuja banda de música incorporava elementos do DEM.

A debilidade do trio PMDBista necessitava de uma escora e esta veio com os discursos ofensivos de Aécio, Serra, Alckmin, Ronaldo Caiado, Pauderney Avelino, Agripino Maia e outros que ganhavam, de imediato, o palanque dos monopólios de comunicação. Mais que uma escora, o apoio do PSDB era um aval perante a burguesia compradora, principalmente à oligarquia financeira. O preço deste aval seria a aprovação imediata do programa de ajuste fiscal com as contrarreformas na Previdência e nas leis trabalhistas, além da quebra do direito da Petrobrás de ter preferência na exploração do pré-sal.

A tragédia

Estas duas siglas do Partido Único já atuaram juntas no gerenciamento de Cardoso, no qual ajustaram um acordo através do qual o PMDB, com um plantel composto em sua maioria por elementos do chamado “baixo clero”, useiro e vezeiro na política do “é dando que se recebe”, comeria as migalhas, enquanto o PSDB se encarregaria da alta costura com o latifúndio (agronegócio), a grande burguesia, a banca e o imperialismo.

O esgotamento da investida imperialista no Brasil por meio de suas políticas de privatização/desnacionalização, “plano Real” e a quebra da indústria nacional pela abertura de mercado abriram uma profunda crise de credibilidade daquele consórcio e possibilitou a ascensão do PT ao gerenciamento do velho Estado, após firmar compromisso de acatamento à política imperialista de subjugação nacional. Bom, deu no que deu, agora a história se repete, mas atenção: se repete como farsa! Sobre esta questão, há muito nos advertiu Marx de que quando os fatos históricos se repetem, a primeira vez ocorre como tragédia e a segunda como farsa.

A farsa

Ao açambarcar o gerenciamento do apodrecido Estado brasileiro de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo, principalmente ianque, o consórcio ou a quadrilha — como queiram — espera aplicar o seu surrado programa espoliador do povo e da nação, aprofundando mais ainda a exploração do país. Naquela época, Cardoso foi oferecido ao eleitorado como o “pai” do Plano Real que acabara com a inflação e estabilizara os preços. Agora não, agora os políticos, todos, estão totalmente desmoralizados e a crise econômica, política e moral chegou a patamares nunca vistos, como demonstrou o próprio resultado das eleições com seus elevados índices de abstenções, votos nulos e brancos. A quebradeira das pequenas e médias empresas impulsionando o desemprego só poderá ter como resultado o aumento do protesto popular.

Protesto que já ganha as ruas e as escolas, com centenas de ocupações em protestos contra as draconianas leis aprovadas, com urgência, por um congresso acachapado e desmoralizado.

Empulhação requentada

Por suas ligações com as altas esferas dos grupos de poder no Brasil, o PSDB tem exercido o domínio da situação mantendo o PMDB sob sua tutela e traçando planos para garantir a sua  hegemonia no processo culminado com a eleição de um de seus capos para o cargo de gerente do velho Estado em 2018.

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O fato de ter elegido o prefeito da cidade com o maior colégio eleitoral do país e de ter sido, dentre as grandes siglas, a que mais cresceu, encheu de esperanças o PSDB que deve agradecer todos os dias ao PT pela sua ascensão. O PMDB aumentou um pouco as prefeituras, mas perdeu eleitorado, e o PT simplesmente despencou, papocou com linha, cerol e tudo, como se diz na linguagem dos empinadores de pipa.

Está nos planos do PSDB jogar sobre o PMDB todo o ônus das medidas reacionárias, consequentemente impopulares e simultaneamente usar São Paulo sob o gerenciamento do embuste chamado de Dória Junior, promover medidas cosméticas que serão usadas como vitrine para iludir o eleitorado nacional. O PMDB, como bom comedor de migalhas, continuará como seu coadjuvante, cumprindo ordens e comendo as sobras, que não são tão poucas ou pequenas.

E a luta de classes...

Uma das questões mais enaltecidas pelo grande timoneiro do proletariado internacional, Mao Tsetung, foi a de que nunca se deve olvidar a luta de classes. Afirmou isto já no contexto da China Socialista, porém, no sentido amplo da história da sociedade. A burguesia e suas siglas do Partido Único são unilaterais quando fazem seus planos, pois como desdenham das massas, não as levam em consideração.

Acontece que são as massas que fazem a história,  principalmente quando existe uma situação revolucionária, condição atual do Brasil e do mundo, ainda que de desenvolvimento desigual. Situação em que o imperialismo ianque, em pugna principalmente com o imperialismo russo, gasta todas as suas energias para submeter os povos árabes e muçulmanos, provocando distúrbios em que mais uma vez estarão fadados ao fracasso, evidenciando a sua condição de gigante com os pés de barro.

Alquebrado, o USA, incrementando e aprofundando a superexploração sobre as colônias e semicolônias, só acelera a revolta das massas em todo o Terceiro Mundo.

Por sua dimensão e peso no concerto do mundo explorado, o Brasil é um dos elos mais fracos desta cadeia de opressão e exploração e, neste momento, quando as massas clamam por uma direção revolucionária que as conduzam no glorioso caminho da Revolução Democrática ininterrupta ao Socialismo, elas também forjam e organizam os melhores filhos e filhas do povo na vanguarda revolucionária do proletariado, com os instrumentos necessários para levar a cabo o seu papel histórico.

Os revolucionários, que têm bons olhos e bons ouvidos, diante do clamor das massas, devem assumir o seu papel dirigente na Revolução.

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