Eleições no USA: ‘Ganhou quem mais enganou, o mais reacionário e chauvinista’

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Nota da Redação de AND: O presente texto é um comentário da Associação de Nova Democracia (Hamburgo, Alemanha) sobre um artigo publicado recentemente no blog dazibaorojo08.blogspot.com, denominado “Trump antissistema?”, de autoria de J.L. Forneo, a respeito do resultado das eleições no USA. Um artigo mais elaborado, da mesma autoria, pode ser lido em serviraopovo.wordpress.com.br

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Nosso comentário

Conforme tem dito Putin e repetido seus partidários mais próximos, eles [imperialistas russos] têm esperanças de que com o arquirreacionário Donald Trump como novo presidente do USA poderão negociar melhor os contenciosos que têm.

O que querem negociar, em primeiro lugar, é relacionado com as sanções pela atuação na Ucrânia, impostas contra a Rússia pelos Estados Unidos e União Europeia.

Citando Tatiana Sidorenko em seu trabalho O endividamento externo da Rússia: dinâmica, estrutura e riscos nas condições das sanções econômicas dos países do ocidente: “As sanções têm caráter político e econômico pelas quais proíbe-se aos bancos de tais países emprestar às companhias e bancos russos controlados pelo Estado. (...) Dada a alta dependência do setor não financeiro e do setor bancário russo aos mercados financeiros internacionais, o problema do endividamento externo da Rússia adquire em ditas condições uma atualidade especial e leva altos riscos para o desenvolvimento da economia russa a longo prazo. Ultimamente, a queda do preço do petróleo, principal produto de exportação da Rússia, assim como a depreciação do rublo, moeda nacional desse país euro-asiático, têm condicionado a piora de sua situação econômica e a probabilidade de que a economia russa entre em recessão a partir de 2015. (...) Por outra parte, a proibição da venda da tecnologia ocidental às empresas energéticas russas com participação estatal cria dificuldades bastante sérias para o desenvolvimento do setor estratégico da economia russa [...]”.

Essa é a base econômica que explica as declarações de Putin e as esperanças dos oportunistas e revisionistas. Então, os imperialistas russos esperam que com a nova administração seja facilitado a negociação com respeito a Ucrânia e às sanções; em troca, como já temos anotado repetidas vezes, os imperialistas russos estariam dispostos a fazer as concessões correspondentes aos imperialistas ianques no Oriente Médio Ampliado. Esse é o “toma-e-recebe” que pretendem alcançar no curto prazo.

Todos sabemos, no entanto, como dizem também os analistas burgueses, que o enfrentamento ianque-russo por seus interesses estratégicos prosseguirá apesar de tudo, como até agora com Obama ocorreu, e logo continuará com Trump à cabeça do imperialismo ianque.

Agregamos que isto e o resultado da eleição no USA, a superpotência hegemônica única, expressa claramente que a situação do imperialismo, no seu leito de morte, porém ainda não morto (Lenin), piora, e como besta ferida de morte se debate, voltando-se mais reacionário e violento nos âmbitos interno e externo, descarregando sua crise sobre nossos países [Terceiro Mundo] e incrementando a disputa entre eles pela repartilha e nova repartilha, desatando suas guerras de agressão nos diferentes continentes (pontos candentes), um dos quais, o mais candente hoje está no Oriente Médio Ampliado (OMA).

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Para entender o que está se passando na política dos diferentes países imperialistas: há que entender o processo de maior reacionarização dos Estados imperialistas, com maior centralização absoluta do Poder no Executivo. Em todos os países, de uma forma ou de outra, se faz propaganda pública, por todas as facções do imperialismo e seus serviçais oportunistas e revisionistas, sobre os tais perigos e ameaças dos migrantes que provêm dos países de cultura muçulmana.

Maior reacionarização dos Estados e a política imperialista e ofensiva contrarrevolucionária geral que alenta um chauvinismo imperialista mais aberto e descarado com grande desenvolvimento de propaganda em todos os meios, dirigindo-se às massas de trabalhadores médios e pequenos proprietários para dividir o povo. Uns o fazem de modo velado e outros de forma mais aberta, e até da forma mais desenfreada. Para os burgueses, estas não são questões de princípios, senão de oportunidades.

Vivemos a etapa do afundamento do imperialismo e este é mais reacionário e mais violento. Seus resultados estão expressos de forma clara na manipulação e enganação a que submete as massas, como na campanha do Brexit na Inglaterra ou as eleições no USA.

Como disse Lenin: é um dever desmascarar as correntes kautskistas, a ilusão da democracia sob o imperialismo, para “arrancar da burguesia os pequenos proprietários que ela engana e os milhões de trabalhadores cujas condições de vida são mais ou menos pequeno-burguesas” (Lenin). Hoje essa tarefa há que se cumprir apontando principalmente contra o novo revisionismo.

As eleições no USA, ganhou quem enganou mais a estes setores com a propaganda mais reacionária e chauvinista. Ou seja, ganhou quem se destacou como mais reacionário e mais chauvinista na propaganda demagógica deste circo eleitoral para a realocação de autoridades do Estado imperialista ianque.

Alguns se assustam pelos resultados eleitorais e o triunfo de Trump, pois estão pensando não como revolucionários, mas como kautskistas. Creem que a “paz e a democracia” são possíveis sob o imperialismo. Não! Os Estados imperialistas são cárceres para os operários, seja qual for o governo que encabeça o Estado de ditadura burguesa. E, no processo de reacionarização do Estado e a política imperialista, seja qual for a forma em que se produz a centralização absoluta – seja do tipo presidencialista ou fascista – a opressão contra a classe se multiplica e se aprofunda mais. A rebelião se justifica!

Por outro lado, como já temos dito e reafirmamos nesta ocasião: o resultado da eleição no USA mostram com total evidência o desenvolvimento da situação revolucionária no próprio seio da superpotência hegemônica única.

As contradições se acumulam. A guerra regressa aos países imperialistas como resposta das nações oprimidas à guerra de agressão imperialista por partilhar e repartilhar seus países. Os imperialistas recebem em seu próprio seio as consequências de sua barbárie. No âmbito interno, é inquestionável que o proletariado responde à crise e à maior exploração e opressão.

Mas os revisionistas como Avakian continuaram negando a existência do proletariado e a necessidade da revolução proletária, da ditadura do proletariado e a situação revolucionária.

As massas não necessitam do imperialismo, o imperialismo é câncer. O próximo governo ianque será, com relação ao atual, ainda mais reacionário, genocida e descarregará mais fome, repressão e morte sobre os operários e o povo norte-americano.

Yankees go home!

Contra a guerra de agressão imperialista no Oriente Médio Ampliado!

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