Viola do Quilombo

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Oriundos do quilombo Brejo dos Crioulos, próximo de Varzelândia, norte de Minas Gerais, os violeiros João e Damião foram uma das atrações musicais do Ato Político-Cultural em celebração dos 50 anos da Grande Revolução Cultural Proletária (GRCP) — ver edição especial nº 179 de AND. A dupla quilombola cantou músicas de cunho social, e permaneceu tocando e cantando, em uma roda animada, depois da finalização do evento.

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Foto: Ellan Lustosa/AND

— Nós somos amigos, companheiros lá do Brejo dos Crioulos, e hoje também família, porque eu sou tio dele (Damião), que é casado com minha sobrinha. Toco viola bem da tradição, aquela que vem do meu pai. Quando pego a viola me lembro dos meus antepassados, dos causos passados — explica João.

— A moda de viola é coisa bem forte no meio dos camponeses. Hoje em dia tudo cai de moda muito rápido, começa uma lambada e no outro ano já caiu de moda, agora tudo é modismo. Mas a moda de viola não é essa moda, é uma cultura que vai passando de pai pra filho — declara.

João é um talentoso violeiro que não guarda a música só para si: ensinou Damião e ganhou um parceiro.

— Pensei: ‘Não posso deixar essa cultura cair, tenho que passar para os mais novos’. De uns seis anos pra cá comecei a passar umas instruções pra ele, acabou aprendendo e sabe tocar mais do que eu (brinca). É verdade, ele se adaptou com uma afinação chamada cebolão e toca melhor do que eu na ponteação, já na solação a gente se iguala — insiste.

— A viola tem muitas afinações, cada uma tem um jeito de aprender e tocar. Eu toco mais é corda presa, que é mais difícil de tocar, já quando é cebolão é mais fácil, mas faz parte, ele toca em uma afinação e eu em outra e na hora de sair a moda é tudo igual, a gente se apresenta com alegria onde chamar — diz João.

A dupla quilombola é bem simples, homens do campo que trabalham duro na roça para sobreviver e não recebem para se apresentar.

— Só uma vez que eu ganhei  um prêmio de 500 reais num festival que tinha várias pessoas, mas a gente não recebe nada para cantar. Vamos falar de realidade, do que é esse capitalismo aí, a gente que é pobre tem que fazer cultura só por diversão, porque não tem chance de viver disso — expõe João.

— E tem que trabalhar em outra coisa pra sobreviver, porque precisa comer, precisa manter a família, precisa ganhar o pão. A gente trabalha na roça lá no quilombo, e só pra sobrevivência, só pra manter a família do jeito de pobre mesmo, porque não é família bem mantida, é família mantida do jeito de pobre. A luta do pobre não é pra viver, é pra sobreviver — continua.

— O pobre é vivedor sofrido, mas é vivedor, e parece que na parte do dinheiro não querem que o pobre viva não, a gente não vale nada pra eles. Estamos precisando de tudo e a arte vem pela saúde, se eu não como, se eu caio doente, a minha arte acaba. Mas é pobre só no dinheiro, porque na responsabilidade o nosso pessoal é rico — afirma.

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