Destruir o Tacão de Ferro!

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Há cem anos morria Jack London, o grande autor revolucionário estadunidense. Tanto do ponto de vista político quanto estético ele pertenceu a uma fase de transição: aquela em que o capitalismo de livre-concorrência transformava-se em imperialismo, e no seio dos partidos socialistas amadurecia a cisão definitiva entre marxistas e revisionistas. Na frente cultural, essa é a época em que o realismo crítico (ou social) preparava o terreno para o aparecimento do realismo socialista.

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Na literatura de London ainda encontramos nítidos elementos de idealismo e materialismo mecanicista, próprios da infância do movimento operário. Mas também vemos narrados com vigor incomum tanto a força como as misérias a qual está submetida a classe operária. 

Jack London foi membro ativo do Partido Socialista dos Estados Unidos. Em 1916, ano da sua morte, rompeu com esta organização pela sua falta de combatividade e espírito revolucionário. Em 1905 acompanhou atentamente o desenrolar da primeira revolução russa, que estremeceu o mundo ao combinar de forma inédita a greve política de massas com a insurreição armada dos operários e camponeses. A reação do czarismo foi feroz, como se sabe, temperando a geração que voltaria a assaltar o céu doze anos depois.

Foi dessa grande experiência revolucionária que London tirou a fonte para escrever sua obra-prima: O Tacão de Ferro, que apareceu em 1907. Numa trama futurista, narrada já no comunismo (a Irmandade do Homem), conta como se deram os primeiros levantamentos revolucionários contra o “Tacão de Ferro” — o poder centralizado da plutocracia —, que foram esmagados a ferro e fogo. E como, desse esmagamento, se forjaram as condições para novos levantamentos, ainda mais sangrentos, até o triunfo definitivo da causa dos trabalhadores.

Contra o evolucionismo vulgar

Os chefes reformistas da II Internacional apregoavam que o próprio desenvolvimento do capitalismo levaria, gradualmente, à sua transformação em socialismo. Substituíam, assim, o materialismo dialético pelo evolucionismo vulgar, negando as soluções de continuidade, isto é, os saltos e as revoluções.

O protagonista do livro, o dirigente socialista Ernst Everhard, combate precisamente essas teses. Ele se dá conta que o desenvolvimento histórico segue um curso contrário daquele previsto por seus companheiros: o maior desenvolvimento capitalista, gerando os grandes monopólios e o capital financeiro, torna mais duro o caminho da revolução proletária. Inaugura-se um período de grandes crises e comoções sociais, em que a “Oligarquia” centraliza cada vez mais o poder em suas mãos, aplicando maior violência contra os trabalhadores:

Com a decadência desse sistema egoísta que foi o capitalismo, sustentou-se que deveria surgir a flor das eras, a Irmandade do Homem. Em vez disso, o capitalismo, apodrecendo de maduro, produziu um monstruoso desdobramento, a oligarquia; o que é aterrador para nós, que olhamos para o passado, e para aqueles que viveram naquela época”.

Essa previsão é o grande mérito do livro. Jack London conseguiu enxergar — repetimos, não de forma “visionária”, mas a partir das tormentas de 1905 — que a derrubada do capitalismo não seria uma mudança suave e gradual, mas uma guerra cruenta e prolongada, cheia de voltas e reviravoltas.

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