Cresce a rebelião das massas contra os pacotaços

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Manifestações e bloqueios de estradas se multiplicam por todo o país. Cada vez mais massas se somam ao crescente protesto popular em defesa dos seus direitos elementares e contra os pacotaços antipovo. No campo, indígenas se mobilizam na defesa de seus territórios, camponeses tomam terras do latifúndio e cortam rodovias. Nos estados e municípios aumentam as greves e mobilizações de servidores contra os parcelamentos e não-pagamentos de salários, além das manifestações contra os pacotes criminosos de cortes de direitos praticados pelos gerentes de turno estaduais e municipais.

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Estudantes erguem barricada e bloqueiam avenida em Recife, PE

A greve nacional nas instituições de ensino persistem em 34 universidades federais, 5 institutos federais e 1 centro federal. Também nas universidades estaduais as mobilizações e greves persistem, como na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde os professores decretaram estado de greve no dia 7 de dezembro durante assembleia geral da categoria,  com perspectivas de iniciar o ano de 2017 em greve por tempo indeterminado. Ocupações de escolas e universidades resistem por todo o país à repressão policial, invasões e tentativas de reintegrações de posse.

Sucessivas mobilizações nacionais contra os pacotaços do gerenciamento federal encontram crescente adesão nas diferentes regiões do país frente a precarização geral das condições de vida e trabalho.

No dia 13 de dezembro ocorreram manifestações e bloqueios de rodovias em 15 estados e no Distrito Federal contra a “PEC 55”. Neste mesmo dia, ocorreu no Senado a votação que aprovou, em segundo turno, esse draconiano saque contra os direitos do povo. As organizações populares avançam na luta combativa. As organizações classistas e populares convocam a aumentar as mobilizações conclamando a Greve Geral e o aumento das tomadas de terras pelos camponeses pobres no campo.

Brasília

No dia 29 de novembro, durante a votação em primeiro turno da “Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55” no Senado, dezenas de milhares de manifestantes protestaram contra os pacotaços de Temer num ato que contou com a participação de trabalhadores e estudantes de todo o país, em frente ao Congresso Nacional.

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Brasília, DF: jovens tomam a frente em rebelião popular

A Juventude Combatente não recuou frente à repressão policial e respondeu energicamente com pedras, pedaços de madeira, fogos de artifício e coquetéis molotov. Barricadas foram erguidas para impedir o avanço dos policiais e partes de prédios de alguns ministérios foram destruídos e pichados com frases de protesto pelos jovens. Carros do monopólio da imprensa foram virados e incendiados. O gerente federal Michel Temer, bandido inimigo do povo, condenou a justa revolta popular qualificando-a de “atos de vandalismo”, assim como os demais abutres que habitam o Congresso – e o monopólio da imprensa –, como se não fossem atos de vandalismo as medidas que estes senhores politiqueiros pretendem aplicar assaltando inúmeros direitos da população.

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Brasília, DF

No dia 13 de dezembro, uma nova manifestação foi realizada no Distrito Federal e os ativistas enfrentaram novamente a polícia. Durante os confrontos, alguns agentes da repressão que atacaram o protesto resultaram feridos e um ônibus chegou a ser incendiado pelos manifestantes.

São Paulo

 Uma manifestação que reuniu milhares de pessoas no Centro da capital paulista resultou em um ataque furioso das massas contra o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no dia 13 de dezembro. Manifestantes quebraram o portão, vidraças e lançaram fogos de artifício contra o prédio desta entidade símbolo da exploração da grande burguesia tão odiada pelo povo.

Mais cedo, a Avenida Senador Teotônio Vilela, situada na Zona Sul da capital, foi ocupada por um combativo ato contrário aos pacotaços do gerente Temer, que atacam diretamente os já precários e insuficientes serviços públicos. Em uma das faixas, era possível ler a inscrição: Fora Temer e todos os pilantras!

Pernambuco

No dia 7 de dezembro, em frente ao campus de Caruaru da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dezenas de estudantes fecharam por uma hora um trecho da BR-104 em protesto contra os ataques à educação do “governo” federal. Além de repudiar a “PEC 55” e o projeto batizado de “Escola sem partido”, o ato cobrou mais segurança aos estudantes que transitam por essa unidade da UFPE. Uma barricada em chamas foi levantada no local.

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Caruaru: protesto próximo ao campus da UFPE

Já em 13 de dezembro, data da votação em segundo turno da “PEC 55” no antro de inimigos das classes trabalhadoras, o Senado, foi realizada uma importante manifestação no Centro de Recife, com a interdição do cruzamento entre as Avenidas Norte e Cruz Cabugá. Com os rostos encobertos para garantir a segurança e o anonimato perante as fascistas forças de repressão, a Juventude Combatente ateou fogo em pneus e empunhou uma enorme faixa com a inscrição Fora Temer. Foram registrados confrontos com os policiais, além de uma agência bancária danificada.

Minas Gerais

Em Belo Horizonte, estudantes secundaristas e universitários ocuparam as ruas contra os pacotaços do gerenciamento Temer/PMDB durante todo o mês de dezembro. No dia 7 aconteceram atos em dois importantes pontos da cidade. No período da tarde, manifestantes interditaram por horas a Av. Sinfrônio Brochado, principal avenida do bairro Barreiro. Ativistas da Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR) e secundaristas de escolas da região entoaram palavras de ordem em repúdio à “PEC 55” e à “MP 746”. Algumas horas depois, por volta das 19h, cerca de 100 estudantes realizaram um combativo protesto na Av. Antônio Carlos, em frente à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Uma barricada em chamas foi levantada no local promovendo, assim, um grande bloqueio no sentido Centro da avenida. Por volta das 21 horas, a PM de Fernando Pimentel/PT invadiu o campus universitário atirando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo contra os jovens que lutavam por seus direitos. Inclusive um helicóptero foi utilizado para perseguir manifestantes. A Juventude Combatente respondeu energicamente com paus e pedras.

A Escola de Belas Artes (EBA), que conta atualmente com uma ocupação estudantil, foi alvo da investida truculenta da PM fascista, ficando sitiada durante quase uma hora. Tiros de bala de borracha foram disparados para dentro da EBA deixando pessoas feridas, entre estudantes, professores e servidores técnico-administrativos. Conforme relatado por AND, a universidade já tinha sido invadida antes pelas forças de repressão em 18 de novembro, quando ativistas também protestaram contra os pacotaços do gerenciamento federal.

A escalada de violência e repressão contra a revolta popular ocorre em meio à crise financeira e política do gerenciamento Pimentel/PT. No dia 7 de dezembro foi anunciado o parcelamento do 13° salário dos servidores do estado em até três vezes.

Na manhã de 8 de dezembro, na cidade de João Monlevade, uma barricada em chamas foi levantada por estudantes contrários aos pacotaços, que bloqueou os dois sentidos da BR-381 por cerca de 40 minutos. No dia seguinte, estudantes secundaristas de diversas escolas e ativistas da UV-LJR bloquearam a Av. Sinfrônio Brochado em uma vigorosa manifestação em repúdio aos ataques contra a educação.

Já no dia 13, milhares de pessoas tomaram as ruas do Centro da capital mineira em um ato em repúdio à “PEC 55”. Durante a manifestação foram registrados ataques da PM fascista contra jovens estudantes, ao que estes responderam com pedras. Agências bancárias do Itaú e Bradesco foram atingidas. Na manhã do mesmo dia também foi registrada a interdição da BR-040 por estudantes e servidores, que ergueram uma barricada de pneus em chamas.

Paraná

Na tarde de 11 de dezembro, em Curitiba, uma combativa manifestação reuniu cerca de 200 jovens no Centro da cidade. Os manifestantes entoaram palavras de ordem e levantaram faixas com frases conclamando Pela Greve Geral e Abaixo Temer e sua quadrilha!, além de consignas como Eleição é farsa! e Ousar lutar, ousar vencer! Com os rostos cobertos, num gesto simbólico de rebeldia da juventude, os jovens picharam muros e alguns bancos foram atacados com pedras. O ato foi encerrado nas proximidades da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP) que, conjuntamente com a Faculdade de Artes do Paraná (FAP), estão ocupadas pelos estudantes que se mostram dispostos a resistir à reintegração de posse marcada para meados de dezembro.

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Ato bloqueia avenida no centro de Curitiba, PR

Na tarde de 13 de dezembro ocorreu uma manifestação que ocupou as ruas do Centro da capital. Durante o ato, jovens manifestaram sua revolta contra os bancos e a sede de um veículo da imprensa reacionária local.

Rio Grande do Sul

Manifestações bloquearam ruas e avenidas de Porto Alegre em protesto contra a “PEC 55” no dia 13 de dezembro. No início da manhã, estudantes realizaram um ato em frente ao campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fechando a Avenida Bento Gonçalves com uma barricada de pneus em chamas. Em outro ato, estudantes interditaram a Avenida João Pessoa, que liga o Centro à Zona Sul da capital sul-rio-grandense. Também foi registrada uma manifestação em frente à reitoria da UFRGS que bloqueou a Rua Luiz Englert.

No final da tarde, milhares de pessoas tomaram as ruas da capital contra os pacotaços dos gerenciamentos federal e estadual de Temer e Sartori, respectivamente, ambos do PMDB. Durante o ato, inscrições de palavras de ordem foram feitas nos muros do centro da cidade. A Brigada Militar atacou a manifestação com bombas de gás e agências bancárias resultaram com vidraças quebradas. A manifestação reuniu jovens, estudantes e trabalhadores de diversas categorias. Até o fechamento desta edição, os municipários e servidores estaduais de educação já haviam decretado greves contra a precarização, o corte de direitos e o anúncio do parcelamento do 13º salário. Os servidores estaduais também haviam convocado para o dia 16 de dezembro uma paralisação contra as medidas antipovo de Sartori.

Outros estados

Protestos populares também foram registrados nas capitais dos estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo e Mato Grosso no dia 13 de dezembro resultando em bloqueio de avenidas e levantamento de barricadas pelas massas.


PB: Camelôs fazem protesto combativo

Em João Pessoa, camelôs atearam fogo em pneus como forma de protesto contra autoritária apreensão de mercadorias feita pela prefeitura, no dia 3 de dezembro. O ato, ocorrido dois dias após os trabalhadores terem perdido carrinhos apinhados de frutas e verduras que estavam no Mercado Central, ocasionou a interdição por aproximadamente duas horas do cruzamento entre o Parque Solon de Lucena e a Avenida Miguel Couto, importante trecho do Centro.


PA: Barricada contra a falta d’água

A luta do povo por seus direitos tem assumido formas cada vez mais radicalizadas. Em Marabá, a 500 km da capital de Belém do Pará , moradores levantaram uma extensa barricada na BR-222 em protesto contra a falta de água e por saneamento básico no conjunto habitacional onde moram. A via ficou interditada por aproximadamente 10 horas ao longo do dia 5 de dezembro. Com a queima da bomba de energia do reservatório, os moradores passaram 16 dias sem água, situação que afetou a rotina de mais de mil famílias.


RJ: Revolta contra aumento de pedágio

Em Magé, na região da Baixada Fluminense, um ônibus foi incendiado na rodovia Rio-Teresópolis (BR-116), na altura do quilômetro 134 da via, próximo ao bairro Parque Estrela, por manifestantes revoltados com o abusivo aumento das tarifas dos pedágios. A justa revolta popular ocorreu no dia 6 de dezembro.


RN, PB e SC: Servidores da saúde exigem pagamentos

Em Natal (RN), servidores municipais em greve ocuparam, no dia 12 de dezembro, a sede da prefeitura para protestar pelo pagamento dos salários atrasados e do 13º. Em assembleia realizada no dia 6, os trabalhadores da saúde deliberaram pela manutenção da greve que havia sido deflagrada em 16 de novembro.

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Já em Cajazeiras, cidade do sertão da Paraíba (PB), os servidores municipais estão paralisados desde o dia 8 de dezembro. Eles reivindicam o pagamento imediato do salário do mês de novembro e da primeira parcela do 13º para os profissionais da saúde.

Em Criciúma, no sul catarinense (SC), os funcionários do Hospital São José de Criciúma exigiram o pagamento dos salários atrasados em manifestação no dia 6 de dezembro. Eles estão sem receber o vencimento de novembro e o 13º salário. Na capital Florianópolis, trabalhadores do Hospital de Caridade realizaram paralisações diárias de aproximadamente uma hora desde 9 de dezembro. Eles também protestam contra o atraso no pagamento do 13º.

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