Luta pela terra

RO: Ato contra a criminalização da luta pela terra

Com informações do jornal Resistência Camponesa

Na manhã de 10/02, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), a Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo) e a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres (LCP) organizaram um ato público na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaru, contra a criminalização, perseguições, prisões, torturas e assassinatos decorrentes da luta pelo acesso à terra no estado de Rondônia.

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Camponeses da LCP organizam combativa manifestação em Rondônia

A manifestação foi uma resposta das organizações democráticas aos recentes ataques covardes de pistoleiros a soldo do latifúndio em conluio com o velho Estado e a campanha criminalizadora e difamatória do monopólio de imprensa contra os camponeses e os apoiadores de sua luta.

Participaram do ato ativistas da Liga Operária, do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), do Movimento Feminino Popular (MFP), do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de BH e Região (Marreta), da Executiva Estadual de Estudantes de Pedagogia, do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Jaru (STTR) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE).

Também se fizeram presentes advogados de Rondônia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de professores das redes públicas estadual e do município de Jaru, da Unir e do IFRO.

Camponeses dos municípios de Ariquemes, Cabixi, Corumbiara, Espigão D’Oeste, Machadinho D’Oeste, Jaru, Ji-Paraná, Monte Negro, Seringueiras e Vilhena atenderam ao chamado das organizações democráticas e lotaram o auditório.

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Ao longo do ato, lideranças de diversas áreas camponesas denunciaram que o estado de Rondônia – representados nas figuras do gerente estadual Confúcio Moura/PMDB e do comandante-geral da PM, Ênedy Dias de Araújo – apoia e organiza grupos paramilitares para perseguir e assassinar camponeses. “Os verdadeiros chefes da pistolagem são Confúcio Moura e o coronel da PM Ênedy”, disse um camponês em sua fala.

O ato público foi encerrado com uma vigorosa e combativa manifestação, que percorreu as principais ruas do Centro de Jaru, mesmo sob forte chuva. Durante o protesto, os manifestantes, incluindo crianças e idosos, perfilaram com as bandeiras vermelhas da LCP e entoaram altivamente palavras de ordem contra o latifúndio e em defesa da Revolução Agrária. Todo o apoio aos camponeses em luta e a LCP de Rondônia / Contra os crimes do latifúndio e seus bandos armados, estampava a faixa que seguiu à frente da manifestação.

Na nota convocatória do ato, as três entidades organizadoras denunciaram que os ataques contra o movimento camponês, e especialmente contra a LCP, têm como objetivos “criminalizar e demonizar os camponeses e suas organizações para perpetrar massacres como os que vêm ocorrendo nos presídios brasileiros”, “frear as lutas do campesinato de Rondônia”, além de “esconder o maior roubo de terras neste século no Brasil, que está em curso com a tentativa de legalizar documentos de terras públicas griladas por latifundiários e que são em torno de 80% do território de Rondônia. A trama é passar as terras da União para o Estado, que as dividiria entre a quadrilha de latifundiários que controla também os cartórios, fóruns e quartéis da polícia de Rondônia”.

Ataques e assassinatos de camponeses

No dia 29/01, o camponês conhecido como Ceará foi assassinado no Acampamento Bacuri, em Rio Crespo. Segundo os camponeses, o latifundiário Paulo França, pretenso proprietário das terras, dias antes do ocorrido havia invadido o acampamento e ameaçou-os de morte, dizendo que “iria matar uns dez camponeses” para assim removê-los da área.

Antes deste crime, o coordenador da Área Cristiano Rezende já havia tido sua casa incendiada.

O acampamento situa-se em terras públicas pertencentes à União, que deveriam ser destinadas para o assentamento de famílias pelo projeto falido de “reforma agrária” dos consecutivos gerenciamentos de turno que estiveram à frente do velho Estado.

No dia 01/02, Roberto Santos Araújo, de 35 anos, foi assassinado no km 52 da RO-257, sentido Machadinho D’Oeste. O seu corpo apresentava perfurações causadas por disparos de arma de fogo. Roberto integrava a coordenação do Acampamento Terra Nossa, recentemente despejado, que luta pelas terras da fazenda Tucumã, em Cujubim.

Paulo Iwakami, pretenso dono do latifúndio, foi preso em 2016 por ser o mandante das mortes de Alysson Henrique de Sá Lopes e Ruan Lucas Hildebrandt de Aguiar e pela tentativa de outros 3 assassinatos em janeiro de 2016. O latifundiário havia contratado pistoleiros para atacar o acampamento, contando com a participação de 5 PMs de Ariquemes e Cujubim.


MG: 1 ano de retomada celebrado com Corte Popular

Com informações do Jornal Resistência Camponesa

Nos dias 21 e 22 de janeiro, em Pedras de Maria da Cruz (MG), os camponeses da Área Revolucionária Cleomar Rodrigues, organizados pelo Comitê de Defesa da Revolução Agrária (CDRA) e com apoio da LCP, celebraram um ano da retomada das terras da fazenda Pedras de São João com a festa do Corte Popular.

Os dois dias foram repletos de atividades, marcados pela emoção, combatividade, companheirismo e a convicção que só a Revolução Agrária, como parte da Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo, pode dar terra ao campesinato e destruir o latifúndio.

Participaram da celebração a LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia, a Associação dos Camponeses Pobres Unidos com Deus Venceremos, o Comitê de Apoio a Luta pela terra, a Liga Operária, o Cebraspo, o MFP, o MEPR, a Unidade Vermelha - Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR), o Comitê de Solidariedade à Luta dos Povos (CSLP), o Marreta, o Sindicato dos Nutricionistas do Rio de Janeiro e a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FETAEMG).

Na abertura das atividades foi cravado um tronco de aroeira, como marco, ao lado de uma placa com inscrições em honra a Cleomar Rodrigues, na entrada da área, na qual o dirigente da LCP foi assassinado em 22 de outubro de 2014, em uma emboscada de pistoleiros e policiais a serviço de latifundiários.

A colocação do marco de honra foi marcada pela emoção e vibração de todos os presentes, especialmente dos familiares de Cleomar. O Hino “Conquistar a terra” foi cantado com especial vigor, sendo seguido por pronunciamentos, nos quais foram feitos juramentos de se vingar o sangue derramado do dirigente camponês através do avanço da luta por conquistar a terra e destruir o sistema do latifúndio.

No dia 22/01, ocorreu o evento principal, a assembleia de entrega do Certificado de Posse, que foi iniciada com o canto solene de A Internacional. Na celebração, as 62 famílias receberam das mãos do representante do CDRA o Certificado de Posse, sendo um reconhecimento da luta organizada das famílias pela conquista da terra e de seu esforço para defendê-la sob a bandeira vermelha da Revolução Agrária.