Estado genocida promove barbárie no Complexo do Alemão

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No dia 2 de fevereiro, tropas da polícia militar iniciaram uma megaoperação no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, ocupando becos e vielas e erguendo barricadas pelas ruas das 15 favelas do Complexo. Desde 2010, moradores já sofrem com a rotina de desmandos imposta pela Unidade de Polícia “Pacificadora” (UPP) e com os constantes confrontos entre traficantes varejistas de drogas e policiais militares. Os conflitos acontecem a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana e já vitimaram incontáveis moradores nesses sete anos de militarização, incluindo crianças e idosos.

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Retrato da barbárie: cápsulas pelo chão após criminosa ação policial

Dessa vez, a intensificação da presença policial no Complexo tornou ainda mais penosa a rotina das cerca de 250 mil pessoas que vivem na região. Pelas redes sociais e através dos coletivos de imprensa independentes que atuam no local, moradores denunciam torturas, assassinatos, agressões e vários outros tipos de abusos cometidos por PMs contra a população. Em cinco dias de operações permanentes na área, policiais usaram sacos de areia para bloquear os acessos aos becos e vielas nas localidades Areal e Nova Brasília, inviabilizando a circulação de moradores.

Nesses cinco dias, os tiroteios tornaram-se diuturnos, amedrontando moradores que estão, desde então, impossibilitados de irem trabalhar e levarem seus filhos às creches e escolas, que fecharam as portas por conta dos confrontos. Imagens e áudios divulgados pelo Coletivo Papo Reto — grupo de mídia independente que atua nos Complexos do Alemão e Penha — chocaram as redes sociais, lembrando um verdadeiro cenário de guerra — casas repletas de buracos de bala, imensas barricadas erguidas pelos becos, manchas de sangue, cápsulas de balas de armas de grosso calibre, marcações no chão e paredes delimitando os locais de confronto, ruas vazias e sons de disparos de fuzil que podem ser ouvidos 24 horas por dia.

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Morador baleado

— Há 5 dias, o Complexo do Alemão está em guerra. Há 5 dias as pessoas estão com medo de ir só ali na padaria. Há 5 dias que as aulas nas escolas da comunidade foram adiadas, por início de uma operação repentina. Há 5 dias que os moradores têm como despertador tiros de metralhadora. Há 5 dias que os moradores têm que passar o dia no chão, com medo de uma bala perdida. Há 5 dias que as ruas parecem cenário de guerra, com paredes das casas metralhadas e o chão coberto de sinais avisando que ali muitas balas sem destino foram lançadas. E há 6 anos que viver numa favela ‘despacificada’ começou a parecer uma missão impossível. Servir e proteger a quem? — publicou uma moradora que preferiu não se identificar nas redes sociais.

Os moradores que têm a sorte de não serem alvejados ao arriscarem deixar suas casas, muitas vezes são abordados por policiais, torturados e humilhados nas barreiras erguidas pelas tropas do velho Estado nos acessos ao Complexo. São inúmeros os relatos de pessoas que foram agredidas, ameaçadas e até torturadas com facadas por PMs nas ruas que levam ao alto da Serra da Misericórdia. Como se não fosse o bastante, policiais também estariam invadindo casas, expulsando moradores, destruindo veículos e saqueando o comércio.

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