Notas América Latina

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Equador: Crise política atiça boicote eleitoral

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“Não votar! Boicotar as eleições!”

No dia 2 de março foi levado a cabo no Equador o primeiro turno da farsa eleitoral para realocar no cargo de “presidente” um novo representante da grande burguesia e do latifúndio serviçais do imperialismo. Todo o processo eleitoral, no entanto, ocorre em meio a um purulento ambiente político que escancara a divisão no seio da grande burguesia local.

O “presidente” em retirada do velho Estado equatoriano, o fascista Rafael Correa (do Alianza País), foi acusado pelos diretores da Odebrecht – no marco da operação “Lava Jato”, no Brasil – de receber US$ 33,5 milhões em propina desde 2007. A empresa realizou importantes obras públicas durante seu gerenciamento, como parte do metrô da capital Quito e a hidrelétrica San Francisco.

Conforme especificou claramente o Partido Comunista do Equador – Sol Vermelho (PCE-SV) em documento emitido em fevereiro de 2017 intitulado Não Votar! Boicotar as Eleições!, “as contradições interburguesas expostas na atual campanha estão marcadas pelas mútuas acusações de corrupção apresentadas no manejo de concessões petroleiras (Petroecuador), e desde então, toda a podridão que gira em torno da construtora Odebrecht, que salpica a uns e outros”.

O partido Alianza País, representando os interesses da fração burocrática da grande burguesia, lançou a candidatura do reacionário Lenin Moreno, que enfrentará Guillermo Lasso (banqueiro, representante da fração compradora da grande burguesia) no segundo turno.

Boicote eleitoral consciente e organizado

O Partido Comunista do Equador – Sol Vermelho e a Frente de Defesa da Luta do Povo – Equador fizeram importantes convocações às massas básicas do país para ampliar o boicote às eleições reacionárias ante tamanha desmoralização pública. Os comunicados podem ser encontrados na internet.

No mesmo comunicado já citado do PCE-SV, se estabelece como tarefa boicotar a farsa das eleições para “desmascarar o caráter de classe que têm as eleições, de como estas servem para vivificar a velha democracia burguesa-latifundiária”. E segue: “Deve-se entender que essa velha ordem social existente que oprime as massas jamais poderá ser demolida pelo voto, pela urna, com medidas suaves e evasivas ou governos reformistas; que para fazê-lo, o povo com direção proletária deve, necessária e inevitavelmente, fazer sua guerra, que é a guerra popular”.

O comunicado conclui afirmando: “Hoje devemos lutar por combater o processo eleitoral” servindo à “construção simultânea e concêntrica dos três instrumentos para a revolução: Partido, Frente e Exército Popular”.


Paraguai: Luta armada rechaça capitulação

Reproduzimos a seguir um resumo do comunicado emitido pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP) neste 25 de janeiro, rechaçando a onda capitulacionista capitaneada pela direção oportunista das Farc e reforçando a necessidade histórica da luta armada.

Não somos terroristas, não somos criminosos. Somos filhos do povo pobre. O EPP é o povo armado e uniformizado que levanta sua voz pelo que sofre, pelo que não há nenhuma razão que o condena a viver com fome.

Seus combatentes mais veteranos [da repressão] já não querem ir às zonas guerrilheiras. Hoje enviam seus recrutas mais jovens, quase meninos. Cada passo que dão, levam consigo o perigo. A cada dia estamos mais aclimatados à guerra e nos acostumamos a viver com o que o povo em luta nos oferece generosamente. Já somos veteranos de cem batalhas e estamos para muitas mais. Nossos meninos não pronunciam como primeira palavra “mamãe”, mas “Viva o EPP!”.

Em nossa luta guerrilheira é questão de vida ou morte não oferecer alvos ao inimigo. Só completos cretinos podem julgar as táticas guerrilheiras com critérios convencionais. A própria essência da luta guerrilheira é fazer-se invisível, não dar batalhas campais nem frontais. Quando atacamos suas partes débeis, gritam: “Covardes, covardes!”. Não é covardia, senhores. É tática guerrilheira.

Quando o povo pobre pede pão, terra, salário justo e educação, os ricos nunca escutam, mas se preocupam e pedem paz quando há guerrilha. Não há paz quando as tripas gritam. Não há paz quando não há salário digno. De fato, nem quando não há terra para cultivar. Sem justiça social não haverá paz. Que fique claro aos esfomeadores do povo. Que a paz será para todos ou para ninguém.

Aos juízes, fiscais, carcereiros e diretores das prisões, advertimos que são os responsáveis pela integridade física de nossos camaradas prisioneiros. Por todos os abusos e atropelos cometidos contra nossos companheiros e companheiras prisioneiros políticos, mais cedo que tarde, a justiça revolucionária cairá sobre vocês com todo seu peso. Nem o cargo que ocupam, nem a temporária proteção do governo lhes brindará ante as forças guerrilheiras.

Viva nossos queridos camaradas caídos em combate!

Viva a luta do povo pobre!

Viva o EPP!