Vivendo o cotidiano do povo

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Ator carioca que já viveu personagens de cunho social, próximos da sua própria realidade, Alexandre Rosa Moreno teve sua origem no teatro, e se destacou também no cinema e TV. Vencedor do prêmio Cesgranrio de Melhor Ator, pela atuação na peça A cuíca do Laurindo, Alexandre vive uma história que faz parte do cotidiano do povo carioca das favelas.

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— Sou filho do subúrbio e da Zona Oeste do Rio, nasci em Madureira e fui criado em Guadalupe. Aos 13 anos fui morar em Jacarepaguá, onde vivo até hoje. Meu primeiro contato de fato com a arte foi em 1984, quando tinha 15 anos de idade, através do pai de uma amiga de colégio. Ele me convidou para fazer figuração no filme ‘Águia na Cabeça’, do cineasta Paulo Tiago – conta Alexandre Moreno.

— O contato foi também, nesse mesmo período, através da professora de história Marli Gama, de uma escola municipal onde eu estudava, e encantado com o mundo mágico do teatro, aos 16 anos resolvi estudar no Tablado e nunca mais deixei os palcos. Minhas principais influências foram Marli Gama, Sérgio Thelency e meus professores do teatro Tablado, que sempre acreditaram em mim – continua.

Ele teve também um intenso contato com a música, que hoje ajuda a completá-lo na profissão de ator.

— Acredito que o despertar da musicalidade se deu através de meu pai, que tocava violão quase todos os dias em casa para gente ouvir. Mas esse despertar também se deu com o grave das caixas de som da equipe Black Music, dos meus tios e com o encantamento dos atabaques dos terreiros de candomblé que frequentei com meus avós – fala.

— Tive algumas bandas na juventude, cantei em alguns eventos musicais e teatrais. Componho e canto, também toco alguns instrumentos de percussão e tenho dois discos gravados com a banda Comboio23 – continua.

Alexandre já participou de muitos trabalhos, entre eles está o filme de cunho social Uma Onda no Ar, filme inspirado na história real dos jovens que montaram a Rádio Favela, uma rádio comunitária na favela Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte (MG), e que trata da realidade de um povo brasileiro oprimido.

— Foi uma experiência maravilhosa em todos os sentidos esse filme. Primeiramente foi o fato de estar contando a história de uma comunidade pobre de Belo Horizonte, que se organizou, através da comunicação do rádio, contra a violência e o descaso de um Estado autoritário, no finalzinho da ditadura militar – relata.

— O filme mostrou com isso que através da união e da resistência podemos transformar nossa realidade. É muito importante e necessário um filme como Uma Onda no Ar, porque a arte pode ter um papel fundamental como resistência e consciência para a visibilidade das questões sociais e políticas. É através desse tipo de filme que o povo se reconhece e se vê representado como sujeito de sua história – defende.

— Nunca vivi diretamente em uma comunidade, mas vivo num bairro cercado delas, onde transito e tenho alguns amigos e conhecidos. E já tive contato com rádio comunitária, sendo programador e locutor de uma em Jacarepaguá, isso aos 17 anos de idade – recorda.

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