RJ: Protestos contra o genocídio policial nas favelas

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Morador baleado na CDD

No dia 23 de março, moradores da Cidade de Deus (CDD), na Zona Oeste do Rio, realizaram um protesto contra uma operação policial que feriu quatro pessoas. Uma barricada em chamas, formada por lixo e outros objetos, bloqueou os dois sentidos da Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes, importante via da região. Testemunhas afirmaram que, por volta de 10h, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil invadiram a favela e começaram a atirar sem motivos.

Os feridos foram encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da CDD e, em seguida, transferidos para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, onde passaram por cirurgias. Foram baleados Leonardo Pereira da Silva, Marcos Vinícius Pereira da Silva e a doméstica Andréia Pereira da Silva, que levou dois tiros nas pernas. Além deles, também foi atingido o aposentado Hermes Mathias da Silva, de 70 anos, que faleceu no dia seguinte.

— Queria ver se uma mãe fosse baleada no Leblon ou em qualquer outro bairro nobre do Rio de Janeiro. Pode ter certeza que a notícia estaria na capa de todos os jornais no dia seguinte. Mas como foi uma mãe favelada, ninguém está nem sabendo do que aconteceu aqui. No início do ano, já tivemos uma chacina, agora as operações estão acontecendo diariamente e nós não temos mais sossego. Fico pensando se um dia isso vai acabar — relatou uma moradora ao AND que preferiu não se identificar.

Três dias antes, 20 de março, moradores do Morro da Coroa, no Catumbi, Zona Norte, também realizaram uma manifestação contra a morte de duas pessoas durante uma operação da Polícia Militar. Eles queimaram pneus, no início da tarde, para bloquear os dois sentidos do Túnel Santa Bárbara. As vítimas, identificadas como Matheus Lisbano, de 19 anos, e Samuel dos Santos, de 21, eram trabalhadores conhecidos por muitos moradores da favela. De acordo com os manifestantes, Matheus e Samuel foram torturados antes de serem mortos pelos policiais militares.

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Protesto após assassinato de Manuel Faustino, em Acari

Já na noite do dia 8 de março, dois moradores do Morro Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul, caminhavam pela favela quando foram abordados por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Segundo relatos de moradores, os PMs agrediram os jovens com coronhadas, chutes e tapas no rosto. Revoltada, a população protestou contra a ação violenta dos policiais, que responderam com spray de pimenta e bombas de efeito moral.

Os moradores do Santa Marta, há nove anos acossados pela presença das forças de repressão na favela, responderam prontamente com uma chuva de pedras, paus e garrafas. A rebelião popular contra a UPP durou cerca de duas horas e deixou duas pessoas e um policial feridos. Entrevistado pela reportagem de AND, Alexandre Isidoro, de 41 anos, comerciante que mora no Santa Marta, comentou como ficou a favela após a operação da Polícia Militar:

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