Bombardeios e matanças sobre a Síria

Rufam os tambores da terceira guerra mundial

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No dia 6 de abril de 2017, o arquirreacionário presidente ianque Donald Trump cometeu mais um crime contra as nações oprimidas. Sob suas ordens, mais de 60 bombas foram lançadas contra o território sírio, anunciando que o USA não pretende sair deste conflito sem o seu quinhão, crime que se junta às dezenas de bombardeios ianques que agridem a Síria desde setembro de 2014, sob o mantra de “guerra ao Estado Islâmico”. O diferencial foi que este ataque visou a base aérea de Shayrat, que serve como ponto para a atuação da Rússia, por meio de seu lacaio Bashar al-Assad.

Os 60 mísseis Tomahawk foram criminosamente lançados de um porta-aviões ianque, estacionado no Mar Mediterrâneo. O ataque matou 9 civis, dentre eles 4 crianças, e 7 militares sírios, além de causar a destruição de casas em povoados da província de Homs e de danificar a base aérea do exército sírio.

O bombardeio foi apresentado pelo imperialismo ianque sob o pretexto de “punir” Assad por um ataque com armas químicas que supostamente teria sido realizado pelo exército semicolonial sírio contra a região de Khan Sheikhun, controlada por mercenários pró-ianques, em que morreram 100 pessoas, entre as quais 15 crianças.

Segundo as agências imperialistas, com tal ataque, gases tóxicos foram liberados no ar. Os russos e Assad alegam terem bombardeado o arsenal de armas químicas dos mercenários, enquanto os ianques acusam Assad de realizar ataque químico deliberado. Daí se desenvolve uma nova etapa da guerra de agressão e pugna interimperialista.

O porquê do ataque e o que pretendem os ianques

Este ataque direto dos ianques na verdade é mais uma agressão a uma nação oprimida e é, portanto, mais um crime imperialista. Ao mesmo tempo, é um ataque direto às forças vivas que servem ao imperialismo russo (isto é, o exército semicolonial sírio) e é também expressão da disputa entre as superpotências por controlar a Síria.

A hipocrisia no pretexto ianque reside no fato de eles serem os maiores especialistas em utilizar armas de destruição em massa para praticar os mais condenáveis crimes ao redor do mundo contra os povos em luta. Na guerra contra o Iraque, desatada em 2003, por exemplo, bombas de racimo, fósforo branco, urânio empobrecido e um novo tipo de napalm foram habitualmente utilizadas em áreas urbanas densamente habitadas para esmagar a resistência nacional e controlar o país.

O real motivo para tal ataque direto é outro. Donald Trump, pressionado pelo dividido establishment ianque, não pôde deixar de realizá-lo, dado seus fracassos políticos na região. O setor do establishment que Obama representava, por exemplo, sustentava que era preciso enfraquecer ao máximo Assad, intervindo por meio da “oposição” mercenária (o fazem desde 2011), para assim dividir a Síria em várias zonas de influência e, somente depois, intervir com botas próprias no país e estabelecer um governo lacaio.

Já Trump indicou, a princípio, a política de conluiar com os russos (e com Assad, serviçal russo) para centrar fogo principalmente no Estado Islâmico e na resistência nacional, dadas as derrotas militares sofridas pela “oposição” mercenária. Mas, uma vez aplicada por pouco menos de dois meses, essa política já deu frutos podres. Conforme o ISIS e a resistência nacional foram sendo expulsas pela ação genocida das duas superpotências imperialistas em cooperação, quem ocupou-os foram os lacaios dos russos — que, por sua vez, seguiram atacando os mercenários pró-ianques, impedindo-os de ocupar as regiões vagas.

Portanto, a situação dos ianques no campo de batalha na Síria é débil. Os mercenários pró-ianques seguem principalmente cercados em Aleppo e em Homs, e isolados nos povoados periféricos a Damasco (fronteira com a Jordânia). Os curdos, que ocupam grande faixa do norte do país a partir da fronteira com a Turquia e são financiados/armados pelos ianques para combater o ISIS e a resistência nacional, são, agora, as únicas forças significativas que manejam o USA na Síria, mas não são absolutamente confiáveis por não serem diretamente controlados (são usados como carne de canhão sob a promessa de serem recompensados com o controle da região). Neste jogo ainda soma-se a Turquia que, sob o pretexto de “combate ao terrorismo curdo”, também expande sua atuação na fronteira com a Síria e é uma força instável entre a disputa interimperialista.

Em síntese, na guerra por dominar a nação oprimida Síria, o USA está perdendo para a Rússia, e ambas duramente golpeadas pela resistência nacional. Daí a necessidade de Trump dar uma resposta e sinalização, principalmente para o establishment ianque, de que a pugna por retomar posições será prontamente incrementada e as derrotas serão amenizadas com uma maior ação militar genocida contra a nação síria.

Aponta também como uma ameaça e início da campanha de agressão a outras semicolônias que são almejadas pelos ianques, principalmente a Coreia do Norte.

O papel que cumprem Assad e Rússia

O maior dos crimes de Assad é sua política capitulacionista, lesa-pátria e pró-imperialista. Isso se expressa na sua postura frente à agressão imperialista, à matança das massas sírias perpetradas pelo USA e pela Rússia, esta última na qual ele toma parte.

No geral, Assad aplica a política do “tudo pelo meu governo” e coloca-se como peão do imperialismo russo no tabuleiro de xadrez da pugna interimperialista pela nova partilha em curso no mundo. Além disso, ataca as massas que resistem de forma armada contra a agressão ianque em Al-Raqqa, Palmira e outras regiões.

Como oposição aos ianques, emprega a política de subjugação nacional e entrega setores estratégicos do território sírio a Rússia, convertendo a Síria num teatro de uma disputa entre duas superpotências imperialistas pelo controle territorial-militar, político e econômico de uma semicolônia localizada numa região estratégica do mundo, tudo pela divisão deste país.

Entregar o país ao controle direto do imperialismo russo não assegura a segurança nacional contra a intervenção ianque, como propagandeiam os capitulacionistas tipo Assad, pois as relações de Rússia e USA são de pugna e conluio, nas quais a Rússia agudiza a contradição para negociar, fazendo concessões quando entra em jogo um acordo que lhe assegure sua parte no butim.

 Exemplo se vê em 2013, quando a Rússia selou acordo com o USA no qual, para haver uma trégua no avanço dos lacaios ianques, acordou o desarmamento da Síria e do seu arsenal de armas químicas. Ali se vê a clara condição de Assad de submissão ao bastão de mando do imperialismo russo como forma de sobrevivência de seu regime burocrático. Frente à agressão imperialista Assad nunca decidiu por unir-se ao povo sírio contra todos imperialistas e pela verdadeira libertação nacional.

 Ante a situação, quem estão encarregadas de manter desfraldada e pujante a bandeira da resistência nacional são as massas mais profundas do povo sírio, os filhos da nação síria, que pese os problemas de direção, estão com armas em punho e vertendo seu generoso sangue, combatendo a guerra e intervenções imperialistas, principalmente dos ianques e russos e expulsando seus lacaios, sem vender a Síria a uma das bandas em pugna.