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Brexit: Tensão paira sobre os céus imperialistas

Jailson de Souza

Em 29 de março, representantes do Reino Unido apresentaram ao parlamento da União Europeia o pedido oficial de saída – o Brexit – e iniciou-se o processo de negociações dos termos do rompimento, que só se efetivará concretamente daqui a dois anos.

Logo na ocasião da apresentação, o plenário se converteu num antro de acusações e baixaria que representam, em palavras, a encarniçada pugna política e econômica entre as potências imperialistas da região.

O representante do imperialismo inglês no parlamento europeu, Nigel Farage, foi à ofensiva nas declarações, buscando pressionar para conseguir melhores posições para negociar a saída do bloco. “Estão agindo [a UE] como a máfia. Acham que somos reféns, mas não somos. Somos livres para ir embora”, disse ante os “eurodeputados” que debatiam em Estrasburgo (noroeste da França) as contrapartidas para o rompimento.

O italiano Antonio Tajani, presidente do dito parlamento, aos berros de protesto dos presentes, declarou ser “inaceitável” a afirmação de Farage.

Implicações na ‘geopolítica’

O Brexit é o rompimento do Reino Unido com o projeto da União Europeia, que está sob direção política da Alemanha (hegemonia financeira por meio dos bancos) e, portanto, servindo aos seus interesses por ampliar sua influência e disputar a hegemonia mundial com o imperialismo ianque.

O processo de rompimento é complexo, pois envolvem centenas de tratados internacionais do Reino Unido com os 27 países-membros que somados dão mais de 80 mil páginas de acordos.

Para entender as implicações do Brexit é preciso conceber a União Europeia partindo do estabelecido pelo Presidente Gonzalo: é uma aliança transitória entre imperialistas, na qual os interessados aglutinam temporariamente forças para disputar a hegemonia mundial com a superpotência hegemônica única USA e, quando um determinado país imperialista vê suas possibilidades ameaçadas por estar se submetendo irreversivelmente à direção de outra nação no bloco, logo se levanta a necessidade de romper com o próprio. Essa é a situação do imperialismo inglês e que ecoa em outros países.

Portanto, o rompimento é sinal do enfraquecimento da própria condição do imperialismo inglês — que está debilitado e sairá ainda mais devastado das mesas de negociações —, mas também significa uma instabilidade imediata da União Europeia sob a direção alemã, ademais da constante ameaça de outros rompimentos. Tudo também como expressão da profunda pugna existente entre as nações imperialistas como parte de seu afundamento.

Isso foi sistematizado pela Associação de Nova Democracia Nuevo Peru (Hamburgo, Alemanha) em documento publicado em março de 2017: “Os imperialistas ingleses atuam conjuntamente com os ianques contra a União Europeia, isto é, contra quem a encabeça, a Alemanha. Por isso, dizemos: hoje a ameaça mais próxima, no campo econômico, se constitui na Alemanha, que tem hegemonia no cartel imperialista da União Europeia e que está, portanto, na capacidade econômica e tecnológica de converter isso em poder militar e altamente desenvolvido”.

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