De volta para o sertão

A gravação de Asa Branca*, um dos maiores clássicos de todos os tempos da música popular brasileira, completou 70 anos em março de 2017. A toada, que tem versões em dezenas de idiomas, inclusive em japonês e coreano, foi imortalizada na voz de Luiz Gonzaga e expressa de forma magnífica as agruras do povo sertanejo e também as veias abertas da semifeudalidade no Brasil.

No final da década de 40 do século passado, no Rio de Janeiro, então capital da República, foram escritas algumas letras de músicas que desencadeariam a febre do baião Brasil afora, entre as mais conhecidas: No Meu Pé de Serra, Juazeiro e Aza Branca (assim, com “z”, na época). No início do ano de 1947, o advogado cearense Humberto Teixeira e o sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga se conheceram na agitada vida cultural da cidade. No dia 3 de março do mesmo ano é composta em parceria a canção Asa Branca, considerada o hino do Nordeste.

Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, faz jus à sua alcunha. O pernambucano, natural do município de Exu, migrou ainda jovem do Nordeste para o Sudeste, no Rio de Janeiro, onde construiu sua carreira artística mostrando a todo o povo brasileiro a cadência do ritmo nordestino. A canção Asa Branca foi certamente fruto da bagagem que os dois, ele e Humberto Teixeira, levaram consigo para o Rio.

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