Invasão de residências é modus operandi da PM

“Eles arrebentaram o portão , invadiram a casa e estão lá até agora”. “Numa casa mora um casal de idosos”. “Ela saiu mais o senhor permanece lá com eles por medo de perder seu único bem”. “Faz uns dois meses que eles ocupam as casas”.  Essas são denúncias de moradores da grave situação que acontece no Complexo do Alemão, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

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Crianças crescem reféns da violência do velho Estado

Essa é a dura e absurda realidade vivida por moradores do Complexo do Alemão que estão tendo suas casas invadidas e ocupadas pela PM sem nenhum mandado. Simplesmente porque querem estar num lugar estratégico dentro da favela para manterem viva a falácia da “guerra às drogas”.

A equipe de AND esteve dentro da favela do Complexo do Alemão para conferir a realidade absurda que moradores estão vivenciando. Há cerca de dois meses na área conhecida como praça do Samba, onde haviam eventos e festas e, por isso leva este nome, atualmente deveria se chamar praça de guerra, pois é essa a realidade do lugar. Os moradores, além da violência sofrida com balas dentro de suas casas, recebidas pelas incursões policiais — as imagens registradas dão uma dimensão dessas covardes agressões —, agora vivem com um novo e revoltante fato. Alguns têm suas casas invadidas e ocupadas pela polícia.

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Muros crivados de balas: as marcas da guerra civil reacionária em curso

As casas invadidas estão em lugares estratégicos e esse é o pretexto usado pelos aparatos de repressão do velho Estado. E, não bastasse o absurdo crime de violação de domicílios contra os moradores, ação por si só arbitrária, a ilegalidade da PM fica flagrante no fato de não haver nem ao menos qualquer espécie de mandado judicial emitido para tal finalidade. E, mesmo que houvesse seria um absurdo inaceitável colocar moradores reféns em sua própria casa, a mercê de tiros dessa guerra que sustenta desejos políticos e financeiros do velho Estado e seus lacaios.

Apesar das inúmeras denúncias de moradores, registros de diversas entidades e também feitos por nossa equipe, a Unidade de Polícia “Pacificadora” (UPP) de Nova Brasília, questionada a este respeito, garantiu que a “informação não procede”. Em nota, a Coordenadoria da UPP informou ainda ao monopólio de imprensa que policiais da unidade “estão ocupando algumas casas abandonadas próximas ao local onde está sendo finalizada a construção de uma base”.

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Muros crivados de balas: as marcas da guerra civil reacionária em curso

Até o momento, visitas de representantes da Defensoria Pública estadual, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ), da Ordem de Advogados do Brasil no Rio (OAB-RJ) e da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio já constataram as invasões. E, enquanto isso, moradores estão sendo expulsos de seus lares pelas invasões policiais.

Essa é a realidade da política do velho Estado que nega os mais básicos direitos ao povo, principalmente em se tratando das massas profundas do proletariado. Situação essa que deixa evidente a falácia do “Estado Democrático de Direito”, que ilude o povo com promessas de segurança, paz, saúde e educação por meio do famigerado e genocida projeto das UPPs, para continuar servindo aos seus interesses políticos e financeiros com a falida política de “guerra às drogas”.