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Chacinas em São Paulo

A noite de 4 de abril e a madrugada de 5 de abril foram marcadas por duas chacinas que deixaram pelo menos 10 mortos no Jaçanã, na Zona Norte, e no Campo Limpo, Zona Sul da cidade de São Paulo.

Sete pessoas foram assassinadas em um bar situado na Rua Antônio Sérgio de Matos, no Jaçanã, no fim da noite. Seis morreram no local e um homem chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O fato ocorreu no Conjunto Habitacional Jova Rural, que tem uma base da Polícia Militar instalada a poucos metros do bar onde os crimes foram realizados. Testemunhas afirmaram que os assassinos chegaram no local em um carro e uma moto, realizaram o ataque e depois fugiram em alta velocidade.

Já em Campo Limpo, dois homens em uma moto atiraram contra duas pessoas, que estavam em outra moto. Uma morreu no local e a outra sobreviveu sem ferimentos. Numa região próxima, os mesmos homens dispararam contra outros dois condutores de veículos, segundo a versão veiculada pelo monopólio de imprensa.

No dia 11 de abril, quatro pessoas foram assassinadas durante a madrugada em Osasco, na Grande São Paulo. Os suspeitos estavam em um carro e passaram atirando contra um grupo de amigos que estavam tomando vinho, sentados em uma calçada, no Jardim Conceição.

O pai de um dos mortos declarou que acordou com o barulho de tiros.

Como denunciam entidades que combatem a criminalização da pobreza, crimes com essas características rotineiramente são cometidos por grupos de extermínio formados por policiais militares que atuam na capital e região metropolitana de São Paulo.

Estes crimes brutais, apesar de ainda não determinados seus autores, fazem parte da situação de guerra civil reacionária impulsionada pelas classes dominantes contra o povo.

Até o fechamento desta edição, não havia provas de que as chacinas, ocorridas em locais distantes, tenham ligação.


MG e PE: Protestos bloqueiam rodovias

Na manhã de 10 de abril, moradores do município de Belo Oriente, no interior de Minas Gerais, bloquearam a BR-381 em manifestação contra a falta de emprego na região. Carregando faixas e cartazes, a população contestou o fato de a empresa Celulose Nipo Brasileira (Cenibra) não priorizar contratar pessoas que moram na localidade. Além disso, os manifestantes reivindicaram a construção de uma agência bancária no distrito de Cachoeira Escura, pois a falta de uma dificulta a vida dos moradores.

Pelos rincões de todo o Brasil tem aumentado a insatisfação popular contra a falta de emprego, que na gerência Temer/PMDB tem atingido altos índices.

No dia 2 de abril, os moradores do distrito de Pedra do Sino, em Carandaí, no Campo das Vertentes, também em Minas, voltaram a bloquear a BR-040 incendiando uma barricada com pneus e galhos. Eles exigiam o início da obra na rodovia onde frequentemente ocorrem acidentes, como o de uma idosa de 79 anos em março. O bloqueio durou mais de seis horas.

Já no dia 12 de abril, moradores do município de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, bloquearam a BR-423. Eles incendiaram uma barricada de pneus durante o protesto que exigiu a construção de lombadas eletrônicas para evitar acidentes.


PE: Morre jovem baleado em manifestação

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Edvaldo recebeu tiro a queima roupa durante protesto

Na madrugada de 11 de abril, morreu, no Hospital Miguel Arraes, município de Paulista (PE), o jovem Edvaldo da Silva Alves, alvejado por bala de borracha pela Polícia Militar durante uma manifestação realizada em 17 de março pela população de Itambé, na Zona da Mata. O fato absurdo foi denunciado pelo AND em sua última edição (nº 186) e, infelizmente, depois de quase um mês internado, o rapaz faleceu.

Edvaldo foi baleado covardemente próximo à virilha e, ensanguentado, foi arrastado pelo chão. Os PMs ainda o agrediram com socos no rosto e o jogaram na parte de trás de uma viatura.

O gerenciamento estadual de Paulo Câmara/PSB enviou uma nota hipócrita “lamentando” o falecimento de Edvaldo e se “solidarizando” com os familiares. Cínico, pois, ao mesmo tempo que “lamenta” o fato devido à grande repercussão que obteve na opinião pública, continua ordenando a repressão policial nas periferias e bairros pobres de Pernambuco. Os policiais envolvidos foram afastados das ruas, mas continuam exercendo atividades internas, escancarando a impunidade.