Chacina em Colniza (MT): 9 camponeses assassinados

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Temer amplia genocídio no campo

No dia 19/04, em Colniza (MT), 9 trabalhadores foram barbaramente assassinados por pistoleiros a serviço de latifundiários e madeireiros locais.

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Camponês barbaramente assassinado por pistoleiros

O crime odioso ocorreu na Gleba Taquaruçu do Norte, no distrito de Guariba, parte rural de Colniza. No local vivem cerca de 120 famílias de posseiros, distribuídas em uma área de 20 mil hectares.

No ataque, os pistoleiros, fortemente armados e encapuzados, invadiram o assentamento e, de barraco em barraco, executaram as pessoas que ali se encontravam, já que todos os homens assassinados estavam em suas moradias.

Os corpos dos 9 trabalhadores apresentavam sinais de tortura. Alguns dos corpos foram amarrados, outros decapitados, além de apresentarem marcas de enxadadas, facadas e disparos de arma de fogo calibre 12. Pelo menos 2 camponeses foram assassinados a golpes de facão.

Dos camponeses assassinados, Fábio dos Santos (37), Ezequias de Oliveira (26), Edson Antunes (32), Aldo Carlini (50), Samuel da Cunha (23) e  Francisco da Silva (56) trabalhavam em Taquaruçu do Norte como diaristas. Com exceção de Fábio dos Santos, que não tinha terras, os outros trabalhadores possuíam lotes em outras áreas.

Na região de Colniza – assim como em outras regiões do país –  latifundiários comandam um grupo de pistolagem, fortemente armado, com o intuito de expulsar os posseiros e pequenos proprietários de suas terras. Esse grupo de extermínio seria responsável por uma série de ataques ocorridos nos últimos anos.

Em nota, a Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) denunciou a conivência do velho Estado com os latifundiários: “Tudo isso é de conhecimento do velho Estado, inclusive através de denúncias, ocorrências e processos judiciais”.

A Comissão Nacional da LCP na nota se solidarizou com as famílias e repudiou o bárbaro crime: “Nos solidarizamos com as famílias dos camponeses assassinados, e com as famílias que têm bravamente resistido nessa região. Repudiamos com veemência esse odioso crime do latifúndio”. A nota denuncia ainda o histórico de assassinatos do latifúndio na região afirmando que “Essa não é a primeira vez que pistoleiros a serviço do latifúndio cometem crimes contra os camponeses nessa região”, e segue relatando uma série de crimes, ataques, sequestros, torturas, expulsão de famílias e assassinatos nos últimos anos.

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A nota também mostra a conivência do monopólio de imprensa com os crimes contra o povo: “Ao contrário da podre e cínica publicidade do monopólio rede globo, que busca embelezar e enaltecer o latifúndio, com o ‘agro é pop, agro é tech’ etc., o sistema latifundiário real e verdadeiro é isso: atrasado, semifeudal, ladrão de terra, criminoso, torturador e assassino de camponeses”.

E conclui conclamando o povo à luta: “Mais que nunca é necessário abandonar as ilusões com esse velho e apodrecido Estado serviçal do latifúndio e do imperialismo! Não devemos esperar, devemos e podemos acabar com eles! E por mais difícil e prolongado que seja, o único caminho para verdadeiras transformações é de uma grande Revolução, é disso que o Brasil precisa! E essa Revolução começa com a Revolução Agrária para varrer e destruir de vez o latifúndio, entregando as terras aos camponeses pobres, e iniciando um caminho de transformações onde o povo poderá viver e trabalhar com dignidade, conquistar a verdadeira justiça e todos seus direitos e aspirações. [...] O sangue dos companheiros de Colniza e tantos outros não terá sido em vão, só faz aumentar nosso ódio e disposição de luta! O povo saberá no decorrer da sua luta vingar todos seus heróis, e todos os crimes cometidos contra o povo serão devidamente cobrados”.

Em outra nota, a Comissão Nacional da LCP frisa que o chefe dos pistoleiros responsáveis pelos assassinatos em Colniza é Moisés Ferreira de Souza, sargento da PM em Rondônia, que foi um dos responsáveis pela morte dos jovens camponeses Ruan Hildebran Aguiar, de 18 anos, e Alysson Henrique Lopes, 23, em Cujubim, em 2016 (ver AND nº 165). Outros 2 pistoleiros também são de Rondônia.

A entidade denuncia a existência de um “modus operandi”, no qual pistoleiros e policiais, quando presos, têm as suas fugas facilitadas. No dia 3 de fevereiro de 2016, na fazenda Tucumã, em Cujubim, a PM deteve 4 pistoleiros e apreendeu um arsenal de guerra. Na ocasião, Moisés de Souza teve a sua fuga facilitada por policiais do 7º BPM.

Além disso, no documento, a Comissão Nacional da LCP ressalta que “os massacres de camponeses e indígenas não são fatos isolados”, mas sim “política de Estado”.

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