RJ: Cabine blindada incrementa genocídio no Alemão

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No dia 25 de abril deste ano, moradores do Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, fizeram um protesto contra o assassinato de Paulo Henrique de Oliveira, menino de 13 anos que foi atingido, no dia anterior, por um tiro na barriga dentro de casa, na localidade conhecida como Chuveirinho, na favela da Grota. O adolescente chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, mas não resistiu.

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Paulo Henrique é mais uma vítima da criminosa política do velho Estado que promove chacina do povo pobre nas comunidades e periferias do Rio de Janeiro e em todo país.

Sob a falácia da “guerras às drogas”, utilizada como cortina de fumaça para a opinião pública, o velho Estado promove o genocídio do povo pobre. Além de Paulo, pelo menos dez pessoas já foram assassinadas desde o dia 20 de abril, data em que a Polícia Militar (PM) começou a instalar uma cabine blindada no Largo do Samba, no Complexo do Alemão.

Exatamente no dia da instalação da cabine, 25 de abril, Paulo não resistiu aos ferimentos e sua vida cessou. Paulo foi assassinado! Moradores do Complexo protestaram tomando as ruas da comunidade. O que se viu foi uma comunidade revoltada contra toda a política de extermínio do velho Estado. As ruas na favela da Grota ficaram lotadas pelas massas que, levando panos brancos, exigiam justiça aos assassinatos de seus familiares, amigos e vizinhos vitimados para a construção da funesta cabine.

O assassinato diário dos filhos do povo no Complexo do Alemão mostra, de maneira concentrada, a perversa realidade enfrentada por moradores de tantas outras comunidades do Rio e do país.

E perguntamos: esta cabine blindada significa o fim dos assassinatos no Complexo? O fim da “guerra às drogas”? Não! Pelo contrário, a tal cabine só vem a incrementar a sinistra guerra movida pelo velho Estado contra o povo. Como muito bem destacou o chargista Latuff, comparando a cabine da PM com uma torre de vigilância sionista nos territórios palestinos ocupados por Israel, é “a política de apartheid lá [na Palestina] aplicada pela polícia aqui [nas favelas]”. E, assim como lá se desenvolve a heroica resistência do povo palestino, também aqui o povo resiste como pode, dadas as condições objetivas, aos grupos de extermínio da PM controlada pelo velho Estado.

A cabine é parte da política falida das UPPs que não ofereceu nada às comunidades a não ser mais opressão e genocídio. Ao contrário de toda a retórica da politicalha e seus secretários de “segurança” difundida pelos seus monopólios de imprensa, nunca trouxe educação, saúde e lazer, ao contrário, as escolas públicas municipais do Alemão não funcionaram no dia 25 de abril e quase 4 mil alunos ficaram sem aulas no dia da instalação.

O que se vê é uma guerra sem fim produzindo um cenário de terror e barbárie, casas completamente perfuradas, construindo o cenário que não deixa a desejar a Síria ou qualquer centro que viva a guerra do terror imperialista. Também, não poderia ser diferente. Aqui na semicolônia se reproduz a mesma política opressora genocida aplicada pelo imperialismo ianque nos países subjugados aos seus interesses financeiros. O que vemos aqui é a farsa política de “guerra às drogas” que, assim como a “guerra ao terror”, movimenta um enorme mercado de armas à custa das valorosas vidas dos filhos do nosso povo.

Engana-se o velho Estado se acredita que, com o aumento do banho de sangue, conseguirá afogar o povo pobre de nossas periferias, as massas profundas do proletariado. Não conseguirá extinguir a revolta popular, parte da situação revolucionária em desenvolvimento. Como temos visto, as manifestações nas favelas se generalizam, ganham o cotidiano dos moradores e abrem o caminho para que, na luta, o povo perceba a necessidade de sua organização. Cria-se, assim, na prática da luta e com a crescente politização, as condições para que se possa varrer de uma vez por todas o velho Estado e, junto dele, todo o monturo de lixo da semifeudalidade, toda repressão e miséria que se abatem sobre a vida do povo.  

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Fotos: Ellan Lustosa/ AND

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