Proletariado e povos do mundo celebram: 50 anos do Levantamento Camponês de Naxalbari

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Na Índia, o levantamento armado revolucionário camponês de Naxalbari, que completará seu 50º aniversário, foi influenciado e inspirado pela Grande Revolução Cultural Proletária da China. Naxalbari foi um acontecimento que conquistou espaço sob a liderança do Camarada Charu Mazumdar — um dos dois grandes líderes, mestres e fundadores do PCI (Maoísta), sendo ele e o camarada Kanhai Chatterjee. Naxalbari marcou um novo começo na história da revolução democrática do país.

Comitê Central do Partido Comunista da Índia (Maoísta), 2016

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“Vitória à guerra popular na Índia!”, Hamburgo, 2017

O proletariado e povos de todo o mundo celebraram os 50 anos do Levantamento Camponês de Naxalbari (1967), ocorrido em um povoado com o mesmo nome no departamento de Bengala Ocidental. Sob direção do Partido Comunista da Índia (ML), com a chefatura do grande dirigente indiano Charu Mazumdar, milhares de camponeses se levantaram em armas contra a dominação semifeudal e a opressão do velho Estado, pelo Novo Poder.

Charu Mazumdar, em documento escrito um ano após o levantamento, em 1968, afirmou:

“Esta luta é diferente de todas as outras lutas camponesas. Onde reside tal diferença? […] Esta é a primeira vez que o campesinato lutou não somente por suas demandas parciais, mas também pela tomada do poder do Estado”. “Foi em Naxalbari que tal caminho fora adotado pela primeira vez na história das lutas camponesas na Índia. Em outras palavras, a era revolucionária fora anunciada, e aquele ano foi o primeiro desta era. E é por esta razão que os revolucionários de todos os países estão saudando calorosamente a luta de Naxalbari”.

E, não somente para a revolução na Índia, o Levantamento Camponês de Naxalbari ecoa em todo o mundo como um exemplo de que as massas estão dispostas à luta e que, com a direção do proletariado por meio de seu partido, apesar das dificuldades, elas vão vencer.

PCI (Maoísta) convoca ações

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O Comitê de área especial de Bihar Jharkhand do Partido Comunista da Índia (Maoísta), planejou ações do dia 23 a 27 de maio em celebração a Naxalbari, envolvendo protestos, marchas e uma greve geral a se realizar depois do fechamento desta edição. O objetivo assinalado pelo Partido é exortar os camponeses, principalmente pobres, e as massas a levantarem-se contra a pesada opressão do velho Estado, seguindo o exemplo dos camponeses de Naxalbari.

Celebrações pelo mundo

O dirigente da Frente Democrática Revolucionária (FDR) da Índia, Varavara Rao, emitiu pronunciamento em razão desta grandiosa data:

“Apesar de parecer uma luta pela terra, seja Naxalbari, Srikakulam ou Telangana em 1970, em verdade são uma luta antifeudal, anti-imperialista com um slogan de ‘terra para quem nela trabalha’, mas apontando à tomada do Poder estatal para o povo. É por isso que a classe dominante vê com medo e tacha-os como a ‘maior ameaça interna’ para o sistema e o Estado”.

“Naxalbari é uma linha divisória em todos os aspectos da política, da sociedade e da cultura semifeudais e semicoloniais entre as classes exploradoras e exploradas, os governantes e governados, a burguesia compradora e as amplas massas camponesas e operárias, entre a política parlamentar e o caminho alternativo do povo. Em uma palavra, a luta de classes, sob a liderança da classe operária como vanguarda para tomar o poder do Estado pelo povo, as forças produtivas para mudar as relações de produção”.

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“Naxalbari, pela primeira vez, definiu o caráter do Estado como ditadura semifeudal e semicolonial, burguesa compradora. Tomou o maoísmo, o marxismo-leninismo desta época, como sua visão do mundo. Rechaçou a política parlamentar. Elegeu o caminho da Revolução de Nova Democracia e empreendeu uma prolongada guerra contra o Estado, com a luta armada como principal forma de luta. Seu programa econômico de luta pela terra se iniciou em Naxalbari, em 23 de maio de 1967, com os Santales de Naxalbari e os povos Kheribari ocupando terra e declarando seu direito sobre ela, até o dia 25 de maio, e dando suas vidas para protegê-la da intervenção das forças armadas estatais. Seu programa militar é a guerra de guerrilhas até que se libertou aldeias e, em última instância, entrou na guerra cara a cara na captura do Centro. Até chegar na sua etapa de guerra de movimento, em seu conjunto em Dandakaranya, Bastar em Chhsttisgarh, e Gadchiroli em Maharashtra”, recordou.

Na Alemanha, atentando ao chamado para o Dia Internacional de Ação para celebrar os 50 anos do Levantamento de Naxalbari, foram realizadas diferentes atividades em várias cidades, tomando proporções nacionais. Dezenas de pichações, faixas, panfletos, discussões e marchas foram realizadas ressaltando o PCI (Maoísta) e a guerra popular e o papel de destaque que cumprem na Revolução Proletária Mundial, além de ressaltar a necessidade de reconstituir o Partido Comunista da Alemanha.

As cidades onde registram-se ações foram, entre outras, Hamburgo, Berlim, Nuremberg, Rostock, Bremen, Weimar e Ruhrgebiet.

Houve também ações na Áustria. Em Viena, revolucionários protestaram na embaixada do velho Estado indiano em apoio à guerra popular e ao Levantamento de Naxalbari. Já em Linz, cartazes com slogans de apoio e estampando o histórico dirigente Charu Mazumdar foram colados.

No Equador, a Frente de Defesa das Lutas do Povo (FDLP) emitiu longo comunicado aderindo à campanha. “Não há dúvidas de que a guerra popular na Índia, cuja gênese remonta à chamada Revolução Naxalita de 1967, é um dos imponentes alcances revolucionários que desenvolveu o proletariado e o povo da Índia, e que indiscutivelmente está a serviço do proletariado internacional”. “Condenamos e combatemos as correntes revisionistas que pretendem traficar com a guerra popular na Índia, tentando contrapô-la à guerra popular no Peru e ao pensamento gonzalo”, conclui.

Em Bangladesh, revolucionários também pronunciaram-se enaltecendo esta importante data.

No Brasil, movimentos revolucionários se somaram à celebração internacional com pixações e cartazes.

Na Colômbia, a organização Revolución Obrera emitiu pronunciamento aderindo à campanha internacional. “As massas armadas, estimuladas pela GRCP da China, decidiram tomar o céu de assalto, sacudindo séculos de exploração e opressão, fazendo temperar o país inteiro”, assinalou.

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Cartaz da campanha no Brasil, 2017

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