O drama da América Central

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Se por um lado países da América do Sul como o Brasil, Peru, Chile, etc. convivem com a mineração em larga escala e os conflitos dela decorrentes há muitos anos, a América Central vem ampliando também seus projetos de mineração, principalmente de metais, num movimento perceptível em todo o continente como pressão e demanda do imperialismo por açambarcar as riquezas nacionais daqueles povos no menor tempo possível.

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“Sem ouro se vive, sem água se morre”

Com exceção do México, a América Central é composta de países considerados pequenos, mas que abrigam uma miríade de povos tradicionais que veem seus territórios, direitos, usos e costumes ameaçados pelo avanço de projetos e operações de mineração, quase sempre comandados por monopólios transnacionais. São esses povos originários, muitas vezes descendentes dos maias, as principais forças da resistência aos grandes projetos de mineração nessa parte do continente.

No espaço de um artigo seria impossível tratar de todos os países e casos. O que se procura aqui é dar um panorama da voracidade do imperialismo e, principalmente, da resistência popular, que em alguns casos têm conseguido vitórias importantes e que, guardadas as devidas proporções, podem servir de exemplo para a luta de outros povos.

El Salvador

Os primeiros projetos começaram a ser apresentados em 2004 no menor país da América Latina. Porém, considerando a experiência sul-americana, os salvadorenhos concluíram que os impactos da mineração são muito maiores que os investimentos e renda que eles possam gerar. Eles fincaram o pé para que as autoridades não levassem esses projetos adiante. A maioria da população é contra a mineração metálica e, em 29 de março de 2017, o congresso salvadorenho aprovou a lei que proíbe a mineração de ouro e outros metais no território do país.

Trata-se de vitória histórica, obtida após mais de dez anos de mobilizações de amplos setores da população.

Panamá

A construção da hidrelétrica de Barro Blanco se inscreve como um dos maiores impactos ambientais e sociais naquele país, já rasgado pelo canal que liga o oceano Atlântico ao Pacífico.

No dia 23 de maio de 2016 houve a remoção forçada de um acampamento indígena para que a represa começasse a encher, inundando o território do povo Ngäbé Büglé. Por fugir de todos os parâmetros do que o próprio imperialismo chama de “sustentabilidade”, Barro Blanco se retirou de tratados ambientais, assumindo que os impactos são muito maiores que os previstos no projeto inicial.

Antes disso, em 2012, em Cerro Colorado, os indígenas protestaram contra as intenções das autoridades panamenhas de conceder licenças de exploração a empresas da Coreia do Sul e Singapura, com bloqueios de estradas entre o Panamá e o restante da América do Sul, com um saldo de dois mortos. Trata-se de uma jazida de cobre com 17 milhões de toneladas, equivalentes a três anos da produção chilena, a maior do mundo.

A legislação sobre mineração no Panamá é incerta e, nos últimos anos, dezenas de projetos se instalaram no país, que além de ter o velho Estado afundado em corrupção, ficou conhecido como paraíso fiscal e financeiro para lavagem de dinheiro.

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