Camponeses cumprem a palavra e retomam Fazenda Salitre

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Os cerca de 350 camponeses liderados pela Liga dos Camponeses Pobres do Centro Oeste (LCP-CO), recentemente expulsos do latifúndio conhecido como Fazenda Salitre, em Patrocínio, Minas Gerais, no dia 12 de março, retomaram suas terras.

Na ocasião da expulsão, em que foram utilizados 400 homens da polícia de Aécio Neves, as 70 famílias de camponeses juraram retomar as terras, onde inclusive haviam plantado feijão e arroz, destruídos pela polícia e pelos jagunços do latifundiário Alaor Ribeiro de Paiva, que confessa ser dono do latifúndio.

Inconformados com a condição de acampar na beira da estrada, os camponeses planejaram a imediata retomada e continuação da política de iniciar imediatamente a produção — o que determina a distância entre o movimento camponês revolucionário e aqueles conduzidos por direções oportunistas.

Após a reconquista, a organização do acampamento não foi alterada, voltando as comissões de higiene, arrecadação, cozinha e auto-defesa a se dedicar à construção dos barracos, que em breve serão substituídos pelas moradas definitivas dos camponeses em seus lotes, demarcados por eles mesmos. Destacam-se entre eles o elevado moral e destemor, incrementado pela ativa participação das mulheres, decisiva na libertação daquele chão.

Os três meses de pouso na estrada foram marcados por cerrada tentativa de desmoralização dos camponeses. A polícia e o latifúndio empreenderam campanhas que visavam, de todas as maneiras, isolar o movimento para impedir que amigos e demais pessoas de bem trouxessem remédios, alimentos e outros recursos para o acampamento. Nenhum órgão federal ou estadual se dignou dirigir qualquer palavra aos camponeses.

Mesmo assim, o cerco da polícia e do latifúndio não surtiu o efeito desejado: elevou o moral dos trabalhadores, aumentando para 90 o número de famílias acampadas e a disposição para a posse das terras.

De lá, afirmam, não sairão mais.

O latifúndio foi expropriado pela primeira vez no dia 8 de novembro de 2003, quando 70 famílias acamparam e começaram os preparativos para a produção. O histórico de alta concentração da terra e violência no campo da região não assustaram a massa de camponeses, que decidiu resolver o problema do acesso à terra, da produção e da construção do novo poder pelas próprias mãos. Após a retomada, o latifundiário Alaor recorreu a um expediente muito utilizado pelos reacionários nas operações de repressão: o uso de jagunços armados para continuar ameaçando e intimidando os camponeses, além dos ataques contra o acampamento durante a madrugada. Os pistoleiros, durante muito tempo, exibiram e fizeram uso do seu armamento, que inclui pistolas e metralhadoras. A diferença da pistolagem à moda antiga é que a tal milícia tem nome e endereço: Empresa de Segurança Montanha, com escritórios em Uberlândia e Uberaba, cidades próximas a Patrocínio.

A magistratura de Minas Gerais já concedeu novo mandato de reintegração de posse ao latifundiário, publicado em 23 de junho no Diário Oficial do estado, oportunidade em que a polícia será chamada a substituir a guarda pessoal (jagunços) do latifundiário, disposta a usar da truculência que caracteriza o cumprimento das “ordens judiciais”.

A mesma magistratura, na pessoa do juiz Cássio Salomé, da Vara Agrária de Belo Horizonte, havia concedido a primeira reintegração, realizada com a saída pacífica dos camponeses. A LCP denuncia que o próprio juiz comentou que Aécio Neves, governador de Minas Gerais, se empenhou pessoalmente para a expedição do mandado, o que, mais uma vez, desmascara a “reforma” agrária do FMI/PT, o que os camponeses jamais se recusarão a fazer.

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