MG: 50 anos da Heroica Resistência de Cachoeirinha

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LCP denuncia crimes do latifúndio em audiência

Ativistas da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Sul da Bahia participaram, no dia 07/06, na Câmara Municipal de Montes Claros (MG), da Audiência Pública “Ditadura Militar no Norte de Minas: memórias de lutas e resistências camponesa (1964-1988)”, organizada pela Comissão da Verdade em Minas Gerais (Covemg) junto à Comissão da Verdade e Memória do Grande Sertão.

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Camponeses fecham rodovia em celebração aos 50 anos da resistência de Cachoeirinha

Na audiência, os ativistas da LCP denunciaram a continuidade dos crimes do latifúndio durante todos os gerenciamentos civis – com destaque para os últimos quase 13 anos em que o PT esteve à frente do velho Estado – e o seu incremento no atual gerenciamento vende-pátria de Temer/PMDB e sua quadrilha.

O evento contou com a participação de ativistas de movimentos populares, democráticos e revolucionários, além de pesquisadores e representantes dos órgãos do velho Estado.

A Audiência foi composta por uma mesa, na qual estiveram presentes pessoas que lutaram contra o regime militar fascista e por isso foram perseguidas politicamente.

O Comitê de Apoio ao AND também esteve presente, divulgando a Imprensa Popular e Democrática por meio da venda de exemplares da edição 189 do jornal A Nova Democracia.

Antes da fala dos membros da mesa, o professor Carlos Dayrell, membro do Centro de Agricultura Alternativa (CAA/NM) e da Comissão da Verdade e Memória do Grande Sertão, fez uma breve contextualização histórica da luta pela terra na região, relacionando os crimes cometidos pelo latifúndio no período com o próprio modelo de “desenvolvimento” adotado pelo regime militar nos sertões do Norte de Minas desde o início da década de 1960.

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Os membros que compunham a mesa fizeram depoimentos relatando as suas lutas e a perseguição política durante o regime militar fascista e expuseram uma série de denúncias de crimes praticados neste período no Norte de Minas por agentes do velho Estado em conluio com os latifundiários.

Durante os depoimentos, tiveram destaque também os relatos sobre a combativa luta dos posseiros da Serra das Araras; a brava resistência dos posseiros de Cachoeirinha, que completou 50 anos este ano e a aguerrida e persistente luta dos camponeses pobres de toda a região contra a grilagem de terras pelo latifúndio, que persiste nos dias atuais.

No evento também foram exaltados os nomes das lideranças camponesas Jader e Sula, falecidos nos últimos anos.  Além dos ativistas Antônio Manso, Juarez, Marcionílio, Martim Fagundes e Ursino Preto, tombados na luta como os heróis do povo e personagens históricos da Heroica Resistência dos Posseiros de Cachoeirinha.

Todos os presentes foram convidados a celebrar os 50 anos da Heroica Resistência dos Posseiros de Cachoeirinha com mais tomadas de terras e retomadas de territórios do latifúndio, por meio da luta combativa e unificada de camponeses, remanescentes de quilombolas e povos indígenas.

Os ativistas da LCP em suas intervenções bradaram e reafirmaram a importância da consigna “Nem perdão, nem reconciliação e nem esquecimento: punição para os criminosos, militares e civis, mandantes e executores de torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados do regime militar!”, desfraldada desde o surgimento da “Comissão da Verdade” sustentada na famigerada “Lei da Anistia” de 1979, que iguala torturadores e assassinos covardes a serviço do imperialismo, principalmente ianque, aos revolucionários, democratas e progressistas que lutavam não apenas pelo fim do regime militar fascista, mas por uma verdadeira democracia e o socialismo em nosso país. Uma faixa foi levantada durante a fala de um dirigente da LCP com os seguintes dizeres: “Nem esquecimento, nem perdão: punição para os crimes do latifúndio de ontem e de hoje!”.

Ativistas da LCP denunciaram ainda que os mesmos crimes cometidos durante o regime militar fascista seguem sendo praticados, da mesma forma impunemente e sempre contando com a participação direta de agentes do velho Estado, como ficou evidente no crime de Estado promovido pela Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) em Pau D`Arco, sudoeste do Pará, que resultou no assassinato de dez camponeses.

Ato celebra resistência de Cachoeirinha

Durante o fechamento desta edição recebemos a informação de que no dia 13 de junho ocorreu uma manifestação em celebração aos 50 anos da Heroica Resistência dos Posseiros de Cachoeirinha. Na próxima edição de AND traremos informações sobre esse importante ato.


RO: Camponês assassinado em Corumbiara

Na madrugada de 04/06, o camponês Liversino Azevedo, de 51 anos, foi assassinado com seis disparos de arma de fogo por dois homens em uma moto em uma emboscada, quando chegava em sua residência acompanhado de sua companheira, na Área Monteiro, parte da antiga fazenda Santa Elina, em Corumbiara (RO).

O camponês veio a falecer na madrugada de 05/06 no hospital regional de Vilhena devido aos graves ferimentos sofridos.

Liversino participou da histórica Batalha de Santa Elina, em Corumbiara, no ano de 1995, quando as massas camponesas com paus, pedras e suas rudimentares espingardas de caça enfrentaram heroicamente policiais e pistoleiros a mando da gerência estadual de Valdir Raupp/PMDB.

O camponês atuou no Movimento Camponês Combativo (MCC), rompendo depois com a organização, quando esta ficou sob a direção de oportunistas, que traficavam com os interesses das massas.

Em 2010, Liversino e sua família integraram a luta histórica e vitoriosa pela retomada e distribuição das terras da fazenda Santa Elina entre as famílias camponesas.

Em nota, a LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental, ressaltou que Liversino nunca deixou de apoiar a LCP e a luta pela terra, além de afirmar que “o sangue de nosso companheiro Liversino e tantos outros não tenha sido derramado em vão. Erguemos ainda mais alto a bandeira da Revolução Agrária, revoltados com o assassinato de mais um filho de nosso povo”.

Liderança camponesa executada

No dia 05/06, o Valdenir Juventino Izidoro, de 50 anos, foi assassinado por um pistoleiro dentro de um acampamento no distrito de Rondominas, em Ouro Preto do Oeste (RO).

O camponês foi executado covardemente com um disparo de arma de fogo a queima roupa nas costas, por um pistoleiro escondido no meio da mata, quando saia do banheiro do acampamento em que vivia, situado próximo a Fazenda Trianon. Valdenir chegou a ser socorrido pela sua companheira e dois amigos, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no caminho para o hospital no centro de Rondominas.

Valdenir era uma liderança camponesa, que organizava um conjunto de famílias na luta pelas terras da Fazenda Trianon. A morte da liderança segue o macabro “roteiro da morte” amplamente denunciado pela LCP e repercutida nas páginas de AND, quando lideranças são assassinadas após participarem de reuniões com representantes do velho Estado. Valdenir esteve presente nas reuniões com os órgãos do velho Estado, entre eles a Ouvidoria Agrária Nacional e o Incra, entre os dias 10 e 12/05, em Porto Velho. Na semana do seu assassinato estava marcada a vistoria do Incra na área reivindicada, conforme acordo estabelecido nas reuniões.

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