Alípio de Freitas, herói combatente internacionalista

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Faleceu, na noite de 12 de junho, Alípio Cristiano de Freitas, incansável militante da causa da libertação dos povos.

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Português, nasceu em Trás-os-Montes, no ano de 1929.  Ordenou-se padre em 1952, e como pároco transladou-se ao Brasil, para o Maranhão. Por isso tornou-se também conhecido por muitos como “Padre Alípio”.

No trabalho e na luta junto aos camponeses e às massas laboriosas, forjou-se como revolucionário e sua militância revolucionária o fez também brasileiro. Lecionou história na Universidade de São Luís (MA).

Teve papel destacado na direção das Ligas Camponesas na década de 1960, desempenhando a tarefa de instrutor político, ocupando a secretaria-geral de sua organização. Foi também responsável pelo jornal A Liga, órgão da luta camponesa combativa dirigido pelas Ligas Camponesas.

Militou por curto espaço de tempo na AP (Ação Popular), que posteriormente assumiria a designação de AP-ML (Ação Popular Marxista-Leninista).

Após o golpe militar-fascista de 1964, passa à clandestinidade. Sua prática revolucionária, o seu aprofundamento na luta de classes e na compreensão do marxismo-leninismo o conduziram a ruptura com a igreja católica. Dedica-se integralmente àluta camponesa revolucionária.

Perseguido, exilou-se no México e dirigiu-se então a Cuba, onde realizou cursos de formação política e militar e preparou seu regresso ao Brasil para dar prosseguimento à luta revolucionária.

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Integrou as fileiras e foi dirigente do PRT (Partido Revolucionário dos Trabalhadores), que tinha entre seus mais destacados quadros José Porfírio, dirigente da luta armada revolucionária camponesa de Trombas e Formoso, região de Goiás, na década de 1950.

Em 1970 é preso pelos verdugos do regime militar-fascista. Passa quase dez anos encarcerado em diferentes prisões, enfrentando e resistindo às mais brutais torturas. Sem jamais se dobrar, derrotou seus algozes.

A sua luta e a sua resistência nas masmorras do regime fascista foram cantadas por Zeca Afonso, voz contundente do cancioneiro popular português:

“Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza”

“Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome”

Na condição de preso político, perdeu sua nacionalidade portuguesa e a brasileira, sofrendo um processo de expulsão do país. Saindo da prisão, trabalhou como camelô e como jornalista para ganhar a vida. 

No início da década de 1980, a convite da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), àquela época sob a direção revolucionária de Samora Machel, participou em projetos de cooperativas agrícolas naquele país.

Ainda nos anos de 1980, regressou a Portugal, onde desenvolveu intensa atividade junto aos movimentos populares e artísticos em Lisboa e outras localidades. Foi entusiasta e fundador de diversas organizações como a Associação José Afonso, a Casa do Brasil de Lisboa, a Associação Abril e a Associação Mares Navegados. Integrou o Tribunal Mundial contra as agressões imperialistas ao Iraque e organizações de apoio à luta do povo palestino. Foi professor na Universidade Lusófona de Lisboa.

Sua militância revolucionária e sua resistência nos cárceres do regime militar-fascista no Brasil foram registrados em Resistir é Preciso, livro de sua lavra que teve a primeira edição publicada em 1981 e que foi reeditado em fevereiro de 2017 em Lisboa, ocasião em que Alípio de Freitas foi homenageado por seus 88 anos de luta e resistência que se completaram no dia 17 daquele mesmo mês.

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Em 2010, em uma de suas visitas ao Brasil, Alípio teve seu primeiro contato com nosso jornal através de velhos companheiros com quem militou. Nessa ocasião ele nos concedeu uma longa entrevista que pode ser encontrada na edição nº 63 de AND. Neste mesmo ano, Alípio de Freitas passou a integrar o Conselho Editorial do jornal A Nova Democracia. Assíduo leitor, mesmo havendo perdido completamente sua visão nos últimos anos, continuava zeloso ao desenvolvimento do jornal, ouvindo atentamente a leitura feita por colaboradores.

Em abril de 2010, Alípio de Freitas esteve presente e foi homenageado juntamente com outros históricos dirigentes da luta camponesa revolucionária em uma reunião ampliada das coordenações das Ligas de Camponeses Pobres (LCP), realizada em Goiânia. Reunião histórica que promoveu um encontro de gerações do movimento camponês combativo de nosso país.

Nos últimos anos, sem interromper seu ativismo nos movimentos populares, democráticos e revolucionários em Portugal e outros países, enfrentou problemas de saúde e a perda de sua visão com firmeza e serenidade.

Em fevereiro de 2017, foi homenageado em Lisboa na celebração de seus 88 anos, ocasião em que recebeu da delegação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), presente nessa ocasião, a distinção de Presidente de Honra de sua organização, a que Alípio recebeu com grande orgulho e entusiasmo.

Nos meses de maio e junho deste ano, Alípio vinha recebendo uma série de homenagens prestadas por diferentes organizações de Portugal e participando de debates, conferências e concertos que celebravam uma vida inteira dedicada à luta.

Ainda no mês de maio, ele foi submetido a um procedimento médico. Recuperava-se de um infarto e mantinha-se ativo. Infelizmente seu quadro se agravou no dia 12 de junho, quando foi novamente internado e faleceu.

Sua incessante atividade só foi interrompida pela morte. Alípio de Freitas combateu até o último instante de sua vida. Convicto defensor da luta armada revolucionária e da justa rebelião dos povos. Inimigo de morte do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo.

Seguem pulsantes seu exemplo, sua firmeza ideológica, sua intrepidez.

A sua memória e seu legado devem ser honrados por aqueles que empunham agora sua bandeira. Como destacou a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres, em mensagem a Guadalupe Magalhães, incansável e inseparável companheira de Alípio de Freitas: “Nós vamos honrar sempre o nosso Presidente de Honra, levantar seu nome, realizar o sonho pelo qual ele tanto lutou”.

A direção do AND, nosso Comitê de Redação, Conselho Editorial, Comitês de Apoio, nossos leitores e apoiadores no Brasil e em outros países inclinam humildemente suas cabeças e erguem seu nome. Companheiro Alípio de Freitas: Presente na Luta!

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