Chile, um enclave extrativista desde sempre

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O Chile tem uma conformação territorial especial devido a sua fronteira oriental ser a Cordilheira do Andes, o que legou a seu território uma faixa estreita de cerca de 150 km a oeste, mas na dimensão norte/sul o país se estende por mais de 3 mil km.

Séculos de rebeliões do povo chileno contra mineradoras:  21/12/1907
Séculos de rebeliões do povo chileno contra mineradoras: 21/12/1907

Assim como a maioria das colônias da época do mercantilismo, sua atividade econômica sempre foi  voltada ao extrativismo e à produção agrícola. A mineração foi intensificada no século XVIII e hoje é a principal atividade econômica do país, que é o maior produtor de cobre do mundo.

Como é de se esperar, a mineração também está no centro de alguns grandes conflitos, tanto dentro do próprio país, como envolvendo outros países.

No fim do século XIX, na chamada “Guerra do Pacífico”, o Chile derrotou a Bolívia e o Peru, anexando a região de Antofagasta, produtora de salitre, e fechando o acesso da Bolívia ao oceano. Estima-se que tenham morrido de 20 a 30 mil pessoas nesta guerra.

Em 1907, uma força policial abriu fogo contra mineiros em greve alojados na escola Santa María, em Iquique, no norte do Chile. Cerca de 300 trabalhadores foram assassinados e outras centenas ficaram feridos.
Estima-se que atualmente cerca de 30% da atividade econômica do Chile corresponda à extração de cobre.

Greve na mina Escondida

A maior greve da história da mineração chilena ocorreu no início deste ano, quando os operários cruzaram os braços por 43 dias na mina Escondida, maior mina de cobre em operação no mundo. Entre os meses de janeiro e março, os cerca de 2.500 mineiros paralisaram as operações na mina de propriedade da BHP-Billiton devido à intransigência da empresa nas negociações.

Séculos de rebeliões do povo chileno contra mineradoras:  3/3/2017
Séculos de rebeliões do povo chileno contra mineradoras: 3/3/2017

A greve não conduziu a vitória significativa dos trabalhadores, mas paralisou a perda de direitos e levou a uma redução em vendas de 1 bilhão de dólares para a BHP, segundo a avaliação do sindicato da categoria.

Poluição da mina Invierno

Por volta de 2009 se instalou uma mina de carvão mineral na Ilha Riesco, sul do Chile, prometendo abastecer de energia elétrica a população da região de Magalhães, cuja capital é Punta Arenas. A contaminação do meio ambiente se fez sentir desde logo, algo ampliado pelos intensos ventos de até cem quilômetros por hora que espalham poeira em uma área imensa.

A população protesta frequentemente contra a exploração de carvão a céu aberto feita pelas empresas Copec e Ultramar, mas as gerências semicoloniais se fazem de surdas e seguem autorizando a exploração. Após uma permissão pelo conselho de ministros em 2016, a mina sofreu novo processo, recebendo 11 acusações de contaminação do solo e água por parte da Superintendência de Meio Ambiente do Chile, processo que aguarda desfecho.

Mapuches

O território mapuche também sofre com a ofensiva do imperialismo pelas riquezas minerais das semicolônias. Para isso, as transnacionais e os gerenciamentos de turno desconsideram leis que eles mesmos criaram. Uma delas é a que exige uma consulta prévia aos povos originários quando da instalação de projetos de extração mineral em seus territórios.

No fim de 2014, sete comunidades mapuche williche da província de Osorno se dirigiram à corte de apelações de Valdívia contra o velho Estado chileno, que outorgou concessões mineiras em suas terras ancestrais.

As comunidades mapuche, tanto do Chile como da Argentina, estão sendo afetadas pelos interesses extrativistas florestais, de mineração, extração de petróleo, hidrelétricas etc. e, além da sua secular luta por independência, tem ainda mais motivos para lutar.

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Enquanto isso:

O fiasco de Temer na Noruega

Acossado pela profunda crise institucional, política, econômica e moral de sua gerência e do velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro, Temer acelera a realização dos planos de entregar o que resta de nacional aos monopólios imperialistas. Ao mesmo tempo, tenta engabelar agências do imperialismo que destinam recursos à “preservação” da Amazônia para seus interesses.

Na sua passagem pela Noruega, entre 22 e 23 de junho, Temer ouviu a confirmação de que o país nórdico reduziria pela metade (R$ 175 milhões) a quantia destinada ao Fundo Amazônia para “redução do desmatamento na floresta”. Além do aumento do desmatamento detectado desde 2014, outro motivo para o corte da verba era a iminente sanção de Temer às “Medidas Provisórias” 756 e 758, que reduziam áreas de preservação no Pará, atendendo a pedidos da bancada ruralista.

Tentando dar um “salto triplo mortal de costas” para convencer os noruegueses, antes de sua viagem, Temer vetou as “MPs” de sua própria autoria, mas deixou articulado um esquema para reapresentar o mesmo conteúdo na forma de “projeto de lei” após seu retorno ao Brasil.

Mas nada deu certo. E, na volta, Temer trouxe na bagagem a certeza de que os noruegueses não foram enganados em gafes acumuladas por ocasião de sua passagem pela Rússia e Noruega. De quebra, o veto abalou a relação com a bancada ruralista.

As chamadas “MPs”, na verdade pacotaços antipovo e vende-pátria, são de dezembro de 2016. Em maio, o senado aprovou-as em primeira votação. As “medidas” reduziam as áreas de 4 unidades de conservação, sendo 3 na Amazônia e uma em Santa Catarina. Segundo o ato do executivo, as Florestas Nacionais (FLONAS) do Jamanxin e Itaituba (no Pará) e os Parques Nacionais de Jamanxin (Pará) e São Joaquim (Santa Catarina) teriam suas áreas diminuídas. Nas unidades da Amazônia, os motivos eram a “resolução de conflitos fundiários”, quais sejam latifundiários e grileiros que se estabeleceram na reserva depois de sua criação e a passagem da ferrovia conhecida como “Ferrogrão”.

A maior mineradora de bauxita do Brasil extrai o minério de dentro de uma unidade de conservação e acaba de pedir licença para ampliar sua produção e, consequentemente, os danos ao ambiente.

A Mineração Rio do Norte está estabelecida na Floresta Nacional Saracá-Taquera, em Oriximiná, interior do Pará e pretende desmatar e escavar mais 13 mil hectares da floresta. Como já está licenciada a explorar 17 mil hectares, o aumento da área de lavra é da ordem de 80%.

Outro risco da atividade é a presença de barragens de rejeitos. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a Mineração Rio do Norte é a quarta mineradora em número de barragens, 24, sendo 22 dentro da Flona.

Além disso, a floresta é o principal meio de vida de nada menos que 14 comunidades de quilombolas e outro tanto de ribeirinhos, que veem seu sustento já prejudicado e em vias de extinção, uma vez que sobrevivem principalmente da coleta de castanhas e outros produtos florestais.

No que tange à mineração, o atual gerente semicolonial Temer desferiu uma sucessão de canetadas destinadas a liberar vastos territórios de unidades de conservação, principalmente na Amazônia, à exploração mineral e de latifundiários.

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