Peru: Avança a combativa greve nacional dos Professores

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A combativa Greve Nacional por tempo indeterminado dos professores no Peru chega ao seu segundo mês e conta com grande adesão das massas.

Manifestação de professores toma as ruas de Huancavelica durante Greve Nacional
Manifestação de professores toma as ruas de Huancavelica durante Greve Nacional

No início de agosto, em Huancavelica, os professores tomaram a Praça de Armas e ergueram barricadas, enfrentando as forças de repressão do velho Estado. A Greve Nacional se estende a dezenas de escolas, nas regiões andinas de Cusco, Puno, Ayacucho, Ancash, Lambayeque e Piura do Norte.

Em Lima, as mobilizações são intensas, sobretudo em Villa El Salvador e Villa María del Triunfo, onde os professores do 13º setor do Sindicato Único de Trabalhadores na Educação (SUTEP) desenvolvem persistente trabalho junto às massas, aplicando a linha classista que vem ganhando a adesão e ampliando o movimento que avança ao sul de Lima.

No dia 08/08, milhares de professores vindos de 22 regiões do país se concentraram na Praça San Martín e avançaram em direção ao Congresso. Essa grande mobilização foi organizada pelo SUTEP e balançou as ruas de Lima.

Os professores em greve apontam contra os ataques do gerenciamento reacionário de Pablo Kuczynski, como a “Nova lei universitária 30.220” e a “Nova lei de reforma magisterial 29.944”, e o plano de aplicar a “qualificação de desempenho”, visando precarizar a categoria e criar setores ainda mais precarizados.

As ‘Qualificações de Desempenho Docente’ servem para engolir o magistério nacional com uma onda de demissões massivas, com o único fim de destruir a Educação Pública e Gratuita no afã de alimentar um punhado de grandes burgueses que vivem às custas do trabalho de nosso querido povo”, explicou o Movimento Estudantil Popular (MEP), em panfleto circulado em julho.

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Sustentar a luta até a vitória

Em 4 de agosto, os professores rechaçaram as propostas do governo e do Ministério da Educação, ratificando que a Greve Nacional por tempo indeterminado continua “até que se atenda a totalidade das reivindicações” que são:

- Defesa da Escola Pública e Gratuita, contra a privatização das Instituições Educativas através das APP (Associações Público Privadas).

- Defesa da estabilidade no regime de trabalho e dos direitos conquistados sob a lei nº 24029. Pela revogação da lei de “Reforma Magisterial” nº 29944 e pela imediata reposição dos professores demitidos.

- Pelo pagamento imediato da dívida de bonificações pelo cumprimento de 20, 25 e 30 anos de serviços, subsídios por luto e funeral, 30% por bonificação de preparação de aulas, férias, transporte etc.

- Aumento dos salários para todo o magistério em atividade e o incremento das pensões para professores afastados e aposentados.

- Nomeação automática dos professores contratados.

- Contra a perseguição política e criminalização das lutas populares.

No Peru, os professores de primeiro nível recebem um salário mensal de 1.780 soles (aproximadamente R$ 1.720,00). Os professores em greve exigem, entre outras reivindicações, um salário base de 4.050 soles (cerca de R$ 3.910,00).

A gerência Kuczynski oferece, como se fosse grande coisa, um reajuste dos salários para 2.000 soles e uma promessa de capacitação dos professores antes das qualificações desempenho docente.

Avançando pelo interior

A greve e as manifestações se alastraram pelo interior do país e somam cada vez mais pessoas e ações combativas.

Manifestação de professores toma as ruas de Huancavelica durante Greve Nacional

Na Província de Huancavelica, os professores se reuniram em uma grande manifestação após reuniões nas escolas.

No dia 02/08 foram registrados alguns protestos na região central de Cusco realizados por grupos provenientes de diferentes localidades, principalmente do chamado VRAEM (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro). Em Cusco, os protestos são quase diários, e ocorrem quase sempre em locais de grande afluxo de turistas, o que dá grande visibilidade à luta dos professores. Na região central da cidade, milhares de pais de alunos e professores marcharam pelas ruas e percorreram a Praça de Armas no dia 03/08. Foram registrados confrontos com as forças de repressão.

No dia seguinte (04/08), realizaram-se novas manifestações por todo país país, algumas com confronto entre grevistas e forças da repressão. Em Ayacucho, um grupo de professores do SUTEP ocupou a sede da Unidade de Gestão Educativa Local (UGEL-Huamanga) em protesto contra o corte de ponto.

Na província de Andahuaylas, os professores se acorrentaram em frente ao “Banco da Nação” e à municipalidade provincial, bloquearam o acesso à Praça de Armas da cidade e entraram em confronto com a polícia.

Greve em meio à Guerra Popular

Em 15/06, um comunicado do Exército Popular de Libertação (EPL), dirigido pelo Partido Comunista do Peru (PCP), que anunciava o êxito de uma série de ações armadas em Lima com o aniquilamento de vários agentes da repressão, fazia a seguinte análise:

Manifestação de professores toma as ruas de Huancavelica durante Greve Nacional

“Recentemente, o Peru tem sido palco de intensas mobilizações, como o amplo movimento grevista contra a mineradora Las Bambas no distrito de Challhuahuacho, província de Cotabambas (Apurímac). Os professores também sinalizam radicalizar sua luta e, no interior do movimento, há uma acirrada disputa entre a linha revolucionária e a falida linha oportunista de setores do SUTEP (Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação do Peru) ligados à Linha Oportunista de Direita (LOD)” que, como aponta a nota, sempre quer “trazer a cauda do revisionismo ao SUTEP” para desviá-lo do rumo classista e combativo: “A LOD procura contrapor as lutas dos professores com a luta do povo e tenta minar a reativação do SUTEP classista e combativo”, disparou.

A direção classista e combativa dos professores vai forjando-se, firmemente ligada às massas do magistério, no combate ao oportunismo e toda a reação. Particularmente em Lima e Huancavelica, os setores mais combativos do SUTEP desmascaram o oportunismo e combatem tenazmente as políticas antipovo e vende-pátria do velho Estado e seu gerente de turno Pedro Pablo Kuczynski (mais conhecido como PPK), aplicadas pela ministra da educação Marilú Martens Cortés, para a destruição da educação no país.

Saudações classistas

Em mensagem datada de 04/08 dirigida aos professores em luta, a Liga Operária e o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), enviaram desde o Brasil sua saudação à massiva e combativa Greve Nacional de professores do Peru.

“Saudamos calorosamente a justa revolta dos professores peruanos que durante os mais de 44 dias de paralisação protagonizam vigorosos protestos em várias regiões do país, como dezenas de cortes de vias públicas”.

E conclui: “As bandeiras de luta dos docentes peruanos são extremamente justas e nesse sentido o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação e a Liga Operária se espelham na combatividade da atual greve nacional dos professores do Peru e continuam mobilizando e organizando os professores brasileiros na luta contra os ataques à educação pública, pelos direitos do povo e também no combate ao oportunismo”.

Mais Greves

A greve de médicos, que começou em 04/07, segue sendo engrossada por profissionais de diferentes especialidades. Em 04/08, os obstetras se somaram à paralisação, principalmente nas regiões de Lima, La Libertad, Lambayeque, Junin e Loreto.

Já no dia 07/08, se somou à greve a categoria dos enfermeiros, que junto com os médicos protestam contra a péssima situação do sistema público de saúde.

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