George Jackson, teu nome é resistência

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Às vezes eu penso que todo o mundo
É um grande pátio de prisão”.

(George Jackson, de Bob Dylan, canção composta logo após o seu assassinato na prisão).

George Jackson aos 17 anos
George Jackson aos 17 anos

Em 21 de agosto de 1971, George Jackson, uma das mais expressivas lideranças da luta do povo negro em todos os tempos, era assassinado na prisão de San Quentin, Califórnia. Falar sobre este personagem histórico é necessariamente falar sobre o Partido dos Panteras Negras, do qual ele foi um membro destacado. E falar deste partido, por sua vez, é evocar a luta sem trégua sustentada por seus militantes contra duas instituições fundamentais do capitalismo estadunidense, exportadas para o mundo inteiro: o racismo institucionalizado e as prisões.

Um caso típico, um lutador excepcional

Nascido em Chicago, em 1941, George Jackson teve uma infância humilde. Durante a juventude foi enviado várias vezes para estabelecimentos “correcionais”, onde pôde conhecer de perto a mentira por trás dos objetivos de “ressocialização” daquelas instituições. Em 1961, aos vinte anos, foi acusado de assaltar um posto de gasolina, no qual teria roubado 70 dólares. Preso, recebeu uma condenação incomum: deveria cumprir de um ano a prisão perpétua, isto é, sua liberdade só seria concedida quando as “autoridades” julgassem conveniente. Foi enviado para a terrível prisão de Soledad, famosa pelas condições sub-humanas e forte repressão racial vigorante atrás dos seus muros. Contestador nato, nunca se curvou perante a sanha de seus algozes:

“Jackson se meteu em confusão assim que chegou a Soledad porque na sala de televisão se negou a sentar na parte de trás reservada por ‘costume’ aos negros. Desatou-se uma briga e as autoridades castigaram Jackson enviando-o a San Quentin, onde passou dois anos isolado na seção de segurança máxima”1.

Como Malcolm X, foi dentro da prisão, em contato com outros companheiros de infortúnio, que George Jackson adquiriu consciência política, tornando-se um militante revolucionário. Combateu ativamente o racismo, organizou grupos de autodefesa, coibiu o estupro e as covardias entre os detentos, fundando um grupo de ação chamado Família da Guerrilha Negra. Jackson ainda trabalhava como escritor, estimulando também nessa frente a luta revolucionária do seu povo2.

Em 1969, quando já cumpria seu oitavo ano de prisão indefinida, foi acusado juntamente com Fleeta Drumgo e John Cluchette de assassinar um guarda (este teria sido morto em retaliação à absolvição de outro agente que havia assassinado um prisioneiro negro). Embora os governantes tenham feito o possível para manter o processo em sigilo — ao ponto de realizarem audiências secretas, sem a presença de advogados — o caso não demorou a adquirir grande repercussão, mobilizando amplos setores democráticos. Os três militantes passaram a ser conhecidos como os “Irmãos Soledad”.

San Rafael Independent Journal/UPI
Ação armada em 7 de agosto de 1970
Ação armada em 7 de agosto de 1970

Em 7 de agosto de 1970 Jonathan Jackson, irmão mais novo de George, entrou armado no Tribunal de Marin, durante uma audiência, rendeu o Juiz e libertou três presos negros. Durante a saída, chamou atenção para o caso dos irmãos Soledad.  No tiroteio que se seguiu, Jonathan foi morto. Ele tinha apenas 17 anos. Sobre o irmão, George escreveu:

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