Difundir tradição com capoeira Angola

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Desde os 16 anos de idade trabalhando a capoeira, o cearense radicado no Rio de Janeiro há 13 anos, Leandro Marron, leva essa cultura até crianças, adolescentes e adultos. Voltado para a capoeira Angola, o estilo mais tradicional, mais próximo do praticado pelos escravos, Leandro atua em vários lugares do Rio, além de viajar levando a capoeira para outros estados.

Leandro Marron, em primeiro plano à esquerda, e integrantes da Associação de capoeira
Leandro Marron, em primeiro plano à esquerda, e integrantes da Associação de capoeira

— Eu nasci capoeira, todos nascem capoeiras, ela é a corporeidade que cada indivíduo tem desde o seu nascimento até o final de sua existência neste plano, algumas pessoas percebem e a desenvolve, outras não. Ser capoeira é agir, ter ação perante o que passa na vida, tentando sempre tomar as melhores atitudes — conta Leandro.

— Aos 10 anos de idade conheci um pouco da capoeira, mas não a pratiquei de início, porque meus pais não tinham condições de pagar. Então eu via as rodas e ia por mim mesmo treinando sozinho, como autodidata. Aos 14 ganhei uma bolsa de 100%, comecei de fato a treinar no grupo e fui aos poucos descobrindo que era meu lugar — continua.

Trabalhando com crianças desde os 16 anos de idade, Leandro vê grande valor nisso.

A capoeira trabalha a corporeidade do indivíduo de modo gera

— Acredito na importância de apresentar a capoeira para as crianças, assim como muitas outras manifestações culturais, especialmente as nossas. Tendo desde criança o conhecimento, a prática e o respeito da nossa cultura, estaremos fechando as portas para muitos preconceitos, e assim também combatendo a intolerância — expõe.

— Na verdade, não deveria haver tolerância e sim aceitação, respeito. As pessoas deveriam aceitar e respeitar a cultura do próximo e não simplesmente tolerar. Para mim é muito importante a capoeira chegar até as crianças, pois nela existem vários elementos educativos, a criança cresce com mais consciência de si — fala.

— A capoeira trabalha a corporeidade do indivíduo de modo geral, ajuda a ter consciência de sua identidade, de onde ele vive e em qual cultura está inserida. O respeito também é trabalhado, pois a capoeira é uma manifestação cultural que serviu e serve para libertar, onde não se pode ter sua existência em apenas um ser, ou seja, para ela existir é necessário um coletivo — continua.

Para que haja uma manifestação de capoeira é necessário que várias pessoas se unam, fala Leandro.

A capoeira trabalha a corporeidade do indivíduo de modo gera

— É a união de pessoas fazendo acontecer. Para ter uma roda de capoeira precisamos dos músicos que compõem a bateria, dos jogadores que competem suas agilidade dentro da roda, que é também formada por pessoas que, quando não estão jogando, assistem a roda artística e cultural. Então vemos que a capoeira é uma prática que exercita o lado social do indivíduo — diz.

— É um lugar onde todos cantam, tocam, jogam, conversam e assistem. E a criança que pratica capoeira, vem exercendo toda essa prática social, aprendendo o respeito e admitindo a importância de cada um dos seres que cercam em sua volta — continua.

Retém o passado e trabalha o futuro

— A capoeira Angola é a que mais mantém as tradições, características e fundamentos do passado, trazendo elementos criados desde o início da sua formação, saberes ancestrais que se convertem em fundamentos essenciais para nossas vidas e nossa capoeira.  — explica Leandro.

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