PA: ‘Vai ter mais sangue e a culpa será de vocês!’

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Camponeses protestaram e exigiram seus direitos em uma reunião com representantes de órgãos do velho Estado ocorrida no dia 27/07 em Marabá (PA).

Camponeses exigem desapropriação de terras do latifúndio Surubim
Camponeses exigem desapropriação de terras do latifúndio Surubim

A reunião contou com a presença de camponeses da Área Revolucionária Osmir Venuto e de representantes da Ouvidoria Agrária Nacional e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Durante as intervenções, uma camponesa destacou em sua fala que qualquer ataque e assassinato que venham a ocorrer serão de responsabilidade das gerências federal e estadual de Michel Temer/PMDB e de Simão Jatene/PSDB, respectivamente, que favorecem o latifúndio e atacam os trabalhadores do campo e da cidade. A trabalhadora ainda frisou que eles não desistirão de lutar pelo sagrado direito à terra e que não temem os ataques e as ameaças de morte de latifundiários e de policiais.

Se as terras da fazenda Surubim não forem desapropriadas e entregues aos camponeses pobres, “vai ter mais sangue e a culpa será de vocês!”, afirmou incisivamente a camponesa.

Pistoleiros atacam área camponesa

Na manhã de 31/07, pistoleiros atearam fogo em uma área de pasto da Área Revolucionária Osmir Venuto, organizado pela  LCP do Pará e Tocantins, em Xinguara. O ataque não causou mortos e a queima de barracos porque os camponeses, de prontidão, impediram que o fogo chegasse ao local.

A Área Revolucionária Osmir Venuto situa-se às margens da BR-155 no meio da fazenda Surubim e conta com cerca de 250 famílias.

Três camponeses, identificados por pistoleiros do latifúndio Surubim como acampados, foram rendidos sob a mira de espingardas calibre 12 quando pescavam onde quase todos os moradores da região o fazem, sendo encaminhados para a polícia e autuados. Helicópteros realizaram vôos rasantes sobre a Área pelo menos duas vezes nas primeiras semanas de agosto.

Segundo denunciam os camponeses, o latifundiário, pretenso proprietário das terras, tem realizado constantes ameaças contra as famílias do acampamento, além de estar extraindo ilegalmente madeira da região.

Policiais assassinos liberados

Os 13 policiais responsáveis pela Chacina de Pau D’Arco foram soltos pelo judiciário do velho Estado na madrugada de 09/08.

Ataque do latifúndio contra Área Revolucionária Osmir Venuto
Ataque do latifúndio contra Área Revolucionária Osmir Venuto

A decisão do juiz substituto da Vara Criminal da Comarca de Redenção, Jun Kubota, decretada no dia 08/08, suspendeu a prisão preventiva dos 11 PMs e dois policiais civis envolvidos na chacina, que assassinou 10 camponeses no dia 24/05 na fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco.

Os policiais estavam presos desde o dia 10/07 por decisão do juiz da mesma Vara, Haroldo Silva da Fonseca, a pedido do Ministério Público.

Os camponeses que retomaram a fazenda Santa Lúcia no dia 13/06 temem que a liberação dos policiais possa gerar novos ataques e assassinatos contra os camponeses acampados e os familiares dos camponeses assassinados. Nos últimos meses, uma série de ameaças de morte contra os camponeses e testemunhas envolvidas no caso foram denunciadas. Uma lista com nomes de camponeses do Acampamento Jane Júlia e de familiares dos trabalhadores mortos estaria circulando na região.

No dia 07/07, as ameaças se concretizaram com o assassinato do dirigente camponês Rosenildo Pereira de Almeida, de 44 anos, no município de Rio Maria. O companheiro Rosenildo era militante da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Pará e Tocantins e um dos coordenadores do Acampamento Jane Júlia, situado na retomada da fazenda Santa Lúcia.

Não basta a prova da materialidade e autoria do crime, devendo ser demonstrada a necessidade da medida para fins de investigação. Da mesma forma, a gravidade dos crimes investigados também não é fundamento suficiente para a decretação da medida [de prisão]”, registrou o juiz na decisão, desconsiderando a morte de Rosenildo e o farto número de evidências que apontam a participação desses policiais no assassinato dos 10 camponeses e nas ameaças de morte aos seus familiares.

‘Nada vai deter a luta pela terra’

Na celebração de 15 anos do jornal A Nova Democracia no dia 10/08, o representante da Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres abordou a situação da luta pela terra no sul do Pará.

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O dirigente camponês frisou a importância dos camponeses terem retomado a fazenda Santa Lúcia sob a bandeira vermelha da LCP. “Isso mostra que nada vai deter a luta pela terra. Há 22 anos, no dia 09 de agosto, a Heróica Resistência de Santa Elina deslindou dois caminhos no movimento camponês. Hoje não resta nenhuma dúvida de que o caminho a seguir é o caminho da Revolução Agrária”, ressaltou o dirigente.

O dirigente também frisou que, “O latifúndio, a burguesia e o imperialismo já tentaram e tentam de tudo: chacinas, assassinatos de lideranças, prisões de lideranças, prisões em massa, como os 39 camponeses que continuam presos em Cujubim desde o dia 17 de julho; criminalização, demonização e desmoralização da luta pela terra; campanhas de apologia ao latifúndio como a do ‘agro é pop’; reforma das leis como a Medida Provisória 759 para legalizar a grilagem de terras, além da impunidade para os criminosos latifundiários e suas milícias de policiais e pistoleiros. Mas nada vai deter a luta pela terra!”.

O representante da Comissão Nacional das LCPs ainda destacou que a luta pela terra não para no país, como fica claro com a luta dos camponeses do Norte de Minas que retomaram as terras de Cachoeirinha, bem como na luta dos remanescentes quilombolas e dos povos indígenas.

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