Norte de Minas: Famílias retomam terras de Cachoeirinha

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Na noite de 03/08, a fazenda Vera Cruz foi ocupada por cerca de 40 famílias organizadas pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Sul da Bahia. Este latifúndio, situado em Verdelândia (MG), faz parte das terras que foram roubadas dos posseiros de Cachoeirinha na década de 1960.

Reunião no quilombo da Lapinha, ameaçado de despejo
Reunião no quilombo da Lapinha, ameaçado de despejo

Os camponeses anunciaram que farão o corte popular das terras tomadas do latifúndio, distribuindo-as entre os camponeses pobres da região e conformando a Área Revolucionária Nova Cachoeirinha, declara a nota do Comitê de Defesa da Revolução Agrária (CDRA) de 07/08.

“A Revolução Agrária está fazendo justiça nas terras regadas pelo suor e sangue dos camponeses e vai tomar todas as terras dos latifundiários e entregar para todos os pobres do campo!”, exaltou o CDRA.

Segundo denúncias dos camponeses contidas no mesmo documento, na madrugada de 04/08, um bando de pistoleiros, em conluio com policiais militares, atacou o acampamento efetuando disparos com armas de grosso calibre contra os camponeses, que se esconderam. Ninguém saiu ferido no ataque criminoso.

O grupo que atacou o acampamento teria sido encabeçado por um homem identificado como “Alexandrão”, que seria um contratado do latifundiário Manoel Patrício de Souza Gomes, pretenso proprietário das terras. A grave denúncia ainda relata que o filho do latifundiário teria tomado parte do ataque.

As famílias afirmaram que seguirão lutando pelo sagrado direito à terra e resistindo aos ataques e ameaças dos bandos armados do latifúndio e das forças policiais do velho Estado.

No mesmo dia da ocupação do latifúndio, a PM do gerenciamento estadual de Fernando Pimentel/PT esteve presente no acampamento intimidando as famílias e registrou um boletim de ocorrência a serviço do latifundiário Manoel Gomes.

“Mas nada disso vai nos impedir de seguir adiante, porque a população de Cachoeirinha está conosco e conhece toda a verdade dessas terras griladas”, encerra a nota, conclamando os médios comerciantes e proprietários a apoiarem os camponeses que são os responsáveis pelo desenvolvimento do comércio e da produção na região.

Ameaças de despejo

Em Matias Cardoso, dezenas de famílias do Quilombo da Lapinha estão ameaçadas de despejo. Desde 2006, os quilombolas ocupam 22 hectares da fazenda Casa Grande resistindo às ofensivas do latifúndio e do velho Estado.

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O mandado de reintegração de posse foi emitido pela Vara Agrária a favor da empresa Fazendas Reunidas Vale do São Francisco (FAREVASF), que busca expulsar os quilombolas para concretizar a venda das terras ao Instituto Estadual de Florestas (IEF).

A fazenda Casa Grande foi comprada pelo IEF, apesar de haver um acordo estabelecido em 2007 entre a Vara Agrária do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a FAREVASF – pretensa proprietária das terras – e as famílias, que levou à ocupação das terras.

O IEF é um órgão do velho Estado que tem sido denunciado pelos movimentos populares da região devido à perseguição que promove contra a pequena e média produção camponesa, sob o pretexto e discurso de “defesa do meio ambiente”.

As famílias quilombolas reafirmam sua disposição em seguir lutando pelo seu território para que possam continuar trabalhando e vivendo com dignidade.

Retomada e ameaça de remoção

Cerca de 45 famílias da Comunidade Canabrava no município de Buritizeiro também estão ameaçadas de despejo.

Os camponeses retomaram as terras da fazenda Canabrava no dia 04/08, das quais haviam sido expulsos ilegalmente no dia 18/07 pela PM do gerente estadual de Fernando Pimentel/PT. A ação ocorreu com a liminar de reintegração de posse suspensa pelo judiciário.

Segundo denúncia de apoiadores do AND no Norte de Minas, esta ação criminosa da PM preparou o terreno para que, dois dias depois (20/07), um grupo de pistoleiros, comandados pelo latifundiário Adriano Pinto Coelho Gonzaga – neto e herdeiro de Breno Gonzaga antigo proprietário do latifúndio – invadisse a comunidade, ateando fogo e passando com trator em cima do que restava das casas e pertences dos camponeses.

‘Justiça’ suspende processo

A “Justiça” federal em Ponte Nova suspendeu o processo criminal contra 22 pessoas e as multinacionais Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR pelo crime lesa-pátria premeditado na barragem de Fundão, em Mariana, em 05/11 de 2015.

Na ocasião, 19 pessoas morreram e milhões de metros cúbicos vazaram no rompimento, atingindo o Rio Doce e chegando ao mar no Espírito Santo.

Os advogados das empresas pediram a anulação do processo alegando que uma quebra de sigilo telefônico ultrapassou o período judicialmente autorizado. Mais uma vez fica exposto o caráter do judiciário como guardião dos privilégios do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo em nosso país.

Em nota publicada em novembro de 2016, Gerson Lima, da Liga Operária, já denunciava: “O judiciário podre e todas instituições burguesas são também cúmplices dos crimes das mineradoras. A Samarco (Vale e BHP Billinton, de propriedade do Bradesco e outros parasitas grupos financeiros) chantageia os comerciantes locais dizendo que vai deixar de operar se tiver que reparar a destruição, tentando, com isso, colocar o povo contra o povo, colocar-se como vítima e continuar saqueando a região e destruindo progressivamente a vida das pessoas e o meio ambiente, tudo para embolsar mais e mais superlucros”.

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