Forças Armadas nas ruas: Temer/Pezão promovem intervenção militar no Rio

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No dia 28/07, em meio à grave crise do sistema político, o reacionário e ilegítimo Michel Temer autorizou o uso das Forças Armadas nas ruas do estado do Rio de Janeiro através do decreto de “Garantia da Lei e da Ordem”, que deverá se estender até dezembro de 2018.

Ellan Lustosa/AND
Exército faz blitze em vias expressas da cidade (Ellan Lustosa/AND)
Exército faz blitze em vias expressas da cidade

Esta medida é parte da política do uso sistemático da Forças Armadas contra o povo — aplicada de forma mais intensa após a ocupação do Complexo do Alemão (novembro de 2010) e dos megaeventos da Fifa e Olimpíadas — em resposta dos gerenciamentos de turno para as classes dominantes, indicando que empregarão todo rigor na repressão contra as massas.

A intervenção conta com cerca de 10 mil agentes, dos quais 8,5 mil são soldados das Forças Armadas.

O combate ao aumento do roubo de cargas nas vias expressas da cidade — situação bombardeada exaustivamente de maneira orquestrada pelo monopólio de imprensa e que, na verdade, é resultado da gravíssima crise econômica do país, particularmente agravada no estado — serviu de argumento para esta megaoperação que está promovendo um enorme cerco às favelas localizadas às margens dessas vias — rodovias Presidente Dutra e Washington Luís, Linha Vermelha e Avenida Brasil. Assim, como incremento à repressão do povo, esta Operação faz parte do treinamento do Exército para lidar com patrulhas e blitze.

Exército faz blitze em vias expressas da cidade

Uma semana após o decreto, os militares já realizaram incursões dentro dessas favelas, incrementando o macabro cenário de guerra contra o povo. Em algumas dessas favelas, como Acari, moradores já vinham sofrendo com uma operação permanente da Força Nacional de Segurança.

É o que conta o comerciante Marcelo José, de 46 anos, que teve seu carro atingido por um desses disparos.

— Ele [policial da FNS] veio alterado e dizendo que eu “pareço bandido”. Mas eu não sou bandido. Queria saber como ele faz uma coisa dessas: atira primeiro e pergunta depois. Eu poderia estar morto. Eles estavam no meio da rua e já saíram atirando, sem perguntar nada nem me mandar parar — conta o trabalhador em entrevista ao “O Globo”, dia 27/07.

A líder comunitária e integrante do Coletivo Fala Akari, Buba Aguiar, de 25 anos, não estava na favela quando os militares do Exército chegaram ao local.

— Eu vim correndo para a favela, os moradores não paravam de me mandar mensagens dizendo que estavam sendo agredidos e humilhados. Muita gente teve o portão arrombado e a casa invadida. Não entendo como essa declaração de guerra contra as favelas vai inibir o roubo de cargas aqui na [Avenida] Brasil — questiona Buba.

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Exército invade favelas

Em 5 de agosto, cinco mil homens do Exército invadiram os complexos do Lins e Camarista Méier, da Covanca e o Morro São João, no que as forças de repressão chamaram Operação “Onerat”.

No Lins, dois homens foram mortos no Morro do Gambá. Um deles foi identificado como Jefferson Abílio da Silva Cavalcante, de 19 anos, e o outro ainda não foi procurado por parentes e não teve sua identidade divulgada. Mesmo assim, ambos já foram julgados e condenados pelo Exército e pelo monopólio da imprensa.

Exército faz blitze em vias expressas da cidade

— Ninguém aguenta viver assim. Eles chegaram aqui 4h da manhã já atirando para tudo que é lado. Dia de sábado é o dia do morador descansar, das crianças brincarem na rua, mas nós passamos a madrugada e a manhã toda no chão de casa, nos protegendo da bagunça que o Exército fez aqui. Eles são piores que a polícia, falam com todo mundo gritando, não respeitam ninguém. Eu não conhecia nenhum dos meninos que morreram, mas conheço a prima de um deles, o Jefferson, que me disse que ele estava voltando do baile quando isso aconteceu e que não tinha nada a ver com o tráfico— conta a manicure e moradora do Morro do Gambá, Wanda de Oliveira, de 42 anos.

Em meio à crise que atravessa o estado do Rio — com hospitais, postos de saúde e escolas fechando as portas, o aumento do desemprego, a elevação do número de pessoas morando nas ruas sem condições de pagar aluguel e funcionários públicos com salários atrasados há três meses —, rios de dinheiro são gastos para manter o Exército cercando e reprimindo favelas e bairros pobres da cidade. Além dos dois assassinatos, o saldo pífio da operação foi de três pistolas e duas granadas apreendidas.

A ocupação do Complexo da Maré durante um ano e meio custou R$400 milhões e, nas Olimpíadas, o envio de 23 mil homens ao Rio consumiu R$3 bilhões. Dessa vez, estima-se que serão gastos R$92 milhões.

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