A imortal memória de Frei Caneca: 200 anos das revoltas pernambucanas

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Dentre as principais lutas do povo brasileiro ao longo de mais de 500 anos de dominação (primeiro colonial e hoje semicolonial), uma das que mais se destaca é a Confederação do Equador, a mais importante luta protagonizada pelo povo nordestino pela Independência do Brasil contra o jugo colonial português.

Coleção Murillo La Greca
Frei Caneca, grande precursor da luta do povo brasileiro (Coleção Murillo La Greca)
Frei Caneca, grande precursor da luta do povo brasileiro

Eclodida em 2 de julho de 1824, em Pernambuco, a revolta se espalhou por Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Maranhão, que formaram uma nação livre do Império de Dom Pedro I, que havia dissolvido a Assembleia Constituinte. Mas, a luta do povo pernambucano contra a dominação colonial já vinha desde 1817, sete anos antes, com a Revolução pernambucana, que inaugurou as primeiras jornadas da Revolta pernambucana. À frente do movimento revolucionário, que, à época, tinha intenções separatistas, estava Frei Caneca.

Vários revolucionários foram condenados à forca, mas registros históricos apontam que os verdugos se recusaram a enforcar Frei Caneca, tamanho o prestígio que este tinha entre as massas. Porém, o religioso acabou sendo arcabuzado (uma espécie de execução realizada com arcabuzes e bacamartes parecida com um fuzilamento) no dia 13 de janeiro de 1825, no muro do Forte de São Tiago das Cinco Pontas, no Recife.

Em artigo publicado no jornal A Classe Operária em 1974 e intitulado Em memória de Frei Caneca, de assinatura do grande dirigente comunista Pedro Pomar, este concluía a homenagem com as seguintes palavras:

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“Há 150 anos do holocausto do grande herói popular, cumpre às forças revolucionárias não apenas homenageá-lo como compreender o sentido de suas ideias e de sua luta, assim como continuá-la nas novas condições históricas.Nesse período, ocorreram enormes transformações no mundo e em nosso país. O socialismo venceu em alguns países e avança vitorioso, enquanto o capitalismo está apodrecendo. As contradições sociais e políticas se aguçaram. No Brasil, as forças que se opõem ao progresso, à democracia e à independência nacional já não são senhores de terras e escravistas junto com o colonialismo português, mas sim os latifundiários e a grande burguesia associada ao imperialismo, sobretudo ao norte-americano. Por outro lado, as forças interessadas na revolução são outras, muito mais poderosas. O papel que representam é também diverso do daquele tempo. Agora, apenas uma parte da burguesia, a não-ligada aos interesses estrangeiros e à reação, pode participar da revolução, mas não encabeçá-la. Tampouco a intelectualidade progressista, inclusive a provinda do clero, tem condições de ser a vanguarda revolucionária. A direção da revolução cabe ao proletariado, através de seu Partido marxista-leninista. Nessas circunstâncias, o caráter nacional e democrático da revolução, embora permaneça formalmente o mesmo, ganhou um novo conteúdo. Sob a liderança da classe operária e na base da aliança operário-camponesa, ela será inevitavelmente vitoriosa e abrirá caminho para o socialismo. Todavia, muitas das ideias e das medidas expostas e propugnadas por Frei Caneca têm atualidade, estão na ordem-do-dia. Igualmente, o caminho revolucionário, a luta armada, e a intransigência que preconizou e revelou são fundamentalmente os mesmos que hoje devemos trilhar e praticar no combate para pôr abaixo a ditadura militar e varrer com a dominação do imperialismo estadunidense. Honra e glória eternas ao grande precursor da luta do povo brasileiro pela independência e pela democracia!”.

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