Mineração na África se alimenta de sangue

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Reuters
Jovens e crianças trabalham sob a mira de fuzis em Coltan, Congo (Reuters)
Jovens e crianças trabalham sob a mira de fuzis em Coltan, Congo

A África é o continente mais massacrado, dilacerado por conflitos armados (agressões imperialistas e guerras civis), espoliado pelo imperialismo em partilhas e repartilhas,  onde a miséria nos apresenta as imagens mais impactantes e perturbadoras. Entretanto, são relativamente escassas nos meios de comunicação tradicionais as informações sobre a exploração dos recursos naturais e matérias-primas provenientes da África, bem como dos conflitos e da resistência popular à destruição provocada pelos grandes projetos de mineração, exceto quando atingem dimensões de tragédias internacionais.

Invariavelmente as guerras fratricidas na África têm como pano de fundo o controle de reservas de metais ou pedras preciosas, ou outros minerais estratégicos para as transnacionais. Hoje em dia, pouca gente se dá conta de que, enquanto sonha com a compra do próximo smartphone, milhares de africanos se esfalfam em trabalho servil ou pessimamente remunerado nas minas de columbita-tantalita (coltan), tungstênio, ouro e outros metais essenciais para a indústria eletroeletrônica.

Em geral, o que se vê como característica da resistência popular a grandes projetos de mineração na África é diferente da América Central, por exemplo.

Os centro-americanos, em movimentos mais organizados e massivos, conseguem algumas vitórias, mesmo que temporárias, pressionando o velho Estado a proibir ou procrastinar a instalação de projetos mineradores.

Já os movimentos de resistência africanos esbarram, além das dificuldades comuns a todos os povos em luta, em disputas étnicas que não respeitam as fronteiras dos países, já que o problema nacional naquele continente é muito mais complexo. Assim, os Estados muitas vezes nem se dão ao trabalho de regular conflitos desse tipo, que acabam desembocando em confrontos de grupos paramilitares, isso quando já não estão imersos em guerras civis.

Entretanto, nenhuma dúvida paira sobre o caráter desses Estados semicoloniais, sempre prontos a atender as requisições imperialistas o mais rápido possível, eliminando barreiras e escancarando reservas naturais e parques nacionais à sanha dos monopólios.

Moçambique

O caso mais recente noticiado pelo monopólio da imprensa internacional envolve o assassinato, em 13/07 último, de um jovem de 25 anos, Hussem António Laitone, membro da comunidade Nhanchere, na vila Moatize, que resiste contra a tomada de seu território pela Vale Moçambique, uma operação da “brasileira” Vale naquele país.

Hussem foi baleado em casa, durante protesto dos moradores, que exigem abertura de acessos para a área da Vale, onde ficam o pasto de seu gado e área de coleta de lenha da comunidade.

Nigéria

A região do Delta do rio Niger é palco da extração de petróleo desde a década de 1950. É quase impossível mensurar os imensos impactos ambientais e sociais provocados pela atividade.

Os protestos populares são respondidos não só pela repressão oficial do velho Estado, mas também por grupos paramilitares locais, com detenções ilegais, torturas, execuções e desaparições.

O assassinato do poeta e líder comunitário Ken Saro Wiva, em 1995, deu repercussão internacional a esse conflito, mas o acesso ao judiciário na Nigéria (como em quase todas as semicolônias) é quase impossível, e ninguém foi punido.

África do Sul

O assassinato de Sikhosiphi Radebe, no dia 22/03 deste ano, expôs ao mundo a resistência da população do Cabo Oriental, na África do Sul, contra a instalação de uma mina de titânio no litoral do Oceano Índico e a construção de uma rodovia para facilitar o trânsito dos veículos da mineração.

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