Crise na saúde é assassinato de trabalhadores

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A crise na saúde no estado do Rio de Janeiro segue afetando milhões de trabalhadores que dependem dos serviços públicos. No fim de julho e início de agosto, a gerência municipal do bispo Marcelo Crivella/PRB havia ameaçado o fechamento de 11 unidades da Clínica da Família, na Zona Oeste da cidade.

O anúncio do violento ataque ao já decadente sistema de saúde público gerou intensa revolta na população. Milhares de profissionais realizaram protestos no Centro da cidade, fazendo com que a prefeitura, no dia 1º de agosto, voltasse atrás quanto ao fechamento das clínicas.

Também pressionado pelos massivos protestos dos servidores da saúde que se levantaram quase que imediatamente após a declaração do gerenciamento municipal, Crivella e a “Organização Social” chamada Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), que administra as unidades de atenção básica, promoveram uma negociata que estabeleceu uma redução de 4,6% das verbas destinadas às unidades da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, e não mais os 65% propostos anteriormente.

Ou seja, Crivella havia anunciado ao Iabas uma redução do repasse de 11,7 milhões para 4 milhões, e a redução de 127 para apenas 38 equipes. No entanto, agora, depois da pressão popular, o corte será de “apenas” 520 mil.

As “autoridades” alardearam isso como uma “preocupação da prefeitura com a saúde”, como se o corte de 6,4% não ocorresse em meio à completa ruína do sistema público de saúde estadual e federal. 

Calamidade municipal, estadual e federal

A crise na saúde no Rio não atinge apenas as unidades municipais, mas também as estaduais e federais. Para se ter uma ideia, no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte, 70 médicos foram demitidos em julho, e setores como o de proctologia e urologia foram fechados, sem contar os atrasos nos repasses. As cirurgias eletivas, que não têm urgência, estão sendo adiadas. Pacientes relatam que ratos foram encontrados e que a água que sai dos sanitários escorre para a enfermaria.

Mesmo diante de tamanha calamidade, os cortes em relação aos anos anteriores vêm aumentando com a desculpa da “crise”, enquanto o estado gasta rios de dinheiro com ocupações policiais em favelas. Em entrevista ao monopólio da imprensa, o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior, disse que houve uma redução de R$ 1,3 bilhão da rede.

Quanto às unidades federais, o Hospital Federal Cardoso Fontes é caso emblemático da situação caótica. Pacientes que frequentam ou frequentaram a unidade recentemente denunciaram o abandono de áreas e a lotação dos corredores, sendo que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da região estão superlotadas ou fechadas.

Isso acarreta a seguinte situação: o Cardoso Fontes tem recebido o triplo de sua capacidade, que soma 22 leitos. Somente no mês de maio, o hospital perdeu 30 técnicos de enfermagem e nos locais que cabem cerca de 12 pacientes, 23 são atendidos de forma precária.

Trabalhadores se organizam

Entre as organizações de trabalhadores que politizam a luta em defesa da saúde, está o Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo (MCDSP), que tem participado das principais mobilizações no Rio de Janeiro.

Destacamos abaixo um trecho do comunicado do movimento, divulgado durante manifestações da categoria, que denuncia a velha política dos “governos” reacionários de sucatear para depois privatizar os serviços públicos. Destaca o MCDSP:

“Não é de hoje que estamos sempre atentos com os desmontes que o poder público tem feito no SUS. Já temos visto nos últimos meses a precarização dos Hospitais Federais e Estaduais, com demissões, corte de verbas e falta de materiais e medicamentos, além de assédio moral sofrido por quem se manifesta. Tivemos grandes perdas, com a aprovação da lei que congela em 20 anos os gastos com saúde e educação. Além disso, a aprovação da reforma trabalhista que precarizará ainda mais as relações de trabalho. Os estados e municípios vêm implantando as Organizações Sociais (OSs) e EBSERH (Empresas Brasileiras de serviços Hospitalares) como modelo de gestão dos serviços públicos na área da saúde: empresas que visam o lucro, causando prejuízos a partir do superfaturamento na saúde, precarização do trabalhador que vive rotinas de assédio moral e, com isso, a consequente piora do atendimento à população. Esse processo afeta os hospitais, a rede de Saúde Mental e a Atenção Primária à Saúde (clínicas da família).”

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