Um povo que Trabalha e Resiste

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Após operações de repressão contra os vendedores ambulantes (popularmente chamados de camelôs) pela Guarda Municipal (GM) de Marcelo Crivella/PRB na cidade do Rio de Janeiro, a equipe de AND visitou alguns locais em que concentram esse comércio.

Ali nós pudemos verificar o verdadeiro quadro no qual ocorre o sufocamento de uma população que luta para sobreviver em meio à profunda crise, o desemprego, a precarização de serviços básicos de saúde e educação, situação provocada  pelo velho Estado corrupto e serviçal do capital monopolista.

No dia 28/08, uma segunda-feira, a GM fez uma operação para reprimir o comércio ambulante no centro de Bangu. O ataque contra os trabalhadores resultou em um confronto, no qual os camelôs resistiram bravamente.

No dia 01 de setembro, sábado, a equipe de reportagem do AND foi à Bangu para averiguar o ocorrido.

Pegamos o trem na Central do Brasil rumo ao nosso destino. Por ali mesmo já notamos uma grande quantidade de vendedores ambulantes. Em entrevista, camelôs relataram que a quantidade de vendedores ambulantes cresceu muito devido ao enorme desemprego e falta de opção para sobrevivência.

Um dos camelôs resolveu falar à equipe: — Eu tenho uma família para sustentar, mulher e uma filha. Tenho que levar comida para casa. Antes eu trabalhava num lava-jato, comecei a trabalhar cedo, sempre em comércio alternativo, pois desde cedo tive que ajudar na sobrevivência.

Um outro camelô, entrevistado na Uruguaiana, região conhecida pela alta concentração de camelôs no centro do Rio, relatou que o salário mínimo não é suficiente. Ele afirmou que é obrigado a arriscar-se como camelô para conseguir sobreviver.

— Eu não aceitaria [um trabalho com carteira assinada], pois o salário pago em carteira não é compatível com as necessidades, paga-se muito pouco.

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‘Preciso trabalhar e sustentar a família’

Chegando ao centro de Bangu encontramos um lugar repleto de guardas municipais, cães, viaturas e pouquíssimos camelôs. Ao entrevistar um ambulante que atuou na resistência, ele declarou prontamente:

— Foi um dia de confronto, sim. Nós resistimos ao máximo, não sairemos e vamos resistir. E prosseguiu:

— Essa é a nossa sobrevivência. Não tenho opção de emprego, ou eu fico ou eu vou para o crime. E isso eu não quero. Muitos jovens que aqui trabalham já tiveram passagem por tráfico e tentam sobreviver com um trabalho honesto. Acontece que por ter alguma passagem na polícia fica ainda mais difícil de arranjar um trabalho, essa é a única alternativa que se tem — explicou o trabalhador.

— Eles [a GM] vieram a mando dos comerciantes que não querem que nós fiquemos por aqui, pois oferecemos concorrência. E denunciou: — Antes de vir aqui nos tirarem, eles foram ao depósito que guardamos nossas mercadorias e recolheram tudo, nos deixaram sem nada. Depois, vieram em grande quantidade com cães e quiseram nos retirar a força.

— Nós resistimos e vamos resistir, não adianta ficar nos sufocando, preciso trabalhar e sustentar minha família! — disparou o camelô.

Ele concluiu expondo o grande dilema dos vendedores ambulantes nessa onda de criminalização.

— Além de mim, aqui perto tem quatro jovens que estão tentando trabalhar honestamente vendendo suas mercadorias, eles já passaram pelo tráfico, não querem voltar, mas serão obrigados caso não consigam trabalhar — pontuou.

Essa é a situação em um país atolado em profunda crise geral do capitalismo burocrático, com 14 milhões de desempregados (em números subestimados) e onde o salário real do trabalhador é, em média, inferior ao do trabalhador chinês ou tailandês.

Um país em que o povo sem saúde e educação tenta sobreviver e é impedido de ganhar a vida honestamente, um país em que 50 mil pessoas são assassinadas ao ano e uma imensa massa carcerária, em meio à uma guerra civil reacionária.

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