Temer/PMDB/PSDB aprofundam entreguismo

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Uma avassaladora onda de privatizações foi recentemente anunciada pelo gerenciamento vende-pátria de Temer/PMDB/PSDB. O conselho do "Programa de Parcerias de Investimentos (PPI)", comandado pelo Executivo e encabeçado pelo preposto do FMI, Henrique Meirelles, promove uma verdadeira cruzada privatista, remontando ao período do gerenciamento de FHC/PSDB, que, em 2002, foi muito bem qualificado na manchete da edição nº 5 de AND como O mais imoral e vende pátria de todos os tempos.

Vinci Airports
Empresas imperialistas europeias como a francesa Vinci e a alemã Fraport irão assumir aeroportos pelo país (Vinci Airports)
Empresas imperialistas europeias como a francesa Vinci e a alemã Fraport irão assumir aeroportos pelo país

No entanto, enganam-se os que creem ou, ardilosamente, buscam fazer crer que a privatização de serviços "públicos" é uma exclusividade dos políticos tucanos, como se fosse uma característica intrínseca à lógica política "neoliberal" dessa legenda do Partido Único.

Nos mais de 13 anos em que estiveram no centro do controle do velho Estado, petistas e sua frente única eleitoreira especializaram-se nesse expediente. Basta lembrar de seu "Programa de Investimento em Logística" que, anunciado em agosto de 2012, resultou na "concessão" de mais de 7,5 mil quilômetros de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias para o setor privado. Além do mais, já em fevereiro do mesmo ano, leiloaram os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília1.

"Vale a pena ver de novo" a ação combinada entre os monopólios transnacionais (imperialismo), o gerenciamento semicolonial de turno e o monopólio de imprensa. Mais uma vez, coube à Globo a arquirreacionária missão de preparar terreno junto à "opinião pública" para justificar tais medidas, que aprofundam o jugo semicolonial de nossa economia e solapam nossa já frágil soberania nacional.

Diuturnamente, discursos e entrevistas de tecnocratas a soldo da banqueirada repetem falaciosos argumentos que apresentam as privatizações como solução para "atrair investimentos" e assegurar a "recuperação da economia".

A privataria do bandido Temer

O Temer PMDB/PSDB e sua quadrilha anunciaram no dia 23 de agosto um plano de realizar, imediatamente, 57 novas privatizações. Entre os itens colocados à sanha dos monopólios transnacionais neste último pregão, estão portos, aeroportos, rodovias e até mesmo a Casa da Moeda.

Em setembro de 2016, menos de um mês após assumir o gerenciamento semicolonial do país, já havia anunciado outras 34 privatizações. Dentre os monopólios que se beneficiaram da privataria de Temer e sua quadrilha estão empresas alemãs, francesas e suíças2.

Apesar dos gerenciamentos de turno sempre apresentarem números fabulosos que, supostamente, justificariam as "concessões" à iniciativa privada, o próprio presidente da Infraero, Antônio Claret de Oliveira, anunciou que a privatização dos aeroportos "gerariam gastos extras de mais de R$ 3 bilhões por ano ao governo federal"3, o que manteria a estatal no vermelho por mais de 15 anos, com um déficit de cerca de R$ 400 milhões anuais.

Da mesma forma, não se justificam os argumentos de "eficiência" e "sustentabilidade" difundidos pelos paladinos do mercado. A privatização da Eletrobrás, por exemplo, não representará, segundo especialistas, uma redução dos custos para o consumidor, mas, ao contrário, pode repercutir em aumento entre 2% a 5% nas contas4.

Importante lembrar da criminosa entrega do Pré-sal aos monopólios transnacionais5, sancionada ainda em 2016, ademais da conclusão da privatização da Petrobrás, objetivo estratégico perseguido pelo núcleo-duro do establishment que opera por detrás da já capenga Operação "Lava Jato", com seus discursos hipócritas "contra a corrupção".

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Semicolonialidade aprofundada

É necessário deixar claro que, dentro dos limites impostos pelo capitalismo burocrático engendrado pelo imperialismo no país, não há como falar em "empresas públicas".

Todo o capital monopolista, incluído o estatal, está nas mãos das classes dominantes reacionárias – da grande burguesia e do latifúndio serviçais do imperialismo, principalmente ianque – que, por meio de seus grupos de poder, brigam por controlar o aparato do velho Estado. Nenhuma dessas empresas, sem exceção, serve ao povo, mas sim aos interesses dos monopólios (nacionais e estrangeiros) representados nos diferentes grupos de poder e em todas as siglas do Partido Único das classes dominantes.

As privatizações aprofundam o entreguismo que caracteriza os sucessivos gerenciamentos de turno e, portanto, a semicolonialidade: as empresas ou instituições privatizadas deixam de compor um capital de Estado burocrático-latifundiário e semicolonial para compor diretamente um capital privado transnacional.

Um exemplo claro do resultado dessas privatizações é o crime premeditado das mineradoras multinacionais Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR, na Barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015 e que resultou na morte de 19 pessoas, além da destruição, em grandes proporções, do meio natural.

Nesse revoltante episódio, que escandalizou a opinião pública nacional e internacional, ficou ainda mais explícito a voracidade rapace desses monopólios transnacionais, que só se preocupam em aumentar exponencialmente os seus lucros e em elevar à última potência o saqueio semicolonial do país.

No último mês, a "justiça" federal suspendeu o processo criminal contra as mineradoras6. Este é um caso emblemático de como se perpetua a condição semicolonial de nosso país e do papel que cumpre nesse processo o velho Estado e suas podres instituições (incluindo o judiciário).

Enquanto isso, o cadáver político insepulto Temer segue em sua via sacra pelo mundo afora, afirmando que "não existe crise" e oferecendo apressadamente o suor e sangue de nosso povo na bandeja para as potências e superpotências imperialistas.

Somente destruindo todo o latifúndio sob o lema de "terra para quem nela trabalha", confiscando todo o capital burocrático-comprador (grande burguesia) e todo o capital transnacional (imperialismo) poderemos estabelecer uma nova economia, que sirva ao bem-estar geral do povo e ao progresso e independência da Nação.

E é evidente que transformações desta envergadura jamais poderão ser operadas por meio do jogo de cartas marcadas do sistema político da farsa eleitoral. Para conquistar independência e soberania verdadeiras, O Brasil precisa de uma Grande Revolução!.


Fontes:

1 - http://mepr.org.br/midia/documentos/jornais/jep/jep16.pdf

2 - http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/conheca-os-grupos-que-vao-assumir-as-concessoes-de-4-aeroportos-no-brasil.ghtml

3 - http://g1.globo.com/economia/noticia/leilao-de-aeroportos-vai-custar-r-3-bilhoes-extras-ao-governo-alerta-presidente-da-infraero.ghtml

4 - http://economia.ig.com.br/2017-08-26/eletrobras.html

5 - http://folha.uol.com.br/mercado/2017/05/1880746-governo-temer-oferece-pre-sal-em-regime-de-concessao.shtml

6 - http://anovademocracia.com.br/no-194/7308-norte-de-minas-familias-retomam-terras-de-cachoeirinha

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