Aumenta a repressão e a luta mapuche no Chile

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Quatro mapuche presos estão em greve de fome

Ativistas e mapuche cortam rodovia em Lonquimay, no fim de setembro, contra a repressão
Ativistas e mapuche cortam rodovia em Lonquimay, no fim de setembro, contra a repressão

Quatro presos políticos mapuche seguem há mais de quatro meses em greve de fome contra uma “prisão preventiva”, que já passa de um ano e três meses. Os quatro mapuche são acusados de empreender um “incêndio terrorista” em um processo repleto de incoerências jurídicas.

Os grevistas são Lonko Alfredo Tralcal Coche, 45 anos; e os irmãos Ariel Alexis Trangol Galindo, 29 anos e Benito Rubén Trangol Galindo, 33 anos; e Pablo Iván Trangol Galindo, de 22 anos.

A greve de fome, iniciada em 7 de junho, é por tempo indeterminado e tem como exigência o fim da “prisão preventiva” e da utilização das “testemunhas sem rosto”. A pauta do fim do enquadramento do caso na “lei de antiterrorismo” foi conquistado após intensa mobilização. Segundo a advogada Pamela Nahuelcheo, os grevistas, presos na cadeia de Temuco, estão em grave situação de saúde. Lonko Alfredo Tralcal foi hospitalizado com hemorragia interna no dia 27/09, enquanto outros três (que são irmãos) encontram-se em grave estado de saúde.

Abusos e incoerências

Os mapuche são acusados de um incêndio contra uma igreja em Padre Las Casas, no setor Niágara, no dia 9 de junho de 2016. No entanto, os mapuche, em comunicado público emitido em julho, denunciam uma série de incoerências na acusação. “Nossa detenção ocorreu a mais de 10 quilômetros do local [onde ocorreu o incêndio], sob o pretexto de um controle de identidade, e os únicos elementos que encontraram conosco foram nossas ferramentas próprias do trabalho da terra”.

Eles afirmam ainda que o processo se trata de uma perseguição: “Declaramos que este processo obedece a uma investida judicial dos promotores anti-mapuche que operam a favor dos poderes com interesses em nosso wallmapu: florestais, hidrelétricas, colonos e igreja, e que nosso encarceramento se dá no desespero por incriminar-nos pela violência que o Estado chileno implantou desde o momento que decidiu ocupar militarmente nossa Nação-Mapuche”.

Os mapuche, provenientes de Araucanía, estão detidos sem provas e em condições assinaladas como irregulares, abusivas e desproporcionais, denunciou a defesa.

O velho Estado chileno chegou a enquadrar o caso na absurda “lei antiterrorismo”. As acusações sustentam-se ainda em “testemunhas sem rosto”, recurso absolutamente inconsistente herdado do regime de Pinochet que consiste em considerar judicialmente testemunhas sem apresentar qualquer identificação das mesmas.

Vitórias e lutas

A gerência reacionária de Michelle Bachelet foi obrigada a retirar o enquadramento do caso na tipificação da “lei antiterrorismo” após intensa luta da campanha em defesa dos presos políticos e da tenaz greve de fome, utilizada como último recurso. Os mapuche, no entanto, seguem presos.

A luta dos mapuche nas masmorras do velho Estado mobilizou em solidariedade setores democráticos e movimentos populares e combativos.

Estudantes da Universidade da Fronteira (Ufro), em Temuco, tomaram um dos edifícios da instituição em apoio aos presos políticos mapuche. Os estudantes lançaram também protestos contra a Operação “Huracán”. Em nota publicada no dia 26/09, eles denunciam as prisões como políticas e declaram apoio.

A Frente de Estudantes Revolucionária e Popular (FERP – Chile) também se pronunciou, destacando que a repressão e a Operação “Huracán” são respostas desesperadas do velho Estado ante o avanço das retomadas do povo Mapuche.

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