AL: Camponeses resistem à operação de guerra em Rio Largo

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O velho Estado realizou uma operação de guerra contra os camponeses do Acampamento da Fazenda Várzea Grande, em Rio Largo (AL), buscando aterrorizá-los e intimidá-los com o intuito de expulsá-los das terras que ocupam desde o dia 27 de agosto. Os camponeses, em nota da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Nordeste, exigiram a retirada imediata das forças policiais do local.

Ato em apoio ao Acampamento lota sala em Maceió, 11/10
Ato em apoio ao Acampamento lota sala em Maceió, 11/10

“Toda esta mega operação do governo de Alagoas, Usina Utinga Leão e forças da repressão, além de tentar intimidar e abafar a luta, demonstra o desespero do velho Estado e dos usineiros com a iminência de grande levantamento de massas no campo.”, ressaltou a LCP.

No dia 5 de outubro, horas após um levantamento realizado pelo Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral) no Acampamento da Fazenda Várzea Grande, policiais ocuparam uma área ao lado deste acampamento para um suposto “treinamento” de um mês, que conta com a participação de cerca de 800 agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da PM e auxílio de caminhões do Exército.

Os policiais invadiram sem qualquer mandado judicial o acampamento e revistaram todas as famílias e os seus barracos, desrespeitando os camponeses e tratando-os como criminosos. Um helicóptero do Bope sobrevoou a área camponesa fazendo voos rasantes em clara atitude de intimidação.

Segundo a nota da LCP do Nordeste, os policiais se instalaram em uma área de mata próxima ao Acampamento da Fazenda Várzea Grande. Sons de gravações de gritos de pessoas torturadas e gritos de guerra dos militares, além dos sons de disparos de arma de fogo e bombas lançadas, foram ouvidos pelos camponeses.

Os camponeses denunciaram que qualquer crime praticado contra eles será de responsabilidade das gerências estadual e federal de Renan Filho e Michel Temer, respectivamente, ambos do PMDB.

“Não aceitamos nossa luta ser tratada como caso de polícia e os camponeses como criminosos! Queremos terra para nela trabalhar e viver, e não arredaremos o pé dos nossos objetivos! Levantamos uma reivindicação democrática, que levará mais fartura e comida fresca para mesa de nossas famílias e de toda a cidade!”, frisou nota da LCP.

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Ato em apoio a acampamento

Um ato público em solidariedade ao Acampamento da Fazenda Várzea Grande e contra a criminalização da luta pela terra reuniu mais de 80 pessoas, entre camponeses, professores e estudantes, em uma sala de aula da Faculdade de Serviço Social (FSS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Maceió, no dia 11/10.

Na atividade, organizada pela LCP do Nordeste e pelo Comitê em Defesa da Revolução Agrária (CDRA), os camponeses divulgaram a luta que travam pela posse das terras da fazenda Várzea Grande.

Durante as falas, os trabalhadores enfatizaram que quanto maior a repressão do latifúndio em conluio com o velho Estado, maior será a resistência camponesa. Também afirmaram que o terror imposto pela polícia não irá fazê-los abandonar as terras ocupadas.

Os professores da FSS frisaram a importância da universidade em apoiar ativamente a luta camponesa combatendo as mistificações que se fazem sobre o campo brasileiro.

Velho Estado criminaliza a luta

Os camponeses do Acampamento da Fazenda Várzea Grande se reuniram com representantes dos órgãos do velho Estado e da Usina Utinga Leão para debater a posse das terras da fazenda. Os trabalhadores tiveram suas falas cerceadas durante a reunião ocorrida na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública, em Maceió, no dia 03/10.

Na reunião, os camponeses denunciaram as ameaças praticadas por pistoleiros que circulam pelo acampamento encapuzados, buscando intimidá-los e expulsá-los das terras. Durante a reunião, um dos representantes da Usina Utinga Leão alegou que os 87 “vigilantes”, equipados com 14 motos e dois carros, “não agrediram ninguém” e fazem apenas a “proteção” do latifúndio.

O tom das falas dos representantes de órgãos do velho Estado, em sua maioria policiais, foi de criminalizar a luta pela terra. Além disso, as “autoridades” e os representantes da Usina Utinga Leão buscaram intimidar os camponeses e apoiadores presentes na reunião, acusando os camponeses de bandidos e se silenciando sobre as denúncias feitas.

Estiveram presentes vários representantes das forças policiais, tais como o Secretário de Segurança Pública, Paulo Domingos Lima Júnior; o Secretário Executivo de Políticas da Segurança Pública, Manoel Acácio Júnior e o comandante da PM de Alagoas, o coronel Marcos Sampaio. Também estiveram presentes integrantes do Iteral e da Ufal.

Ameaças de pistoleiros

No mesmo dia 3, os representantes da usina, escoltados pelos pistoleiros, fotografaram a área ocupada pelos camponeses. Dois dias depois, ocorreu a delimitação da área do Acampamento da Fazenda Várzea Grande ao invés da delimitação de toda a fazenda. Segundo a ata da reunião, o objetivo da medição é de “avaliar a área e delimitar para que não haja ampliação da área ocupada”. Esta medição foi realizada com base em intimidações por funcionários do Iteral acompanhados por policiais do Centro de Gerenciamento de Crises da PM e representantes da Usina Utinga Leão.

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