O futuro pertence a Espártaco!

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Desde o surgimento da sociedade de classes, a história da humanidade registrou acontecimentos extraordinários nas ferozes lutas que os oprimidos travaram para se libertar dos grilhões que os aprisionam. Dentre essas lutas, levadas a cabo pelas massas rebeladas e dirigidas por verdadeiros amantes da vida e da liberdade, destacamos, neste artigo, a epopeia do escravo Espártaco, imortalizada na obra do escritor estadunidense Howard Fast (1914-2003), um dos maiores clássicos da literatura revolucionária.

Angus McBride
A rebelião liderada por Espártaco fez tremer o Império Romano (Angus McBride)
A rebelião liderada por Espártaco fez tremer o Império Romano

O livro Espártaco é uma ficção histórica que se passa durante os episódios que remontam os anos 73-71 a.C., quando os escravos protagonizaram uma série de revoltas contra o Império Romano, fato que ficou conhecido como a Terceira Guerra Servil, a última deste tipo contra o domínio romano. A obra de Howard Fast, além de capturar o espírito altivo dos escravos e as miseráveis condições sociais em que viviam, é também uma obra que traz profundos questionamentos sociais e filosóficos acerca do papel do Estado, da justiça, da escravidão, das relações humanas, da forma com que a sociedade romana lidava com a escravidão e, ainda mais, sobre a luta de classes.

Nisto reside uma semelhança com os tempos atuais, afinal, por mais que milênios tenham se passado, a sociedade ainda continua dividida entre classes exploradoras e exploradas; a pobreza, as humilhações e as injustiças ainda são, como naquela época, infelicidades que pesam sobre os ombros das classes e povos oprimidos do mundo.

Howard, ao começar a sua magistral obra, apontava que ela era “uma história de homens e mulheres indômitos que viveram há muito tempo, mas cujos nomes jamais foram esquecidos. Os heróis desta história amavam a liberdade e a dignidade e viveram nobre e honradamente”. E fazia os votos para que “Possam os que lerem dela tirar forças para o nosso futuro conturbado e, também, lutar contra a opressão e o mal, a fim de que o sonho de Espártaco se realize em nosso tempo”.

O ‘fantasma’ de Espártaco

Três jovens da nobreza saem de Roma em direção à Cápua pela formosa Via Ápia, símbolo do progresso, e, no trajeto, deparam-se com incontáveis escravos crucificados. No meio da viagem, eles param para descansar na luxuosa Villa Salaria, onde estavam hospedadas algumas figuras da política romana, como o general Crasso, que comandou o combate aos escravos pouco tempo antes.

Brian Palmer
Legiões romanas foram esmagadas pelos escravos  (Brian Palmer)
Legiões romanas foram esmagadas pelos escravos

Nas relações que estabelecem estes romanos, entre vaidades, traições e bajulações, entre conversas e na recente memória, uma figura parece os assombrar: a lembrança do escravo Espártaco, que, diziam, era um trácio de feições simpáticas, nariz quebrado, parecido com uma “ovelha”; alguém que nunca viram, mas que os ameaçava como um fantasma.

Não por casualidade, a lembrança de Espártaco fazia tremer não somente estes parasitas hospedados na Villa Salaria, mas toda a classe dominante escravocrata romana, generais, burocratas e membros do senado.

Após ser humilhado em diversas regiões e tipos de trabalho escravo, Espártaco foi forçado a ser gladiador. Participava dos “espetáculos” em que a vida humana nada valia. Os duelos entre gladiadores eram macabros espetáculos da morte que alegravam os romanos, que não sorriam propriamente da “morte”, pois a vida de um escravo não era uma “vida humana” para eles. Espanhóis, africanos, trácios, gauleses, gregos, judeus, enfim, os bárbaros, todos eram humilhados e castigados de forma brutal pelo Império Romano.

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