Choro arruma o coreto

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Há dez anos um grupo de chorões, liderado pela flautista Ana Caetano, se reúne todos os domingos em uma praça no Rio de Janeiro para tocar choro, divertir e divulgar o gênero para quem passa por lá. A roda, chamada Arruma o Coreto, já homenageou diversos artistas de choro e se prepara para lançar um DVD contendo sua história e muita música.

Arruma o Coreto, já homenageou diversos artistas de choro

— Comecei a estudar choro em 2004, na Escola Portátil, e um pouco depois participei de uma roda, o que achei muito legal. Tive então a ideia de fazer uma roda com o pessoal que conhecia. Falei com o Arnaldo, meu marido. Ele foi no botequim daqui de frente e conseguiu que emprestassem as cadeiras. Assim começou o Arruma o coreto, no primeiro domingo de maio de 2007 - conta Ana Caetano.

— E a partir dali a coisa foi crescendo, se espalhando, outras pessoas começaram a vir, tanto que não coube todo mundo no coreto e tivemos que descer, fazer embaixo, perto do coreto da praça. Recebemos pessoas de todo o país e também gente do exterior – continua.

— Quem nos conhece e quer de alguma maneira tocar, treinar o seu conhecimento, gosta de choro e de tocar em uma roda, acaba aparecendo. E sempre vão mudando as pessoas, uns vão saindo e outros vão chegando - acrescenta.

A Escola Portátil de Música é especializada em choro, maiores detalhes da iniciativa estão na edição 21 do AND.

— Sou profissional da área de informática. Somente no ano 2001, quando meus filhos foram para Portugal morar com o pai foi que eu passei a ter tempo para fazer alguma coisa do meu agrado. A partir daí que fui resgatar uma vontade que tinha desde criança de estudar flauta. Estudei em uma escola de música aqui perto, e depois, de 2004 a meados de 2010, na Escola Portátil. Em paralelo estudei por três anos na Escola Villa-Lobos - relata.

— Não conhecia praticamente nada de choro, foi na Escola Portátil que tive esse contato e me apaixonei. Lá era ótimo, entre outros motivos, por causa do trabalho de garimpagem que fazem, resgatando obras de compositores que as pessoas nem conhecem e passando para os alunos - comenta.

Ana afirma ser gratificante ter acesso a esse material e que, embora não esteja mais na Escola Portátil, continua tendo acesso a ela.

— Tem gente que toca comigo e que ainda está lá. Eles me enviam as partituras, mp3 ou o nome da música e se aparece alguém na praça com uma música nova e eu gosto, levo para casa, estudo e daqui a pouco estou tocando. Assim o repertório vai crescendo. Pela orientação das aulas da Escola [Portátil] muita gente começou a entender, perceber a riqueza de cada música, dos arranjos, da maneira de se tocar, as nuances do choro – fala.

— Vimos o quanto é rico musicalmente e desafiador, porque são músicas difíceis de se tocar. Os compositores são muito interessantes e quando conhecemos suas vidas, de onde eram, o que faziam, vamos percebendo porque o seu choro é mais sambado ou menos sambado, mais lento – continua.

Diversão e divulgação do choro

— Vamos passando por todos os compositores, a época que viveram e vendo a evolução dos choros, até chegar nos chorões da atualidade, como o Maurício Carrilho. No Arruma o Coreto nós temos duas pessoas que compõem: o Isaías, que é maestro, e o Roberto. E têm outras pessoas que compõem choro e também passam pela roda – conta Ana.

Ela vê o Arruma o Coreto, além de uma satisfação, como um espaço para divulgar o choro, levá-lo até pessoas que saem para passear, brincar com os seus filhos na praça, alcançando até mesmo as crianças; gente que antes não tinha o menor contato passa a ter.

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