Iraque e Palestina - Limitações e desafios da resistência árabe

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O desenvolvimento da resistência do povo iraquiano contra a ocupação político-militar da coligação imperialista encabeçada pelo USA e a resistência do povo palestino contra a ocupação sionista e sua truculência nos territórios palestinos têm revelado ao mundo a grandeza do povo árabe pela sua libertação e autodeterminação. É ainda um exemplo imortal para toda a humanidade de como um povo de um país esmagado pelo imperialismo pode colocar-se de pé e lutar contra as forças mais retrógradas da história. A luta do povo árabe pela sua libertação e autodeterminação é uma árdua e prolongada luta e nos dias atuais, no Iraque e Palestina ocupados, reedita o exemplo belo de dignidade das massas populares oprimidas ao longo da história.

A resistência popular através da guerra de guerrilhas uma vez mais na história se afirma como a arma invencível das massas oprimidas. Mais que nunca, na época das guerras mais modernas, na época dos meios de guerra mais desenvolvidos, das altas tecnologias, a guerra de guerrilhas segue impondo golpes demolidores na superioridade bélica dos opressores. De que tem valido todo o arsenal fantástico e tido como todo-poderoso do imperialismo ianque? Se o povo iraquiano não pôde deter, como regra geral nenhum país hoje, objetivamente poderia impedir uma investida das forças militares e bélicas ianques, tomados isoladamente, está provando que passada a invasão a guerra se modifica completamente e a resistência ganha força. São os países e povos oprimidos que, como maiores vítimas do sistema de dominação e exploração imperialista, estão provando uma vez mais que mesmo um pequeno país, desde que este se una e se levante, pode enfrentar os todo-poderosos opressores. A guerra de resistência do povo iraquiano e palestino está dando provas de que a guerra de guerrilhas e que somente através dela é possível fazer frente ao imperialismo e lutar de fato e honradamente em defesa da libertação e autodeterminação. Enquanto governos lacaios se comportam como vermes, uns e outros, das formas mais cínicas, desfilam pelo mundo e pelos meios de comunicação dos monopólios imperialistas, dando a si ares de soberania inexistente, os povos combatem uma guerra brutal e desigual. Enquanto governos se exibem com proposições grandiloquentes de “salvadores dos pobres” e de “descobridores da pólvora”, a guisa de um brilho que não possuem, os povos combatem heróica e destemidamente sob as rajadas desbocadas desta mesma mídia boquimole que os asseteam de terroristas. É o paradoxo moderno da pusilaminidade e da honradez. Que vergonha e que heroicidade! Abaixo os governo lacaios e viva a heróica resistência do povo iraquiano e palestino! 

Quando avança, quando recua

Ao mesmo tempo que lutam e resistem os povos árabes enfrentam limitações e desafios gigantescos em sua causa. As limitações são reveladas na carência de uma direção científica para potencializar, vertebrar estrategicamente a resistência e dotá-la de uma perspectiva histórica. O fato de a resistência não ter um centro baseado na direção da classe operária a faz limitada e débil frente aos ardis do inimigo. Uma resistência baseada numa frente de classes sociais heterogêneas tem como desafio nos momentos cruciais das investidas e manobras astutas do inimigo o perigo da capitulação. Assim a história e a experiência da luta de libertação dos povos têm ensinado.

Nenhuma classe social, em meio a todas que se acham oprimidas pelo imperialismo, está dotada de perspectiva histórica para levar até o fim a resistência, derrotar o inimigo e estabelecer uma nova ordem verdadeiramente justa e democrática, expressa numa forma estatal popular, que não seja a classe operária. E disto carece a resistência árabe com todo seu heroísmo e capacidade de combate e luta que têm revelado. Isto faz interrogar sobre os destinos da resistência, de sua perpectiva e da perpectiva para as nações árabes quando vencerem e escorraçarem o invasor. Num brilhante artigo intitulado Dez lições estratégicas da experiência de Falluja, o doutor em ciências econômicas e ativista da causa árabe, Ibrahim Alloush, demonstrou com fatos que a luta de libertação do povo árabe sempre que se encontrou no ambiente de desorganização estatal pôde desenvolver-se e triunfar, citando a luta em Beirute em 1982, do acampamento de Yenin em 2002 e a batalha de Falluja agora em 2004. Demonstrou isto, simplesmente revelando a natureza e caráter do Estado nos países árabes de serviçais do colonialismo e que mesmo quando suas direções se dispõem a enfrentar os dominadores, dado a esta natureza e caráter do Estado, corrupto, apodrecido e portanto, sem qualquer credibilidade popular, não podem vertebrar uma autêntica resistência.

Muitos diriam ser absurda tal compreensão, na medida em que um povo não dispondo de uma estrutura e aparelho estatal como que isto pode lhe favorecer, senão que debilitá-lo, na luta de resistência a um invasor poderoso. A vida de fato tem comprovado que a resistência popular do povo árabe só tem obtido sucesso quando nasce, se nutre e se sustenta do apoio popular. Demonstra-o a própria experiência da OLP antes e depois do conluio com o inimigo que conduziu o estabelecimento da “Autoridade Palestina”. Comprova-o a resistência iraquiana antes e depois da invasão imperialista. Na verdade, esta não é uma característica ímpar da luta do povo árabe, mas sim de todos os povos e nações que se acham submetidos por um Estado serviçal do imperialismo.

Dos grandes desafios que tem desde já a resistência árabe destaca-se o de ser capaz e poder tecer e forjar, em meio ao processo de luta, uma nova direção alicerçada na ideologia proletária, para desenvolver o seu processo de libertação e autodeterminação. Tal direção implicaria consequentemente em potencializar a resistência transformando-a em uma autêntica guerra popular, garantia para vencer todos os ardis do inimigo, conjurar os perigos de capitulação e assegurar seu triunfo total com a edificação de uma nação livre e um Estado popular, por isso mesmo verdadeiramente democrático. E são exatamente estas conclusões que perseguem o artigo das “Dez lições estratégicas da experiência de Falluja. ”

A bravura, o destemor e o espírito de sacrifício com que expressam, marcam e remarcam nos fatos do dia a dia, com atos contundentes que repercutem em todo mundo, merecem muito mais de parte dos democratas e revolucionários de todo mundo do que a atenção, preocupação, solidariedade e apoio que se tem manifestado até agora. Sua fe-roz e intrépida resistência contra todas as formas de brutalidades e horror praticados de forma sistemática pelas hordas imperialistas faz estremecer o espírito e vibrar mais forte o coração de todos os oprimidos da terra. De fato, o povo iraquiano e palestino estão dando mostras de um profundo amor não apenas à sua liberdade tão justa e merecida, mas à toda a humanidade. De fato, os democratas e revolucionários verdadeiros de todo o mundo precisam fazer muito mais na luta contra o imperialismo e principalmente contra o ogro feroz e mais monstruoso de todos, o imperialismo ianque.

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