Polícias assassinam uma pessoa a cada três horas

A- A A+

Uma pessoa é assassinada por forças policiais a cada três horas e 12 minutos no Brasil. As ações das polícias Militar e Civil vitimaram 21.897 pessoas entre 2009 e 2016, segundo os dados subestimados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados no dia 30 de outubro. Este é o retrato da guerra civil reacionária alimentada pela ação criminosa das forças policiais do velho Estado.

Chacina na Cidade de Deus (RJ) foi uma das ações mais violentas do velho Estado em 2016 (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
Chacina na Cidade de Deus (RJ) foi uma das ações mais violentas do velho Estado em 2016

No período analisado, os homicídios praticados por policiais subiram 194%. Se, em 2011, o número de vítimas era de 2.042, cinco anos depois, em 2016, a marca saltou para 4.224. É a maior média em oito anos, aponta a pesquisa.

Tomando como referência 2016, as forças de repressão do velho Estado fazem suas vítimas preferencialmente entre homens (99,3% dos casos), entre 12 e 29 anos (81,8%), e negros (76,2%). Trata-se da população jovem, negra e pobre.

Em números absolutos, a polícia que mais mata no Brasil é a do estado do Amapá, seguida da polícia do estado do Rio de Janeiro. No estado situado no Norte, a taxa de mortes em ações da PM é de 7,5 a cada 100 mil habitantes.

No Rio, por sua vez, a cada 100 mil habitantes, 5,6 são assassinados pela PM. A média nacional é de dois casos a cada 100 mil.

A polícia mata mais do que morre

O alardeado discurso do velho Estado - e reforçado pelo monopólio de imprensa - de que policiais militares morrem muito no país, e especialmente no Rio de Janeiro, não se sustenta a partir dos dados da pesquisa do Fórum.

Foram 437 policiais militares e civis mortos em 2016 (em confrontos ou fora de serviço), enquanto 4.224 pessoas foram assassinadas por forças policiais no mesmo ano. São aproximadamente 965% a mais de homicídios cometidos por policiais em comparação a policiais mortos.

Total de homicídios

Ao todo, o país registrou 61.619 mortes violentas no ano passado, decorrentes ou não de ações policiais. Trata-se do maior número de casos registrado na história do país. Em relação a 2015, houve aumento de 3,8%. Esse é o resultado espontâneo da escalada de violência impulsionada pela repressão do velho Estado que reflete em toda a sociedade.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Entre os estados que apresentaram maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes, estão Sergipe (64 casos), Rio Grande do Norte (56,9) e Alagoas (55,9). Já as capitais são Aracaju (66,7), Belém (64) e Porto Alegre (64,1).

Incremento da repressão

Os gastos com o uso da Força Nacional de Segurança (FNS), invenção do PT e utilizado largamente por Temer/PMDB nas recentes invasões a favelas cariocas, aumentou em 80% no Brasil em 2016. Saltaram de R$ 184 milhões para R$ 319 milhões somente no ano passado.

A pesquisa também revela um aumento estrondoso em gastos relacionados ao chamado Fundo Penitenciário Nacional. Em 2016, o velho Estado aumentou em 80,6% os recursos destinados ao encarceramento em massa. Fato este que certamente não refletiu na melhora das condições carcerárias, mas num incremento da 4ª maior população presidiária do mundo jogada nas masmorras do sistema penitenciário brasileiro.

Tal política se resume, portanto, à repressão, comandada pelas polícias estaduais com apoio da FNS e das Forças Armadas, e o encarceramento massivo da população pobre, negra e jovem.

Esta é a única resposta que o velho Estado tem aos problemas agravados pela crise (crise na qual o país foi afundado pelos próprios “governos”). Como resultado, a violência torna-se cada vez mais a solução adotada para os problemas, mesmo os cotidianos, e coloca-se na ordem do dia para todos.


Mais crimes contra o povo no RJ e em SP

Moradores acusam agentes do famigerado Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar de torturar pessoas, destruir equipamentos musicais e roubar celulares, dinheiro e bebidas de comerciantes durante um pagode na Rua Euclides da Rocha, próxima a Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, no último dia 30 de outubro.

Durante a operação policial na região, pelo menos três pessoas foram baleadas, incluindo a jovem Gabriele, de 23 anos, atingida na barriga, e o adolescente Robson Jerônimo, 18 anos, atingido no pescoço. Além disso, os moradores denunciam que um cachorro morreu atropelado por um blindado da PM e que os policiais já chegaram atirando e agredindo qualquer um que passava no local.

Relatos apontam ainda que cerca de 200 pessoas participavam do pagode, incluindo crianças, que também foram agredidas. Mulheres teriam sido chamadas de “piranhas” pelos policiais por estarem “aquela hora na rua”.

Em reunião com o comandante da falida Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), uma adolescente de 16 anos disse que foi agredida com tapas no rosto e outra jovem de 19 anos chegou a mostrar marcas de agressão na cabeça e nas costas, adquiridas por tapas e uma coronhada de fuzil.  

Dando prosseguimento à guerra contra o povo (com o pretexto de “combate ao crime”), no dia 7 de novembro, soldados do Exército, da Força Nacional de Segurança e das polícias Militar, Civil, Rodoviária e Federal realizaram uma megaoperação no Complexo do Salgueiro e na comunidade Anaia, na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Ao todo, 3,5 mil militares, 24 blindados e 18 embarcações das Forças Armadas atuaram.

Já em São Paulo, mais um filho do povo teve sua vida ceifada pelas mãos da polícia. Luan Gabriel Nogueira de Souza, de 14 anos, foi na rua comprar bolachas antes da hora do almoço, quando, segundo denúncias, foi baleado na nuca por um PM na Travessa Sete, localizada no Parque João Ramalho, em Santo André, no dia 5 de novembro.

A polícia alegou que Luan tinha participado de um furto a uma moto Honda/CG/125 vermelha no pátio de apreensão de veículos da Prefeitura Municipal de Santo André. No entanto, familiares, amigos e vizinhos rechaçam categoricamente a versão policial, protestam contra a versão de que ele teria reagido a uma abordagem policial e estaria envolvido no furto da moto.

‘Polícia é comandada pelo crime’

No fim de outubro, o ministro da “justiça”, Torquato Jardim, fez um pronunciamento que alvoroçou as “autoridades” fluminenses. Ele teceu críticas à “segurança pública” e afirmou que a Polícia Militar do Rio não é controlada pelo gerente estadual Luiz Fernando Pezão, mas sim por um “acerto com deputado estadual e o crime organizado”.

Esta declaração do ministro, além de corroborar um fato que é de conhecimento público é expressão sintomática da crise e decomposição do velho Estado.

Para Torquato Jardim, o coronel Luiz Gustavo Teixeira, comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar (Méier), não foi morto em uma tentativa de assalto, mas em um “acerto de contas”. A morte de Luiz Gustavo foi o motivo que desencadeou uma megaoperação no Complexo do Lins, pois a polícia supostamente estaria à procura dos assassinos, como noticiamos na última edição.

Em nota, Pezão refutou a afirmação do ministro e oficiais da PM se disseram consternados. Enquanto se engalfinham, é o povo pobre das favelas e bairros pobres que continua tendo o sangue derramado.

Endereços


Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20.921-060
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait