Iraque: Reveses da Resistência revelam limitações de classe

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O Estado Islâmico da Síria e Iraque (EISI), que tem endossado a Resistência Nacional contra a intervenção ianque, perdeu o último território controlado no Iraque no dia 17 de novembro. Isso, no entanto, está longe de representar um triunfo para o imperialismo, principalmente o ianque, que se afundará ainda mais na sua guerra de agressão.

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Iraquianos queimam bandeira ianque em Bagdá, 20/03/2009 (APP)
Iraquianos queimam bandeira ianque em Bagdá, 20/03/2009

Os combatentes da Resistência, então instalados na cidade de Rawa, banhado pelo rio Eufrates, na província de Al-Anbar, bateram em retirada frente a uma ofensiva realizada pelo Exército iraquiano lacaio do imperialismo ianque. Mais de 5,3 mil soldados do USA atuaram para dar apoio operacional e realizar indiscriminados bombardeios.

Embora os combatentes tenham abandonado a guerra de posições e o monopólio da imprensa martele sobre um suposto triunfo dos invasores, mesmo os “especialistas” militares a soldo dos ianques afirmam que os grupos da Resistência Nacional não foram vencidos.

Hassan Hassan, um especialista em segurança do Oriente Médio no Instituto Tahrir para a Política do Oriente Médio, escreveu em 15 de novembro que o EISI está redefinindo suas formas principais de combate.

O dito especialista afirmou que o grupo está mudando do território que governou para as cidades iraquianas controladas pelo invasor que lhes dão mobilidade e esconderijo. A estratégia, observa Hassan, é travar incessantes combates de guerra de guerrilha para esgotar o invasor e avançar com sucessivas campanhas de ações surpresas.

Embora tenham conseguido dispersar os combatentes da Resistência, os ianques e seus lacaios mobilizaram um aparato desproporcional desde as operações para invadir Mosul (que durou de outubro de 2016 a julho de 2017). Estrategicamente, foram derrotados e não puderam aniquilar os grupos armados, que prosseguirão com a guerra de guerrilhas.

“A ralé de poucos milhares [6 mil] de combatentes do Estado Islâmico foi capaz de manter o controle de Mosul por nove meses, contra ao menos 100 mil [soldados] das forças apoiadas pelo USA”, avaliou na época o major John Point, da Academia Militar do USA, em entrevista ao Wall Street Journal, em 20 de julho deste ano.

Guerra justa, mas limitada

Em documento publicado ao fim de 2015, o Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização) fez uma profunda análise sobre a situação internacional e no Oriente Médio Ampliado.

Na análise da guerra de agressão movida pelas potências imperialistas contra o Iraque, apontou que os grupos armados islâmicos, em circunstâncias normais, são “forças latifundiário-burocráticas a serviço do imperialismo que os domina”, inclusive por vezes financiados e armados pelos imperialistas para dividir e dominar as massas sob uma ideologia feudal e atrasada. Mas que “essas forças podem passar a formar parte da frente única nacional” – isto é, passar momentaneamente para o campo da revolução – quando ocorre uma “invasão e ocupação militar” movidas pelos próprios imperialistas “para mudar o caráter semicolonial do país e buscar convertê-lo em uma colônia”, negando o direito à integridade territorial da nação agredida. Nesse momento, toda a nação, inclusive as forças feudais, tendem a se mobilizar contra o invasor.

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