Encontro Camponês de Pau D’Arco, Sul do Pará

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Gente humilde, labutadora e valente

Em meados de outubro soube que iríamos cobrir a pauta do Encontro Camponês do Sul do Pará, realizado nos dias 28 e 29 daquele mês. Nós voltaríamos então a Pau D’Arco, onde estivemos após a covarde chacina na fazenda Santa Lúcia, na qual 10 camponeses foram assassinados pelas mãos do latifúndio e do velho Estado, sem direito à defesa.

Na época, um clima de apreensão e indignação circulava pelo lugar. Havia acabado de ocorrer a chacina e os camponeses da região estavam perplexos e revoltados com o ocorrido. O AND e a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) foram os primeiros que na época se colocaram em oposição à criminalização do monopólio de imprensa, que descaradamente relatava o bárbaro massacre como “confronto”. Mentira esta que cairia por terra após as denúncias e repercussão do crime, que forçaram a realização de investigações que comprovaram o verdadeiro caráter assassino do latifúndio e das forças de repressão.

Havia de minha parte uma apreensão sobre o que encontraria, já que na última visita o clima tinha sido bastante tenso. Há muitos anos os camponeses do Pará não vivenciavam um ponto tão alto na luta contra o latifúndio. O céu estava um pouco nublado e por alguns momentos chegava a chover. Na primeira ida a Pau D’Arco não houve muito tempo para confraternização, já que o trabalho jornalístico era intenso, o tempo curto e a ocasião desaconselhava.

Após a covarde chacina, as famílias, apoiadas pela Liga dos Camponeses Pobres, se organizaram, retomaram as terras do latifúndio Santa Lúcia e levantaram o Acampamento Jane Júlia, que ganhou o nome da dirigente camponesa e presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais de Pau D’Arco, assassinada na chacina. Agora, nós voltaríamos a Pau D’Arco e veríamos o desenvolvimento da situação.

Chegando ao Encontro Camponês nos deparamos com uma completa estrutura de organização e compromisso com a causa. Chegamos cedo, direto da estrada para o evento. Diferente da outra estada, fomos encontrando camponeses de diversos acampamentos do país e da região que ali estavam para o Encontro. Notava-se em cada olhar a solidariedade dos camponeses em luta comum, sobretudo aos familiares das vítimas. O clima era de amizade, solidariedade e percebia-se, onipresente, a seriedade daqueles homens e mulheres com a luta pela terra. Gente humilde, labutadora e, sobretudo, de bravura inquestionável. A cada fala a firmeza se impunha e mostrava-se a importância do Encontro ter acontecido em Pau D’Arco.

Muito nos emocionamos no Encontro com as homenagens feita aos parentes das vítimas da chacina, afirmando que a luta em Santa Lúcia não foi em vão. Vimos todo o apoio em depoimentos de movimentos populares, revolucionários e democráticos, além de todos os acampamentos da Liga espalhados pelo Brasil.

O ponto alto do Encontro se deu com a leitura da Carta de Pau D’Arco, onde nela está incluída além da mensagem de solidariedade às vítimas, o compromisso da LCP em firmar a luta contra o latifúndio e de buscar junto ao camponês o que é seu por direito: seu espaço de residir, viver e trabalhar, desenvolvendo sua agricultura na terra. De lutar contra a exploração latifundiário-burocrática do velho Estado.

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Ali ficou expresso, marcado na convicção de todos: quão importante é a retomada da fazenda Santa Lúcia! Vimos que trata-se de um marco da luta contra o latifúndio e o velho Estado. Um marco na importante luta pela terra naquele estado e no Brasil.

Enquanto as direções dos “movimentos sociais” corporativizados pelas siglas oportunistas do Partido Único fazem o jogo pelego desses “governos” de turno que só visam seus interesses próprios e o único olhar para população é o de exploração, a LCP segue junto à população camponesa para desbaratar a quadrilha que mantém o país como semicolônia do imperialismo e quer explorar até o máximo o povo e as reservas naturais do país.

O Encontro de Pau D’Arco finca, como um punhal, a bandeira da luta camponesa no sul do Pará e revigora a Revolução Agrária. Num momento onde a desesperança assola o país, o campo se levanta em luta pela terra e, assim também, em luta pela liberdade. Tudo passa pelo movimento camponês combativo.

O Encontro Camponês do Sul do Pará traz a perspectiva do avanço da combatividade e organização no movimento camponês.

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