Perseguição contra a FAG: um ataque ao direito de lutar

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No fim de outubro, a Polícia Civil de Porto Alegre (RS) deflagrou a chamada Operação “Érebo”, uma orquestração do velho Estado contra os movimentos populares que teve como alvos a Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e outras organizações independentes.

Lorena e Gabriel contaram ao AND sobre as perseguições políticas no RS e no Brasil
Lorena e Gabriel contaram ao AND sobre as perseguições políticas no RS e no Brasil

Em 25 de outubro, tal operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão nas cidades de Porto Alegre, Viamão e Novo Hamburgo, na procura de “responsáveis” por ataques contra sedes policiais, prédios de partidos eleitoreiros, bancos, concessionárias de veículos, uma igreja católica etc. No entanto, absolutamente nada relacionado aos ataques foi encontrado nas residências e na sede da FAG, que também foi invadida pela polícia. Os únicos materiais encontrados pelos agentes que a polícia considerou “incriminadores” foram panfletos, livros e cartazes de propaganda anarquista.

Toda essa campanha reacionária e histérica foi engrossada por uma “reportagem” apócrifa exibida pelo rebaixado programa dominical Fantástico, da Rede Globo.

Já na primeira semana de dezembro, no dia 4, quando esta matéria era redigida, a Operação “Érebo” voltou a perseguir e invadir casas de militantes anarquistas na região metropolitana de Porto Alegre.

No dia 1º de dezembro, a reportagem do jornal A Nova Democracia entrevistou Lorena, da FAG, e Gabriel, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (Farj), ambos militantes de organizações que integram a Confederação Anarquista Brasileira (CAB). Lorena estava no Rio de Janeiro, pois, no dia anterior, havia participado de um debate na Universidade Cândido Mendes (UCM) sobre a criminalização dos protestos populares. A entrevista foi concedida na sede do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), na Cinelândia.

— Essa operação, assim como outras operações, são a cobrança das grandes mobilizações de 2013 e para tentar dar o recado para o setor combativo das mobilizações a nível nacional. A criminalização, de fato, não escolheu uma localidade só, um território. Ela vem sendo trabalhada há praticamente um ano com o levantamento de “provas” através da 1ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre. É uma operação que, no primeiro momento, você não tem dúvida que é uma operação anti-anarquista, anti-ideologia de esquerda - diz Lorena, que prossegue:

— Hoje [no dia da entrevista], mais casas de militantes anarquistas foram invadidas, violadas. Quebraram tudo que tinha dentro. O que puderam apreender como “provas”, eles apreenderam. Basicamente, durante todo esse processo as “provas” são literaturas anarquistas. A gente sabe que o delegado e a polícia são executores dessa perseguição e tem o governo comprometido com isso, tem empresa e tem, por trás dessa operação, uma motivação muito grande de isolar um setor combativo das mobilizações - denuncia.

Ainda no dia 04/12, poucos dias depois da entrevista ao AND, Lorena foi demitida “sem justa causa” de seu emprego de garçonete na rede de hotéis Intercity, de Porto Alegre. A empresa alegou “corte de gastos”.

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