Festa popular dos blocos carnavalescos

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Pequenos ou grandes, os blocos de rua têm tomado espaço no carnaval do Rio de Janeiro. Acessível ao povo, muitos deles com total liberdade de fantasias, sem venda de camisa obrigatória, os blocos continuam mantendo a característica de festa popular do carnaval, com participação de todos, socialização da brincadeira, e não apenas uma contemplação de escolas de samba.

Fantasmas do Maxixe
Fantasmas do Maxixe

O carnaval brasileiro é uma festa popular de caráter histórico e social, conhecida mundialmente. A festa é dividida em algumas manifestações, que são os desfiles de escolas de samba, bailes, bandas, blocos de rua e blocos de enredo ou cordões.

Os blocos de rua e cordões, com total liberdade de fantasia ou seguindo um tema, tocando marchinhas, sambas, ritmos nordestinos etc. sempre tiveram uma grande importância no carnaval, desde o seu início, mas por alguns anos, principalmente décadas de 1980/90, andaram meio desaparecidos, retornando com força neste século.

A clarinetista Valere Faria, entrevistada na edição 196 de A Nova Democracia, é um exemplo de foliã e incentivadora do carnaval de rua na cidade do Rio de Janeiro.

— Bloco de carnaval é uma manifestação autêntica do povo, tanto que ela nasce sozinha, pequenininha e cresce virando um patrimônio histórico. Infelizmente existe o dinheiro que se apropria do que é do povo e passa a cobrar para que ele possa usufruir da sua própria criação – conta Valere.

— E como já disse o samba da Império Serrano “Super Escolas de Samba S.A.”. Mas não tem jeito, como é autêntico e verdadeiro, logo se vê uma criança sambando, tocando um surdo, um tamborim, se reunindo, compondo músicas e é nato, é nosso, é carioca, é brasileiro – continua.

Escorrega mas não cai
Escorrega mas não cai

Valere está à frente do bloco Fantasmas do Maxixe, criado por seu pai, Edeltrudes Marques da Silva.

— O Fantasma surgiu da vontade do meu pai de fazer um bloco da sua época, dos tempos antigos, e resgatar músicas e ritmos de antigamente, como o maxixe. O bloco nasceu em 2014, e em 2015 foi seu primeiro carnaval. O nome vem da música A História do Bloco do Fantasma, de Henrique Martins, essa música fala do surgimento dos ritmos no Brasil – explica.

— Muito boa, quando ouvi peguei para ser o nome e o hino do Bloco. O Fantasma toca sempre no domingo de manhã, uma semana antes do carnaval, no bairro Grajaú, e o maxixe é tão contagiante que não conseguimos tocar só no carnaval, assim os integrantes fizeram um grupo para tocar o ano todo, o grupo Carioca Maxixe – conta entusiasmada.

Outro bloco que anima o carnaval carioca é o Escorrega mas não cai, que tem como presidente o folião Carlos André Silva.

— O bloco pode ser considerado fruto do projeto “Onde tudo começou...”, projeto esse que oferecia diversas oficinas gratuitas, incluindo percussão, com o mestre André para a comunidade do Morro da Conceição e adjacências. E foi com o término desse projeto que os alunos da oficina de percussão, se vendo completamente radiantes com o que aprenderam, decidiram unir-se novamente – recorda André.

Animação por ruas e ladeiras

— Só precisavam de um motivo para isso, e este motivo veio no dia 6 de julho de 2008, na Rua do Escorrega, altura do número 39, onde comemorava-se o chá de bebê da iluminadora Rhiana, filha de Patrícia e Rafael, este um dos fundadores do bloco. Neste dia vários fatores favoreciam para a a do bloco:

— A maioria dos alunos era convidada no chá de bebê, os instrumentos de percussão estavam guardados bem próximo, na casa do Camarão, mais um fundador do bloco, com a festa animada regada a muita amizade, churrasco e cerveja, logo surgiu a vontade de fazer um barulho e agitar ainda mais o que já estava pra lá de animado – relata Carlos.

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A empolgação foi tanta que todos resolveram descer a Ladeira do Escorrega, em direção a Praça Mauá, tocando.

— Cerca de 70 pessoas em volta da nossa bateria, entre crianças, adultos, moradores e frequentadores da nossa comunidade. Após um grande incentivo de duas ilustres incentivadoras: tia Rosa e Miara (em memória), nascia o bloco carnavalesco Escorrega Mas Não Cai!

— Uma das principais subidas para o Morro da Conceição, a ladeira estreita, íngreme, ficou marcada como ponto de encontro dos amigos e fundadores do bloco. Fazendo um carnaval com muita alegria na região, desde 2009, brincaremos por muitos anos fazendo um belo carnaval sempre – expressa Carlos.

Manoel Jorge Santos de Souza, presidente do Larga a Onça, Alfredo, do bairro Laranjeiras, é o outro folião entusiasmado.

Larga a Onça, Alfredo
Larga a Onça, Alfredo

— O bloco completa 11 anos em 2018, e surgiu a partir de um pedido de um amigo nosso, o Luizinho Gama, que é um menino de 85 anos. Ele queria ter um bloco e nós, os amigos, fundamos esse. O nome foi dado por mim a partir de uma reportagem que vi sobre Ariano Suassuna, a chamada era: “Ariano solta a Onça em Recife”. E enxerguei aí o nome do bloco – conta Manoel.

— Quando fui passar a ideia para o Alceu, outro fundador, acabei lhe chamando por pelo menos três vezes de Alfredo. Pedro Lima, um fantástico percussionista que nos dava aulas de pandeiro, também trocou o solta por larga, e aí achamos que dava mais sonoridade, e ficou: Larga a Onça, Alfredo.

— Temos uma bateria própria, não contratamos ninguém para tocar, e aí está nosso grande diferencial: você chega ensaia, e vamos lá. Não temos patrocínio e nem queremos, dividimos tudo e conseguimos botar o bloco na rua – declara convicto.

Os  blocos para Manoel representam o que há de mais divertido nos dias de hoje no carnaval.

— É a coisa mais pura, ainda brincamos e conhecemos as pessoas pelo nome. Houve um ano que chegou uma moça e perguntou: é aqui o ensaio do Larga a Onça? Sim, respondeu um amigo que lá estava, e perguntou: você toca o que? Ela disse : “tamborinho”. Ele perguntou: trouxe o seu “tamborinho”? Respondeu: não tenho, pode me emprestar? Depois eu compro um – conta.

— Ela saiu tocando tamborim e ficou feliz da vida, eu a vi por lá pelo menos uns três anos. Esse é o nosso bloco, divertido, alegre, animado, tem até rainha de bateria, e um percurso de 250/300 metros, que leva três horas, e temos que valorizar, é bom demais. Podem chegar lá para tocar um “tamborinho” com a gente – finaliza, convidando os leitores.

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