Talento do povo

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Porteiro e compositor, o carioca Jorge Luiz Morais Silva faz música enquanto atende os frequentadores do prédio onde trabalha. Com uma inspiração capaz de fazer surgir uma música nova em qualquer instante, Jorge não deixa de lado o sonho de conseguir gravar uma de suas obras, que inclui sambas, pagodes, funk, rap e até forró, com letras que falam do cotidiano do povo, suas alegrias, dores e críticas sociais.

Jorge Luiz Morais Silva faz música enquanto atende os frequentadores do prédio onde trabalha

— Nasci na Cruz Vermelha, em frente ao hospital do câncer (Inca), no centro do Rio, e fui criado ali naquela região. Meus pais eram da escola de samba Portela, minha mãe ficou famosa no samba, começou com 13 anos de idade, foi primeira passista e rainha da bateria, saía nos jornais e viajou para fora do país, conhecida como a internacional Nívea da Portela – conta Jorge.

— E a Cruz Vermelha era área de boemia naquela época, décadas de 1970 e 1980. O marido da minha madrinha, seu Lino, já falecido, era dono de uma casa bastante tradicional ali, a Estudantina Musical. Minha mãe fez muitos aniversários lá, e por acompanhá-la sempre, frequentei muitas outras casas de show: a Elite, Democráticos, Banda Portugal etc. além dos desfiles de carnaval, eu ali no meio de tudo – relata.

— Além da boemia, na área da Cruz Vermelha moravam muitos artistas, entre eles o Grande Otelo. Ele chegava sempre dirigindo um Fiat, sentado em dois travesseiros para alcançar altura e enxergar a estrada, saía e falava com todo mundo. Eu cresci desse jeito, de alguma forma participando do meio artístico – fala.

Mas Jorge não se envolvia de verdade com música naquela época, porque tinha uma paixão pelo futebol.

— Eu só pensava em futebol, e junto com uma molecada daquela área jogava todos os domingos no corpo de bombeiro, que fica ali perto do Campo de Santana. Tentei ser jogador profissional, fiz um teste para o Vasco da Gama, passei, mas em menos de um ano comecei a bater de frente com o técnico, me aborreci, depois passei por clubes pequenos até os 18 anos, quando desisti de jogar – conta.

— E foi aí que começou a surgir a música na minha mente. Comecei fazendo poesias, depois tentei fazer uma música no estilo das que eu ouvia, e não parei mais de compor. Mas o tempo tinha passado enquanto eu tentava ser jogador de futebol, e já tinha família para alimentar. Desde 1989 moro na comunidade do Jacarezinho, e trabalho em outras atividades para sobreviver – diz.

Jorge chegou a tentar várias vezes viver da sua arte, poder se dedicar a ela, mas o sustento de sua família sempre foi prioridade.

— Minha mãe faleceu cedo, e quando eu já estava com três filhos, tentei uma chance na Portela como compositor. O Carlinhos Maracanã, que era o presidente da Portela, me encaminhou para o seu Orlando da Portela, da ala dos compositores/diretoria, e ele me disse que como eu não tinha nada gravado, teria que fazer ambiente com os compositores e tentar arrumar um parceiro para poder disputar algum samba – relata.

Inspiração e persistência

— Fiz o que ele falou. O Carlinhos Maracanã mandou que eu tomasse conta de um barzinho lá e fui ficando, me enturmando, mas como eu trabalhava na indústria, que mudou o meu horário para a noite, não pude continuar no bar, isso me atrapalhou e acabei desistindo da disputa de samba – fala.

— Mais tarde, quando minha esposa estava grávida do meu filho mais novo, com 17 anos agora, me inscrevi em um festival de música da televisão e minha composição foi aprovada. Mas naquela época não tinha celular como tem hoje, me ligaram chamando para comparecer lá, porém minha madrinha só me deu o recado vinte dias depois, e por eu não ter respondido o telefonema a tempo, colocaram outro no meu lugar – conta.

As dificuldades sempre impediram que Jorge pudesse viver da sua arte, porém, não impediram que sua arte existisse.

— Não sei direito como a música acontece, depende de quando surge uma ideia na minha cabeça. Às vezes estou cheio de problemas e do nada surge uma ideia. Se eu quiser fazer uma música eu não consigo, o negócio vem do nada. Então monto uma história na minha mente e começo a desenvolver as frases – explica.

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