120 anos do nascimento de Bertolt Brecht

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“Estranhem o que não for estranho./ Tomem por inexplicável o habitual/ Sintam-se perplexos ante o cotidiano/ Tratem de achar um remédio para o abuso/ Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra”. Estes versos integram o poema A exceção e a regra de autoria de Eugen Berthold Friedrich Brecht, escritor comunista alemão nascido em 10 de fevereiro de 1898, há 120 anos. Em tempo de velha ordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada é tempo de lermos ou relermos Brecht.

120 anos do nascimento de Bertolt Brecht

A atualidade de Brecht

A obra literária brechtiana é um martelo que rompe o frio grilhão do conformismo tão útil as classes dominantes. Para os artistas de hoje é um lembrete e uma convocação a servir ao povo, de buscar a elaboração de uma estética que esteja em consonância com os movimentos populares, democráticos e revolucionários.

Resgatar a obra de Brecht é trazer ou retrazer ao campo artístico a imprescindibilidade de tomada de posição do artista e de sua obra junto ao campo da revolução, na luta sem quartel entre revolução e contrarrevolução que se trava na sociedade. Resgatar Brecht é defender uma postura ativa, crítica e inconformada do artista e de sua obra.

Resgatar Brecht é também defender a necessidade de uma arte que valorize e sirva às massas populares, tornando-as protagonistas da história, tematizando a sua vida e luta pelo Poder para transformar radicalmente a sociedade existente. “Como há de ser instituída a verdadeira ordem/ sem o saber das massas?”, se questiona o poeta em Pergunta.

Conscientizar e politizar

O escritor alemão, nascido na cidade de Augsburgo, na Baviera, compôs a sua obra literária com o claro intuito de instigar os trabalhadores e trabalhadoras a pensarem e a agirem rompendo a paralisia causada pelo conformismo, não sendo coincidência que a tematização do par conformismo/inconformismo perpassa toda esta obra.

No caso da poesia, os versos de Brecht são um antídoto contra a inércia e a resignação, e são um elogio à rebeldia, à revolta e à revolução. A sua obra lírica é um instrumento, uma arma, a serviço da conscientização e da politização do proletariado em sua luta pelo Poder.

O Partido e o revolucionário

O escritor enaltece o Partido Comunista autenticamente revolucionário em Elogio do Partido. “O indivíduo tem dois olhos”, diz o poeta, mas o “partido tem mil”. “O indivíduo pode ser liquidado”, mas não o Partido, “Pois ele é a vanguarda das massas/ E conduz a sua luta”, com quadros revolucionários “forjados a partir/ do conhecimento da realidade”. Este Partido é clandestino, frisa Brecht em Elogio do trabalho clandestino. “Árdua e útil é a pequena tarefa de cada dia/ que secreta e tenaz tece/ a rede do Partido sob/ os fuzis apontados dos capitalistas” - narra o eu lírico brechtiano neste poema - com a missão de “libertar os oprimidos”.

O revolucionário ou revolucionária que compõe esse Partido, segundo o Elogio ao revolucionário, é aquela que eleva a sua coragem e moral quando a repressão aumenta e muitos desanimam. A revolucionária organiza a “luta pelo salário, pelo pão/ e pela conquista do poder”. A revolucionária questiona a propriedade privada e o caráter de classe das ideias (“Serves a quem?”). “Ali onde todos calam”, ela fala. A mesa na qual ela se senta, se senta a insatisfação. Aonde ela vai, a revolta a acompanha. Eis a fibra ideológica de uma revolucionária, de uma comunista.

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