Retomar a Embraer. Revigorar a Infraero. Criar a Aerobrás.

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Só há 4 nações capazes de projetar, produzir e exportar aviões em 3 segmentos (comercial, militar e executivo). O Brasil é uma delas.

Bloomberg News
A venda da Embraer pela Boeing, monopólio ianque, é um sério ataque à soberania nacional (foto: Bloomberg News)
A venda da Embraer pela Boeing, monopólio ianque, é um sério ataque à soberania nacional

Em exceção à regra, a privatização (1994) e desnacionalização (2006) da Embraer, hoje 3ª fabricante mundial de aeronaves, atrás da estadunidense Boeing e da francesa Airbus e à frente da canadense Bombardier, não tiraram daqui suas decisões, a maior parte de sua produção nem (mais importante) a pesquisa e desenvolvimento de seus produtos. Até agora.

A entrega à Boeing do setor de jatos comerciais – que concentra 57% do faturamento e 85% do lucro da Embraer, seu maior potencial de crescimento e sua produção interna – torna a desnacionalização de sua pesquisa, desenvolvimento e montagem questão de pouco tempo.

Anos de entreguismo, corrupção e incompetência na aviação civil cobram seu preço, e logo quando os aviões são o único produto industrializado nacional (embora a empresa, sob o prisma acionário, já não o fosse) de peso na pauta de exportações.

Ao contrário de minérios, carne e produtos agrícolas, eles têm alto valor agregado, preços estáveis e geram empregos decentes; exportá-los não causa desabastecimento ou inflação e produzi-los não mata índios, camponeses, rios, florestas e modos de vida. E, diferente do outro artigo industrial que o Brasil exporta em grande escala (carros), os aviões são projetados (não só montados) aqui; os dólares obtidos com sua venda remuneram acionistas nos EUA, mas a permanência no Brasil da matriz, centros de pesquisa e do dinheiro a eles destinado foi, até hoje, outra importante diferença face ao cartel automotivo.

Tais fatores compatibilizaram, por um tempo, os interesses dos acionistas e os do país. Agora, isso acabou. O acordo com a Boeing sela a dissociação que Luis Inácio e sua sucessora designada, desprezando sinais de alerta e oportunidades, favoreceram em vez de estancar.

Casa de ferreiro...

Cessados os voos de duas companhias médias (Transbrasil, em 2002, e Vasp, em 2005), uma grande (Varig, 2006) e 13 pequenas (Tavaj, BRA, Puma, Pantanal, TAF, Rico, Cruiser, Air Minas, Meta, Webjet, Abaeté, Brava e Sete, de 2004 a 2015), os governos petistas repassaram suas rotas não-eliminadas e horários aos monopólios Gol e Latam (LAN+TAM), incubados no BNDES por Luciano Coutinho sob os auspícios de Dilma Rousseff, sem pedir uma só contrapartida lícita. Sequer a mais óbvia: o uso de aviões brasileiros.

Ao contrário: todas empresas desativadas, exceto VASP e Webjet, tinham, haviam tido (a Varig, por meio de subsidiárias) ou estavam por comprar aviões dela – algo que Gol e LAN nunca tiveram e a Tam há muito deixara de ter.

Das não-monopolistas remanescentes, a OceanAir (atual Avianca) deixou de usar seu último Embraer em 2008; a Passaredo, em 2012. Presentes em 60 nações, os aviões brasileiros só não desapareceram de nossos céus porque um empresário estadunidense que os conhecia de usá-los em seu país (David Neeleman, da Azul) resolveu atuar aqui. Ironia amarga e reveladora do que são Coutinho, Dilma e a burguesia parasitária que amamentaram.

Crescer (só) para fora

Como reagiriam Gol e Latam, seus fornecedores Boeing e Airbus, a imprensa mercantil monopolista, as facções parlamentares e os tribunais (onde o caso certamente chegaria) se o Brasil reservasse 20% dos pousos e decolagens de Guarulhos, Congonhas, Viracopos, Galeão e Brasília a empresas que “não utilizam, direta ou indiretamente, aeronaves de grande porte”, fixando em 75 passageiros por avião a capacidade-limite para acesso a essa cota?

Pois é o que fazem os EUA, via capítulo 14 de seu Código de Regulações Federais (CFR), com os aeroportos principais de Washington (Reagan) e Chicago (O’Hare) e os 3 de Nova Iorque (LaGuardia, Kennedy e Newark) para preservar rotas e concorrência. Outros menores nem comportam – e é proposital – aviões grandes.

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